Páginas

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

REPÓRTERES DO "ESTADÃO"
DESVENDAM PROPINODUTO
NO "TRENSALÃO TUCANO"

Peço licença ao amigo Fausto Macedo, brilhante repórter do jornal O Estado de S. Paulo, e aos seus colegas Fernando Gallo e Ricardo Chapola para reproduzir a matéria do trio publicada no sítio do jornal às duas horas da madrugada desta quinta-feira (21/11) sobre as novas denúncias que atingem ao núcleo tucano paulista no caso conhecido por ”trensalão tucano”.

Que os leitores deste blog não se estarreçam com as informações obtidas pelos jornalistas do “Estadão”. Elas atingem diretamente o, até agora, imaculado governador Geraldo Alckmin, ex-prefeito de Pindamonhangaba, onde iniciou sua carreira política em 1972, elegendo-se o vereador mais jovem do Brasil naquela oportunidade.

E pensar que Genoino (gravemente enfermo), Zé Dirceu e Delúbio Soares estão encarcerados no Distrito Federal após o mais vergonhoso processo sustentado pelo STF e seu presidente, o autoritário Joaquim Barbosa, que negou aos réus o direito à ampla defesa na ação penal 470.

Os tucanos mineiros terão o mesmo tratamento dado pela justiça brasileira aos réus do PT, cujo crime foi a formação de “caixa 2”. O crime cometido por petistas é o mesmo que os tucanos cometem em São Paulo há mais de 20 anos. Será que um dia irão encarcerar Alckmin, Serra, Aloysio Nunes e Arnaldo Jardim pelo mesmo crime cometido pelos petistas?

O repórter Fausto Macedo é um dos jornalistas mais bem informados deste país em questões políticas. Por isso, sua matéria é esclarecedora para quem acredita na inocência tucana. Abaixo, a íntegra do texto dos jornalistas.

Ex-diretor da Siemens aponta caixa 2 de PSDB e DEM e cita propina a deputados

Segundo executivo que participou de acordo de leniência com o Cade, lobista de esquema de setor metroferroviário disse a ele que Edson Aparecido, hoje homem forte do governo Alckmin, e Arnaldo Jardim eram beneficiários de comissões; eles negam”.

Em relatório entregue no dia 17 de abril ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer afirma dispor de "documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM".
O ex-diretor da empresa alemã diz também que o hoje secretário da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), deputado licenciado Edson Aparecido (PSDB), foi apontado pelo lobista Arthur Teixeira como recebedor de propina das multinacionais suspeitas de participar do cartel dos trens em São Paulo entre os anos de 1998 e 2008.

O ex-executivo, que é um dos seis lenientes que assinaram no mês seguinte um acordo com o Cade em que a empresa alemã revela as ações do cartel de trens, também cita o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), aliado dos tucanos, como outro beneficiário.

Trata-se do primeiro documento oficial que vem a público que faz referência a supostas propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos. Até agora, o Ministério Público e a Polícia Federal apontavam suspeitas de corrupção que envolviam apenas ex-diretores de estatais como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

As acusações do ex-diretor foram enviadas pelo Cade à Polícia Federal e anexadas ao inquérito que investiga o cartel em São Paulo e no Distrito Federal.

No texto, Rheinheimer escreve que o cartel "é um esquema de corrupção de grandes proporções, porque envolve as maiores empresas multinacionais do ramo ferroviário como Alstom, Bombardier, Siemens e Caterpillar e os governos do Estado de São Paulo e do Distrito Federal".

Proximidade. Outros quatro políticos são citados pelo ex-diretor da Siemens como "envolvidos com a Procint". A Procint Projetos e Consultoria Internacional, do lobista Arthur Teixeira, segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, é suspeita de intermediar propina a agentes públicos.

O documento faz menção ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), e aos secretários estaduais José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico).

Rheinheimer foi diretor da divisão de Transportes da Siemens, onde trabalhou por 22 anos, até março de 2007.

Ele e outro leniente prestaram depoimento à Polícia Federal em regime de colaboração premiada - em troca de eventual redução de pena ou até mesmo perdão judicial, decidiram contar o que sabem do cartel. Esses depoimentos estão sob sigilo.

Menções. Sobre Aparecido e Jardim, Rheinheimer sustenta em seu texto que "seus nomes foram mencionados pelo diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, como sendo os destinatários de parte da comissão paga pelas empresas de sistemas (Alstom, Bombardier, Siemens, CAF, MGE, T'Trans, Temoinsa e Tejofran) à Procint".

De Aloysio, Jurandir e Garcia, diz ter tido "a oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com estes políticos". Sobre Aníbal, anotou: "Tratava diretamente com seu assessor, vice-prefeito de Mairiporã, Silvio Ranciaro".

Ele ainda apontou o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli (PMDB), e o ex-governador do DF José Roberto Arruda como "políticos envolvidos com a MGE Transportes (Caterpillar)". A MGE é apontada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal como a outra rota da propina, via subcontratações - a empresa era fornecedora da Siemens e de outras companhias do cartel.

Rheinheimer diz ser o autor da carta anônima que deflagrou a investigação do cartel dos trens, enviada em 2008 ao ombudsman da Siemens. Ele relata ter feito as denúncias para se "defender de rumores sobre seu envolvimento neste escândalo". O executivo assevera que, apesar de suas denúncias, a Siemens optou por "abafar o caso".

Ameaça. No texto, ele se diz disposto a contar o que sabe, mas sugere receber em contrapartida sua nomeação para um alto cargo na mineradora Vale. Aqui, o sítio do Estadão