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quarta-feira, 5 de março de 2014

DINHEIRO PÚBLICO NO CARNAVAL

Silvio Prado, professor

Bernardo Ortiz, pesado como um bloco de cimento, puxou a escola do Bonfim para os fundos da segundona do carnaval taubateano. Como disse Irani Lima, os deuses do carnaval deram o troco ao cidadão que na década de oitenta, na sua primeira gestão na prefeitura, colaborou para que um carnaval encorpado, bonito e criativo se tornasse nessa coisa mirrada e triste da atualidade.

O uso do carnaval para promover as mais diferentes figuras da sociedade virou coisa comum, principalmente se o homenageado botar do seu rico dinheirinho para custear o desfile da escola. Na verdade, esse tipo de procedimento faz com que muitos que são exaltados pelas escolas comprem a própria homenagem, meio eficaz de manter o nome focado pelos meios de comunicação, principalmente se a figura tem pretensões eleitorais.

No caso do homenageado da escola do Bonfim, não duvido que algum vereador da oposição, já na próxima sessão da câmara, venha pedir investigação sobre as origens do dinheiro que custeou a homenagem. Como Bernardo Ortiz, apesar do abusivo poder que demonstra, é um cidadão sob suspeita e investigado pela justiça, por certo surgirão em torno de sua aventura carnavalescas mil e uma divagações, além das muitas tiradas e chacotas que brotaram do seu fiasco carnavalesco.

No entanto, penso que os preocupados com as verbas dadas aos carnavalescos do Bonfim precisam também ter preocupação com o dinheiro dado as outras escolas de samba. Na minha opinião, a prefeitura só deveria liberar verbas para o desfiles das escolas que tivessem, durante todo o ano, atividades sociais inclusivas com suas comunidades. Se a escola não desenvolver durante o ano trabalhos de interesse comunitário, nenhum centavo púbico deve entrar em seu orçamento.

É um absurdo que escolas de samba permaneçam com suas quadras fechadas o ano inteiro e não desenvolvam projeto social algum. Em Taubaté é comum que algumas agremiações carnavalescas não tenham vínculos com os bairros que representam e só comecem a ter atividades dois ou três meses antes do carnaval. Considerando os problemas da cidade, precisa haver algum tipo de contrapartida das escolas, que além do dinheiro que financia desfiles, tem suas sedes e quadras como espaços cedidos pelo poder público.

Em resumo: as escolas de samba vivem, em grande parte, sob custeio da prefeitura e, por isso, não podem resumir suas atividades a sessenta minutos de desfile na Avenida do Povo. Se organizadas com objetivos mais amplos, elas poderão contribuir para o crescimento cultural da população e acabar, indiretamente, ajudando a combater muita coisa ruim que acontece por aqui, inclusive a violência. Nada contra o carnaval e suas escolas. Mas tudo pela defesa do dinheiro público, que precisa de fato ser investido no bem estar da população e de seu desenvolvimento cultural.