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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A VERGONHOSA EXPLORAÇÃO
DO TRABALHO HUMANO

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

A delegacia 73 de São Paulo investiga denuncia de trabalho escravo por duas bolivianas - de 17 e 18 anos; que procuraram ajuda da Polícia Militar no Batalhão de Água Fria, na zona norte da capital. Ganhavam 5 centavos por peça de roupa produzida e sofriam maus tratos. Inclusive aos filhos.

Não é a primeira vez que a exploração e maus tratos a bolivianos é denunciada. Já houve o caso do assassinato brutal de um menino, porque chorou durante um assalto.

A estatística registra aumento de casos de trabalho escravo no Brasil. Não só de Bolivianos.

Pior. O próprio governo não é exemplo. Hoje, de cada 10 trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão no Brasil, um é encontrado pela fiscalização em obras ligadas ao governo federal.

O total de vítimas da exploração criminosa de mão de obra no país ao longo do ano passado chegou a 1.442, das quais 140 atuavam em empreendimentos com selo oficial.

O mapa do trabalho escravo, traçado com dados do próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que a Região Sudeste, principalmente São Paulo; lidera o ranking do problema, com 43% dos resgates.

No canteiro de obras de 540 unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”, agentes retiraram operários alojados de forma degradante. Dormiam sem proteção contra animais peçonhentos, sem banheiro ou água potável disponível. A alimentação oferecida ficava exposta, e muitos dos produtos já se encontravam em estado de putrefação.

É preciso agravar a pena de quem explora o trabalho do semelhante. Pobre país em que a ganância se sobrepõe à ética e à dignidade humana.

Falei e disse!