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sábado, 30 de novembro de 2013

HOUVE UMA VEZ UMA CIDADE

Camões Filho, jornalista, cronista e poeta

Houve uma vez uma cidade,
Quando contava nos dedos minha idade,
Que ficava no mais terno canto do mundo.
Ali vivi brincando em seus quintais,
Numa infância repleta de ternura e paz,
Quadro tênue de um sonho profundo.

Percorri suas ruas, banhei-me em seus rios,
Pedia “bença” para meus pais e tios,
Numa vida simples e de muito respeito.
Joguei bola, soltei pipa, comi fruta no pé,
Na minha velha e encantada Taubaté,
Saudade que trago dentro do peito.

Perdi-me em suas vielas e veredas,
Queimei-me no fogo de suas labaredas,
Caí, levantei-me e assim sobrevivi.
Senti-me qual um bandeirante destemido,
Sofri com seus índios, povo oprimido,
Neste mais belo quadro que um dia vi.

Da velha Bica do Bugre sorvi sua água,
Mas um dia tive no peito muita mágoa,
Com o corte de suas palmeiras imperiais.
Vi o seu progresso, a sua expansão,
Faculdades, fábricas, lojas de montão,
E Taubaté crescendo mais e mais.

Terra das artes, do folclore, de Lobato,
É do Brasil o seu mais belo retrato,
Que nasceu no alvorecer do Brasil.
Cidade bendita que a todos recebe,
Ninguém a deixa quando sua água bebe,
Chão querido que igual jamais se viu.