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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

COMO DIRIA JACK, "VAMOS POR PARTES"

Celso Brum, professor e sociólogo

O fim da reeleição - Tem ganhado espaço, na opinião publicada, a tese do fim da reeleição. Lembro-me perfeitamente de como foi instituída a reeleição, para dar ao Fernando Henrique a chance de continuar na presidência da República, para a sequência daquilo que o Sérgio Motta (o Golbery do PSDB) afirmava ser o começo dos 20 anos dos tucanos no poder. Era praxe (e ainda é) que alterações nas práticas eleitorais só valeriam a partir do próximo período. Mas essa praxe foi ignorada e, alterado o sistema, houve reeleição e FHC continuou no poder, com as conhecidas consequências. Não me lembro de que, na época, houvesse uma grande indignação da opinião publicada quanto à manobra do PSDB. A opinião publicada (leia-se a “grande imprensa”) não queria era o sapo barbudo e o príncipe poliglota já era (e continua sendo) o queridinho da direita.

Agora, com a possibilidade – a cada dia mais consolidada - da vitória de Dilma Rousseff, e completando-se 16 anos do PT no poder, casuisticamente, mais uma vez, a opinião publicada cogita o fim da reeleição. Ainda mais que, conforme o andamento dos próximos episódios eleitorais, os principais nomes da oposição (Serra, Aécio, Marina e também Eduardo Campos) podem sair do confronto irremediavelmente enfraquecidos e com poucas chances de recuperação. Nesse caso, a eleição de mais um petista em 2018, passa a ser uma realidade com mais possibilidades de acontecer. Continuando o instituto da reeleição estariam completados 24 anos do PT no poder. Os integrantes da “grande imprensa” e da direita reacionária, ao pensar nessa hipótese, sofrem de contínuas sapitucas, engulhos borbulhantes e úlceras estomacais dolorosas o que, aliás, merecem amplamente.

No mais, pessoas sérias e bem intencionadas encontram ótimos argumentos a favor e contra a reeleição. Eu já fui contra a reeleição, mas a prática demonstrou-me que vale à pena continuar com algo que tem apresentado bons resultados. Também a prática demonstrou que a reeleição não é automática, pois só o bom governante consegue o respaldo popular para um 2º mandato. Lembrando que, nos países altamente desenvolvidos, a reeleição é praticada, com os resultados que nos transmitem os noticiários. Nada mais, nada menos. Eduardo/Marina- Se tudo der certo, a coligação PSB/Rede terá sido uma coisa genial. Eduardo Campos e Marina Silva, com uma união feita no apagar das luzes, terão praticado o chamado “golpe de mestre”. Mas, se der errado...

As coisas não estão sendo fáceis para Eduardo e Marina. Como não tiveram tempo para costurar um acordo, a adaptação tem sido tortuosa. De cara, Marina literalmente expulsou o Ronaldo Caiado, representante do agronegócio, que Eduardo tinha trazido para perto de si. E quanto ao agronegócio, Marina tem ideias muito peculiares, capazes de afastar o agronegócio de Eduardo e do PSB.

Notícias dão conta que, em São Paulo, Marina gostaria de ter a deputada federal Erundina como candidata a governadora, pelo PSB. Já Eduardo pensaria em apoiar Geraldo Alckmin. E esse é um ponto que me parece intrigante: afinal por que Eduardo – que eu pensava estar mais próximo da esquerda - iria apoiar o candidato da direita? Esse apoio custaria a ele o repúdio da esquerda. É isso que ele quer?

Eduardo e Marina movem-se em direções diferentes. Em algum dia acertarão o passo? Posso estar retumbantemente enganado mas, antes das eleições, essa união deixará de existir e os dois, Marina e Eduardo, sairão com escoriações graves, comprometendo seu futuro político.

Desgraças, muitas desgraças- Dilma Rousseff vem recuperando gradativa e firmemente o seu prestígio, abalado com as manifestações de junho, aquelas em que os participantes eram contrários à lei da gravidade, contra o inverno frio, contra o verão quente e contra a presença da Terra no sistema solar. Das manifestações de junho, restaram os black-blocs.

Se tudo seguir a linha que se apresenta, Dilma ganhará a eleição, com boas probabilidades de ser no primeiro turno. Por isso, os analistas econômicos da “grande imprensa” (TV, jornal e rádio) não cansam de anunciar que o Brasil está à beira do abismo e que, no próximo ano, haverá inflação descontrolada, o dólar alto e o crescimento baixo: desgraças e mais desgraças. O propósito é criar um clima de terror para que surjam problemas que não existem. Eu já vi este filme: em 2003, em 2008, 2009 e 2010. Felizmente, o Brasil é maior do que esses maus brasileiros. É claro que a oposição – que não tem propostas- quer a desgraça para o Brasil: é a sua única chance de ir para o 2º turno.