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domingo, 6 de outubro de 2013

POR QUE ESPANQUEI MEU PROFESSOR?

Fabrício Peres, professor

Desrespeitar e agredir professores são práticas cada vez mais comuns na nossa sociedade. Para esse fenômeno existem várias explicações, as quais tentarei expor de forma clara e resumida.

Vivemos em uma sociedade indiscutivelmente capitalista, que ostenta como seu principal pilar de sustentação o Capital, o dinheiro, sendo assim, de forma geral, o sucesso das pessoas é medido a partir do volume de bens e capital que são capazes de acumular ao longo de suas vidas e da capacidade de consumo que expõem ao meio social em que vivem.

Ao longo da recente história brasileira, com a “democratização” da Educação Pública e consequente aumento do número de professores, a lógica capitalista abateu a nossa categoria como um tiro de canhão abateria um pombo, causando um intencional achatamento do poder monetário dos professores, que em menos de quarenta anos saíram da posição de “classe média alta, financeira e intelectual” chegando ao status de “peões das redes de ensino”.

Os baixos salários, planos de carreira insatisfatórios, além de toda a falta de estrutura da educação, transformaram os “postos de trabalho da educação” em indesejáveis para a grande maioria da população.

Quem que estudar entre 4 e 10 anos para ser um profissional que irá receber entre 1.500 e 10 mil reais? Levando em consideração que 4 anos seria o tempo mínimo para a formação de um professor de Educação Básica, que recebe em média 1.500 reais de salário inicial por 40 horas de trabalho semanal e 10 anos o tempo de formação de um professor universitário, que passa por mestrado e doutorado, recebendo no topo de sua carreira 10 mil reais de salário por 40 horas de trabalho semanal.

Sabemos que o setor produtivo, o judiciário e o setor da saúde oferecem salários proporcionalmente muito mais elevados, principalmente quando consideramos os níveis de formação acadêmica exigidos.

Em consequência dos baixos salários e também das condições de trabalho pouco atraentes, os professores perderam grande parte do respeito social dentro de suas comunidades, afinal, se um profissional for medido pela sua capacidade de enriquecimento, certamente os professores estão na base desta escala.

Não bastasse o baixo reconhecimento por grande parte da sociedade, os professores são constantemente agredidos, verbalmente, moralmente e até fisicamente pelos governos, que iludem a população atribuindo aos professores o fracasso da educação pública e se aproveitam disso para justificar os baixos salários.

Recentemente, no Rio de Janeiro, tivemos um exemplo agudo de um problema crônico, tendo ocorrido violência física descarada por parte da polícia contra os professores.

Não, eu não estou culpando a polícia pela violência, pois devo lembrar que assim como os professores, os policiais são vítimas das políticas bárbaras dos Estados contra os servidores públicos que sustentam os serviços fundamentais.

Não bastasse a barbárie governamental, o modelo militarizado das polícias estaduais, que realizam as atividades ostensivas, reduz muito o potencial de resistência dos policiais em relação às ordens que recebem.

Também não podemos esquecer que os homens são intensamente influenciados pelo meio, sendo assim, fica difícil esperar que policiais treinados como soldados para enfrentar “guerras urbanas”, atuem de forma diferente do que fizeram contra os professores.

Os governos, estaduais e municipais, principalmente, destacando aqui os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde se concentra a maior parte do PIB nacional, estão fomentando conflitos entre funcionários públicos e população e entre os próprios servidores ou agentes públicos.  Trabalho invejável, do ponto de vista Maquiavélico, que leva ao extremo o ditado “Dividir para conquistar”.

Dentro desse lamentável contexto, perde a população, perde o servidor, mas olhando por uma perspectiva menos pessimista, parece que os manipuladores da opinião pública também estão começando a perder.

Os meios de comunicação, agora são um pouco mais democráticos e alguns grupos organizados que se espalham pelas ruas, começam a expor as mazelas governamentais e agora cabe ao povo reconhecer quem são os verdadeiros inimigos.

Sucatear a educação e desestimular o trabalho dos professores não são ações desmotivadas, são intencionais, pois ajudam a manter a massa sob o domínio das leis.

A Educação é a única arma efetiva contra a corrupção.