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sexta-feira, 11 de abril de 2014

APEOESP FAZ CAMPANHA DE
VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR

A primeira professora a gente jamais esquece. A minha primeira professora foi dona Terezinha, no Jardim da Infância da Vila São Geraldo, na Rua Rio Grande do Sul. Quanta bondade. Quanta dedicação...

Em 1958 fui de mudança com meus pais para São Paulo. Cursei o primeiro ano do grupo escolar em 1959, na Água Rasa.

O segundo ano escolar, em 1960, cursei na Vila Invernada, um bairro mais periférico à época. Minha professora foi a inesquecível dona Juracilde. Até hoje me lembro dela com carinho. Nunca mais a vi depois daquele ano.

Foi meu melhor ano na vida escolar. Passei de ano com a média 95 (noventa e cinco). Ganhei de presente por minha dedicação uma caneta tinteiro Sheaffer, para ser usada no ano seguinte.

Até então levávamos, entre os apetrechos escolares, um tinteiro para molhar uma espécie de lápis com ponta e o indefectível mata-borrão, para sugar o excesso de tinta que ficava no papel após escrevermos.

De volta a Taubaté, cursei admissão ao ginásio na escola do Sesi, num prédio que não mais existe na Rua Barão da Pedra Negra. Cobria o percurso a pé desde a Vila São Geraldo.

O email do professor Gerson Jorio, me informando sobre a campanha de valorização dos professores que a Apeoesp está promovendo, me levou a estas reminiscências.

Sou do tempo em que recebíamos o professor na sala de aula em pé, em sinal de respeito e nos levantávamos sempre que outro professor ou autoridade nos visitasse.

Sou do tempo em que professor podia “castigar” o aluno faltoso, colocando-o de costas para a sala de aula, de frente para o quadro negro.

Sou do tempo em que tínhamos temor reverencial pelos professores, que respeitávamos os mestres e bebíamos de sua sabedoria.

Sou do tempo em que escola pública era para alunos que gostavam de estudar – os que não gostavam estudavam em escolas particulares. A situação atual é inversa.

Sou do tempo em que os pais se orgulhavam quando um de seus filhos se formava professor. 

Quem, na faixa dos 40 anos ou mais, não se lembra da excelência dos professores disseminando conhecimento em escolas públicas?

A partir dos anos 1980 as mudanças comportamentais da sociedade levaram a escola ao estado de caos em que se encontra.

Os professores foram desvalorizados profissionalmente.

Sem estímulo, muitos se licenciam até sem remuneração para fugir da violência escolar, da má educação que toma conta de nossas escolas públicas e das agressões perpetradas por vândalos travestidos de estudantes.

A campanha que a Apeoesp realiza pela valorização profissional do professor não se restringe apenas à questão salarial, um verdadeiro descalabro para a mais importante categoria profissional de qualquer país.

A mobilização dos professores precisa e merece o apoio de toda a sociedade.

Chega de progressão continuada, que “forma” alunos que jamais entenderão a sociedade em que vivem e que profissão escolherão para o próprio futuro.

A valorização profissional do professor é de fundamental importância no processo de formação do tecido social deste país, tão vilipendiado porque desconhecemos o que é ser cidadão, porque os governantes abandonaram a educação, porque os governantes abandonaram os professores.

Clique aqui para acessar o Facebook dos professores.

Abaixo, o vídeo da campanha da Apeoesp.