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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

QUAL O FUTURO DE TAUBATÉ?

No dia em que Taubaté comemora 368 anos de emancipação política e administrativa, muitos devem estar pensando: “Como chegamos a este lamentável momento histórico que vivemos? Merecemos os políticos que temos? Onde erramos, para escolher sempre os piores para nos conduzir ao futuro? Que futuro teremos?

Antes desta reflexão, convido-o a ler o  estupendo resumo histórico desta urbe quase quatrocentona, da lavra do jornalista Camões Filho. Lendo-a, mesmo quem conhece pouco a história desta terra e sua gente, entenderá o que motivou este texto.

Vivemos tempos de angústia!

Há muitos anos Taubaté não produz líderes políticos desprendidos, senão pretensos caudilhos e seus títeres, que impedem o desenvolvimento econômico, social e urbanístico desta que já foi a Capital do Vale do Paraíba, com destaque nos livros de geografia escolar nos anos 1960.

Nesta época, morava e fazia o Grupo Escolar na Capital paulista. Enchia-me de orgulho abrir um livro escolar para estudar, por exemplo, a Estrada de Ferro Central do Brasil e notar que minha cidade era destacada como a mais importante desde o Rio de Janeiro até São Paulo.

Foi um período romântico de nossa história. A classe política era respeitada e se fazia respeitar. Pelo menos esta era minha percepção de menino, morando novamente em Taubaté. Na Vila São Geraldo, os adultos não conversavam sobre política com as crianças.

“Espichávamos” os ouvidos para entender quem eram Adhemar de Barros, Janio Quadros, Jaures Guisard, Juquinha e Getúlio Vargas, sempre citados pelos adultos. Satisfeita nossa curiosidade, voltávamos para nossos afazeres prediletos: jogar bola, bolinha de gude, rodar pião, empinar pipa.

Nasci apenas seis anos depois de Taubaté completar seu tricentenário (1945). Sou de 1951. Era um aplicado “soldado” do Parque, comandado pelo saudoso "seu" Anthero Ferreira, onde os meninos da Vila São Geraldo se reuniam para fazer exercícios físicos e, depois, orgulhosamente, marchar pelas ruas de terra do bairro exibindo nossa disciplina “militar” com pompa.

Só em 1982, aos 31 anos, passei a acompanhar a vida política de Taubaté. Ainda não compreendia quem era quem naquela época. Não sabia posicionar ideologicamente Bernardo Ortiz, Milton Peixoto, Rubens Eduardo, Waldomiro Carvalho, Ameleto Marino, Luarlindo Carelli Barreto, Guido Brandão, Guido Miné, Jaures Guisard, Juquinha e tantos outros.

Só seremos capazes de entender a política e os políticos se dela participarmos. De nada adianta matraquearmos contra a classe política, repetindo velhos mantras criados pelos conservadores de que em política só há ladrão e corrupto. Não é bem assim...

Chegamos a Taubaté.

A classe política taubateana é sofrível. Há, no seio dela, muitos corruptos, não resta dúvida, mas há também muita gente honesta, para não dizer a maioria.

O jogo de interesses pessoais se sobrepõe ao interesse maior da população, que é uma cidade urbanisticamente desenvolvida, com grandes avenidas e trânsito bem ordenado. No campo social, o que o cidadão taubateano exige, com todo direito,, é um sistema de saúde que dignifique a cidade e não sua precarização com as parcerias que estão se formando à custa e à revelia do morador desta urbe que completa 368 anos.

Isto acontece porque somos avessos à política e aos políticos. Não acompanhamos os passos da administração pública. Assistimos, meio sonolentos, aos inúmeros casos de assédio moral contra servidores municipais cometidos pela administração municipal, já denunciada ao Ministério do Trabalho  que deverá ser analisada em mesa redonda programada para 28 de janeiro de 2014.

O ex-prefeito Roberto Peixoto (PEN), foi cassado em primeira instância por compra de votos.nas eleições de 2008. Foi absolvido pelo TRE e se manteve no cargo até o final de seu mandato, conforme a lei eleitoral vigente à época. Ainda não tínhamos Lei da Ficha Limpa.

Ainda no cargo, Peixoto passou por uma comissão processante na Câmara Municipal e só não foi cassado graças aos acordos de bastidores que o tiraram do cadafalso na histórica sessão de 12/13 de agosto de 2011 – oito vereadores votaram pela sua absolvição e seis pela condenação.

O deputado estadual Padre Afonso (PV) e o atual prefeito Ortiz Junior (PSDB), cassado pela Justiça Eleitoral em primeira instância, que poderiam atuar nos bastidores para cassar Peixoto, lavaram as mãos em benefício próprio. Queriam Peixoto sangrando para se beneficiarem politicamente na eleição municipal de 2012.. Deu no que deu.

Peixoto responde a dois processos na Justiça Federal, um por improbidade administrativa e outro por formação de quadrilha. Os processos estão no Tribunal Federal da 3ª Região (São Paulo), onde correm em segredo de justiça.

O atual prefeito também está ás voltas com a Justiça. Ortiz Junior  e seu pai, Bernardo Ortiz, respondem a processo por improbidade administrativa na 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

Na Justiça Eleitoral, o tucano aguarda a decisão do TRE sobre o recurso impetrado por sua defesa que tenta reverter o julgamento de primeira instância, que cassou-lhe o mandato.

Outro recurso de Ortiz Junior tramita no TSE, onde ele tenta, em última instância, impedir a reabertura de outro processo eleitoral contra si já determinado pelo TRE.

Acaba de chegar às minhas mãos farta documentação, que comprovaria irregularidades na assinatura de convênio com outro laboratório de análises clínicas mantido pelo poder público municipal, no valor de R$ 4,5 milhões anuais.

Isto acontece porque a maioria da população se diz apolítica e que odeia políticos, como se isso fosse o bastante para termos homens íntegros gerindo bens públicos.

Se não participarmos da vida pública da cidade, qual o futuro de Taubaté?