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domingo, 26 de janeiro de 2014

POR QUE A DEMOCRACIA INCOMODA?

Professor Fabrício Peres
(Extraído do Facebook - grupo Nossa Taubaté)
Talvez fosse conveniente iniciar esse texto expondo a etimologia da palavra Democracia, pois por incrível que pareça, uma parcela significativa e supostamente esclarecida da população não conhece ou se faz de ignorante quanto ao significado de Democracia. Mas meu intuito nesse momento não é “traduzir” palavras, mas expor uma compreensão pessoal sobre os motivos pelos quais o “sentimento democrático” incomoda algumas pessoas.
Viver em uma democracia é conviver com o produto das próprias escolhas, tenham sido elas boas ou ruins. Mas isso não é tudo, pois na democracia, além de convivermos com nossas próprias escolhas, temos que conviver com o fato de que as escolhas da maioria estão acima das nossas, um processo muito duro para quem foi e ainda é educado para ser egoísta e egocêntrico.
Democratizar é exercitar de forma profunda o senso de coletividade, tendo que sublimar altruisticamente ou compulsoriamente as próprias vontades e convicções, que podem influenciar, mas não definir a posição do grupo do qual fazemos parte.
Quando elegemos alguém e nos arrependemos, somos obrigados a conviver com nosso próprio sentimento de culpa, sabendo que de alguma forma, mesmo que ludibriados, colaboramos com o prejuízo coletivo. Por outro lado, quando os eleitos são os candidatos que não desejávamos, embora nos sintamos mais livres para reclamar, ficamos profundamente incomodados com o “erro dos outros”.
Assim como na democracia, se vivêssemos em um modelo ditatorial, totalitário, teríamos a oportunidade de conviver com dois tipos de sentimentos antagônicos e ao mesmo tempo complementares. Se estivéssemos do lado dos ditadores, supostamente teríamos nossos desejos realizados e se estivéssemos contra, poderíamos criticar utilizando como principal argumento a impossibilidade da escolha de algo melhor.
Mas existe um ponto fundamental que diferencia a Democracia de uma Ditadura, O Sentimento de Responsabilidade. Caminhe bem ou caminhe mal, uma democracia sempre será nossa responsabilidade e conviver com uma responsabilidade tão grande é fato duro demais para algumas pessoas. Em uma ditadura, o sentimento de responsabilidade acaba inexistindo para a maioria, incapaz de perceber que o totalitarismo só se instaura diante da inércia da maioria, ou seja, se não pecamos por ação, pecamos por omissão.
Quantas vezes ao longo de nossas vidas vemos pessoas dizendo que a infância é a melhor época?
Essa afirmação é a mais pura expressão da vontade de não ser livre, de não ser responsável, pois durante a infância, somos dependentes dos adultos, sendo considerados dentro de uma perspectiva legal, social e moral, inimputáveis, irresponsáveis e incapazes. Se não temos responsabilidade não temos culpa e se não temos culpa, podemos viver tranquilos sem que nossas consciências nos incomodem por nossos erros, acertos, ações e omissões.
Parece que para algumas pessoas é mais fácil abrir mão das próprias responsabilidades aclamando uma ditadura do que conviver com a responsabilidade de construir uma sociedade melhor ou pior por meio do exercício da democracia.
Se você é um defensor das ditaduras, acredita que a solução para o Brasil é a centralização do poder nas mãos de um “grupo forte e moralizador” e se incomodou, discordou, me insultou, fico muito feliz, pois valorizar o direito de discordar é o primeiro passo para compreender o valor de uma democracia.
Liberdade e Responsabilidade são abstrações indissociáveis.

NOTA DA REDAÇÃO: Em um regime democrático, na forma de governo representativo, como o nosso, elegemos por voto direto nossos representantes nos poderes Executivo e Legislativo. Para que você possa exercitar seu direito de escolher o próximo prefeito de Taubaté, caso tenhamos eleições ainda neste semestre, propomos que você escolha um candidato entre os nomes sugeridos. Está na coluna ao lado.