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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

TAUBATÉ: POLITICAMENTE,
2013 FOI UM ANO PERDIDO

Antonio Barbosa Filho, jornalista

Dezembro é o mês de fazermos balanços de tudo que aconteceu conosco, com a cidade, o país e o mundo. Cada um fará sua avaliação, em cada área de atividade social e na sua própria vida. Como uma análise mais ampla escapa à nossa capacidade de acompanhar todos os fatos, restrinjo-me a uma breve análise do ano político, e só em Taubaté - o que já é um pequeno universo.

Começando pela Câmara Municipal, que teve o primeiro ano de uma nova Legislatura, com número de vereadores ampliado e, portanto, alguma renovação. Renovação sempre traz esperanças: novas pessoas, nova composição do Legislativo, novas ideias e práticas.

Infelizmente, ao contrário do que sinceramente gostaria, não posso dizer que tais expectativas se concretizaram. Se tivesse que dar uma nota - e se minha opinião valesse alguma coisa além de um ponto-de-vista de quem acompanha mais ou menos de perto os fatos - seria um "5", numa escala de zero a dez. Assistindo as sessões pela TV Câmara, desde a posse dos atuais vereadores, vi momentos constrangedores, que envergonhariam o Legislativo em qualquer parte do mundo. Quando um parlamentar usa a tribuna para chamar o chefe de outro Poder, o prefeito, de "meu chefe" e "meu líder" - e nem são do mesmo partido! - isso constitui um ato de ato de humilhação que os eleitores não merecem. Para mim é falta de decoro, pura e simplesmente. E vi tal cena degradante acontecer.

Ninguém negará a boa vontade da maioria, se não da totalidade, dos nobres edís, em atender os cidadãos, prestar pequenos favores, fazer a miudeza do seu mandato. Mas isso é muito pouco, e tem mais a ver com seus interesses eleitorais do que com a Grande Política que a cidade tem o direito de esperar de sua Vereança. Os debates, com raras exceções, foram medíocres. Nem me refiro à notória falta de capacidade de alguns de, até, usarem a Língua Portuguesa com um mínimo de correção. Sempre fui a favor do voto do analfabeto e, consequentemente, do seu direito à representar o Povo. Falar errado não tira a seriedade do vereador - quando ele a tem. E aí é que a coisa pega, tanto entre vereadores de menor preparo intelectual como entre alguns que frequentaram os bancos universitários até o mais alto nível.

Uma Câmara que, em sua absoluta maioria, entrega-se a obedecer as ordens e desejos do Executivo está renunciando ao seu principal mandato e função, qual seja, o de fiscalizar o prefeito, falar em nome da população confrontando as carências da cidade com os planos e atos do administrador maior. Se for para coonestar tudo que o prefeito quer, a Câmara torna-se desnecessária: bastam os assessores e alguns jornalistas de aluguel para incensarem e aprovarem tudo que vem do Palácio da Av. Tiradentes.

Portanto, com todo respeito, mas procurando ser um observador isento, acho que a Câmara, neste 2013, deixou muito a desejar. É triste ver o vereador Salvador Soares falando sozinho em nome dos humilhados servidores municipais, denunciando licitações suspeitas ao Ministério Público e, muitas vezes, sendo ridicularizado por certa mídia comprometida. Espero, sinceramente, que no final de 2014 eu possa publicar uma lista que abranja a maioria, de bons vereadores e vereadoras, que só eu só tenha elogios a fazer. Mas, 2013, no meu ponto-de-vista, foi lamentável.

A CASSAÇÃO

Os que, por generosidade, acompanham meus artigos no Diário de Taubaté e nas redes sociais, sabem que não posso ser tão condescendente com o prefeito-cassado Juninho Ortiz. Parto do princípio que de ele ocupa um cargo que conquistou mediante métodos ilegais e imorais, e por isso, não posso respeitar sequer sua investidura. Ocupa um lugar que não lhe pertence e do qual espero que brevemente seja despejado pelo Judiciário.

Mesmo assim, eu gostaria muito de ver a cidade avançando, mesmo administrada por um despreparado como Juninho. Afinal, há secretários bem-intencionados, o funcionalismo luta com dificuldades para cumprir seus deveres, etc. Elogio, por exemplo, os festivais de Teatro, de Música, a administração do Teatro Metrópole, que são setores ligados à minha área de predileção.

Mas a prioridade, em qualquer cidade, está na Saúde, na Educação e, hoje em dia, no Trânsito. E aí só tivemos desastres: ouso dizer que Taubaté nunca esteve tão mal - e olhem que nunca esteve perto de 100%! Piorou muito desde a posse dos Ortizes. O pouco que foi feito foi na base da improvisação total, com a Administração tentando apagar incêndios ao invés de prevení-los. Juninho nunca teve um plano de governo, teve um plano de marketing para vencer a eleição na base dos muitos milhões. É vazio, sua capacidade administrativa simplesmente não existe!

Veja-se o trânsito, onde vivemos o jogo da "tentativa e erro", ou seja: muda-se aqui, prá ver se "cola"; se der problemas a gente muda de novo. Foi um ano de experiências, falta de diálogo (perguntem a qualquer taxista) e mudanças feitas na prancheta do engenheiro, sem nenhuma noção da realidade vivida pelos interessados, que somos todos nós. Quando o prefeito-cassado ameaçou romper com a ABC Transportes, escrevi: é um blefe. Infelizmente, eu estava certo: os serviços continuam os mesmos, de baixíssima qualidade, e o assunto foi enterrado pela maioria (sei que há pessoas lutando, sem muita esperança, por soluções mais definitivas, e as aplaudo).

Da mesma maneira na área do funcionalismo. Pelo que conheço dos Ortizes (neste caso o pai, prof. Bernardo), eles jamais deram qualquer valor ao funcionalismo. Se pudessem, comprariam robôs para substituírem todos os trabalhadores da Prefeitura. Haja vista as demissões a pretexto de economia, logo substituídas por contratações políticas. Uma vergonha perfeitamente previsível. Só lamento que boa parte dos servidores caiu no erro de votar nos seus próprios algozes - e resisto ao que muitos me aconselham a dizer: bem-feito!

Para não estender-me: o pior de tudo é a Saúde. Todos os taubateanos viram que Juninho só tinha um plano para o setor, que era privatizar, entregar toda a estrutura física e pessoal a empresas privadas ou às assim chamadas OS, Organizações Sociais (que, obviamente, são sim lucrativas, embora seus estatutos o neguem, para obedecerem às leis). Não são grupos de voluntários, nem de caridade. É falso dizer que a Administração direta é incapaz de gerir a Saúde. Aliás, eu pergunto: por que ninguém quer privatizar ou assumir o combate à Dengue? E respondo: porque prevenção, saúde pública, não enriquece ninguém. Contestem-me, por favor, os defensores da privatização indiscriminada.

Portanto, acho que Taubaté perdeu um ano na sua vida Política. Fosse a Justiça Eleitoral mais ágil (como determinam as leis e as instruções do Superior Tribunal Eleitoral) e teríamos superado os impasses de 2012, realizado nova eleição, empossado novos prefeito e vice - como aconteceu em mais de 50 cidades brasileiras desde fevereiro último. Foi a lentidão inexplicável da sra. juíza eleitoral, dra Sueli Zeraik, uma magistrada competente mas muito tímida na hora de enfrentar réus de grande influência política e econômica, que fez de 2013 um ano políticamente morto. E a cidade atrasa-se devido a isso.