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sábado, 28 de dezembro de 2013

NOVAS DENÚNCIAS DO TRENSALÃO TUCANO
COMPLICAM JOSEENSE ROBSON MARINHO

Meus primeiros contatos com Robson Marinho se deram quando ele, prefeito de São José dos Campos, resolveu intervir na Empresa de Ônibus São Bento, pertencente ao principal acionista do jornal ValeParaibano, do qual era um modesto repórter político, Ferdinando Salerno.

Instado pela direção do jornal a escrever um artigo crítico ao prefeito joseense, contra a intervenção decretada, evidentemente, não relutei. Produzi um artigo no qual denunciava a pressão que sofria para me posicionar contra o ato do governo municipal de São José dos Campos.

A decisão valeu minha demissão do jornal. Deixei o ValePafraibano com a cabeça erguida, tranquilo por não ter cedido à pressão nem vendido minha pena. Minha demissão foi amplamente debatida na Câmara Municipal. Meses depois, o então prefeito Robson Marinho convidou-me para integrar sua equipe de governo. Agradeci, mas recusei o convite.

Robson Marinho, ex-prefeito de São José dos Campos, envolvido até o pescoço no escândalo do trensalão tucano, é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo até hoje. Pode.reprovar contas?

Acabei me empregando no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Na condição de assessor de imprensa, acompanhei de perto a greve dos empregados da General Motors de 1985, aquela em que os metalúrgicos tomaram a fábrica em plena ditadura militar..

Passei um tempo na gerência da Rádio Mantiqueira de Cruzeiro e, em seguida, fui assessorar o prefeito de Pindamonhangaba, João Bosco Nogueira. Estava sossegado no novo emprego quando fui chamado ao telefone. Era Boueri Neto, meu amigo e mentor em jornalismo. Me convidava para ser seu secretário de redação em um novo jornal em São José dos Campos.

Relutei algum tempo, mas acabei aceitando a oferta para trabalhar no Jornal do Vale, tarefa que dividia com Luizinho Grunewald, uma doce figura que a morte levou precocemente.

Convivi durante um ano com os Marinho (não os da Rede Globo). Na Junta Comercial o jornal estava em nome de Rogério Marinho. A irmã Yone Marinho cuidava da administração do jornal. Boueri Neto, sócio minoritário, era o diretor de redação.

Estávamos em 1986. Trabalhamos pelas eleições de Quércia para o governo de São Paulo e de Robson Marinho e Geraldo Alckmin para a Assembleia Nacional Constituinte, promulgada em 5 de outubro de 1988. Ideologicamente, Marinho, Alckmin e Quércia me representavam.

Em 1994, Robson Marinho foi um dos principais coordenadores da campanha de Mário Covas, já pelo PSDB, ao governo de São Paulo. A vitória de Covas o levou para a Casa Civil, uma secretaria eminentemente política.

Nomeado pelo próprio Covas, Robson Marinho transformou-se em conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Em 2008, o nome do ex-prefeito de São José dos Campos surge no caso envolvendo a Alston, a Siemens e outras gigantes que disputavam o um naco nas licitações do governo de São Paulo para fornecer trens para o metrô e a CPTM, além de vários tipos de material ferroviário.

Robson Marinho já presidiu o TCESP em algumas oportunidades e continua sendo seu conselheiro. Seu nome volta, agora com mais força, a ser envolvido no caso do trensalão tucano.

Segundo a edição desta semana da revista IstoÉ, Robson Marinho é propineiro. Veja a matéria completa no sítio do Brasil 247.

Clique aqui para ler a anistia política dada aos trabalhadores que participaram da mais importante greve dos metalúrgicos de São Jos´dos Campos. Não tinha noção, então, do momento histórico que estava vivendo.