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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MORTE DE RONALD BIGGS É, ACIMA
TUDO, DENÚNCIA CONTRA O SUS

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

Convivi com Biggs, apesar de mais de 20 anos de diferença de idade. Ora no bairro boêmio de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, ora nas muitas entrevistas que me concedeu, sempre cobrando cachê. O assaltante do trem correio Glasgow Londres, também chamado de “O Trem Pagador” não falava de graça. Sem cachê dizia: - é ruim heim!

Biggs falou comigo na Rádio Tupi, quando seria extraditado, dizendo que seguindo as leis brasileiras acertara com Raimunda, uma dançarina da noite, fazer um filho brasileiro, assegurando visto de permanência, e, depois alguns bons cachês que Mike conseguia com a Turma do Balão Mágico, onde cantava com Toby, Jairizinho e Simoní.

Falou comigo na CBN, ao escapar de um seqüestro montado pela Scotland Yard, e, levado do Pão de Açúcar para o lado das Bahamas, onde foi libertado pela diplomacia brasileira.

Falou comigo na TV Manchete e na Rádio Nacional quando anunciou, triste por deixar o Brasil, que ia se entregar à Rainha da Inglaterra, onde tinha a esperança de ser anistiado, diante da doença grave que tinha. Mas disse que ainda que não escapasse da prisão dos ingleses, pelo menos escaparia da indigência no SUS, e, da morte, em poucos meses aqui.

Tudo foi rigorosamente calculado por ele. De pronto não foi anistiado pela rainha, mas o homem que lesou a coroa britânica em mais de 120 milhões de reais  acabou morrendo num asilo digno. Escapou da morte em poucos dias no SUS.

Falei e disse!