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domingo, 27 de outubro de 2013

O PERIGO DAS MANIFESTAÇÕES VIOLENTAS

Fabrício Peres, professor

(Extraído do Facebook)

O direito de manifestação deve ser respeitado e exercido, sendo reconhecido como algo que vai além do direito, um dever, para quem deseja de alguma forma pressionar a consolidação de tantas mudanças em um país que ainda apresenta muitas necessidades e desigualdades.

Apesar de reconhecer a grande importância das manifestações, temo pelos rumos que estão sendo trilhados por alguns dos grupos de manifestantes, que assumiram a depredação patrimonial e mesmo a agressão física como meio mais "efetivo" de protestos.

Ao longo da história da sociedade humana, tivemos a oportunidade de assistir muitos tipos de manifestações que conduziram a processos revolucionários com diferentes níveis de sucesso, algumas delas violentas e outras marcadas pela postura pacífica de seus líderes.

Sinceramente, não saberia dizer qual a forma mais eficaz de se forçar mudanças sociais e políticas, pois mesmo dentro do contexto brasileiro, nos relacionamos com um conjunto de relações muito complexas.

Vivenciamos um modelo democrático ainda jovem, impregnado por grupos que defendem, erroneamente, as ditaduras como a melhor forma de se estabelecer a paz e a ordem. Esses grupos vivem procurando argumentos para justificar ataques diretos à democracia, e talvez encontrem na violência que se expõe nas ruas, em alguma manifestações, o argumento decisivo por eles tão esperado.

Compreendo a postura de alguns dos manifestantes denominados Black Blocs, entendo sua indignação contra muitas mazelas governamentais e principalmente contra as corporações que acentuam nosso abismo social, sua indignação é tão justa quanto a de todos nós, porém, será que eles percebem as possíveis consequência da continuidade dos atos violentos.

Até ontem, o Black Bloc era reconhecido como um grupo que depredava patrimônio, principalmente privado, com intuito performático, pregando a desobediência como principal forma de revolução social. Quando entravam em embate com a polícia, atuavam como resistência às ações mais agressivas das polícias militares, mantendo as situações dos protestos em um relativo "equilíbrio" de forças.

Mas as coisas mudaram, principalmente com a agressão de um Coronel da PM que foi violentamente espancado, embora, aparentemente, de acordo com o que foi divulgado pelos canais de TV abertos, o Coronel estivesse sozinho e não tenha demonstrado nenhuma agressividade contra os manifestantes.

Sem dúvidas precisamos tomar muito cuidado com o que a Televisão nos mostra, sabemos que a mídia brasileira é profundamente comprometida com grupos que se interessam pelo enfraquecimento do movimentos por mudança social, mas acima de tudo, precisamos medir as consequências de nossas ações para que as manifestações não acabem surtindo efeito contrário ao desejado.

Vamos avaliar com cuidado os acontecimentos e formulemos nossas opiniões com o bom senso de quem deseja fortes mudanças, desde que essas venham juntamente com o fortalecimento da democracia.

NOTA DA REDAÇÃO: As manifestações populares realizadas em junho, durante a Copa das Confederações, pela instituição do passe livre em ônibus urbanos, foi largamente apoiada pelas grandes emissoras de televisão, jornais e revistas, até que os manifestante se voltaram contra a mídia. O black blocs não passam de nazistas.