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sábado, 5 de abril de 2014

BLACK BLOC TAUBATEANO

Silvio Prado, professor

Fale pra mim cidadão
Me responda criatura
E respondendo esclareça
Se a nossa desventura
Será um castigo eterno
Sem haver nunca brandura
Enquanto aquele bacana
Estiver na prefeitura?

Bem que me avisaram
No momento da eleição:
“Moço não seja besta
Não faça tal papelão
Elegendo uma figura
Pela força da emoção
De uma rica propaganda
Posta na televisão.”

Mas eu todo arrogante
Fechei olhos e ouvidos
Vendo na minha frente
Sujeito bem produzido
Pelo jogo enganoso
Do marqueteiro atrevido
Que meteu na embalagem
Um produto apodrecido.

Me disseram tanta coisa
Mas tapei minha visão
E com ouvidos trancados
Encerrei logo a questão
Dizendo que nele votava
Mesmo que da educação
O homem arrancasse verbas
Que custearam sua eleição.

É claro que assim falei
Pois estava empolgado
Com o sorriso bonito
Cabelos bem penteados
A calça limpinha e nova
E o tal perfume importado
Que até macho como eu
Deixou meio incomodado.

Lá em casa nem te conto
Ele provocou loucura
Prometendo à minha mãe
Nova e bela dentadura
E cativando um irmão
Com tanta desenvoltura
E logo então lhe prometeu
Emprego na prefeitura.

E por toda vizinhança
Arranjou estardalhaço
Beijando criança suja
E com fartura de abraços
Saiu trazendo peão
Pra estreiteza de seu laço
Convencendo todo otário
A entrar no seu compasso.

E foi assim desse jeito
Tomando a cidade inteira
O moço fazendo festa
Que não era brincadeira
Enquanto abestalhados
Um punhado de topeiras
Não percebiam que o tal
Era uma outra tranqueira.

Agora o que devo fazer
Pois a coisa de tão mal
Faz com que nossa cidade
Com seu porte industrial
Ostente cruel abandono
Coisa bem proposital
Não tendo sequer polícia
E muito menos hospital.

E lá no pronto-socorro
Onde o Cão tudo vigia
A notícia do momento
E que morrem dois por dia
Motivando os que falam
Sempre em cidadania
A apoiar outra denúncia
Vinda da Defensoria.

E nós seres mortais
Que andamos de busão
Enfrentando tanta fila
E tratados como cão
Vivemos tão revoltados
Com a atual situação
Que igual ao black bloc
Já temos pedras na mão.

E ai quando a primeira
Sair beijando vidraça
As outras, imediatas,
Tiradas do chão da praça
Vão botar banco abaixo
E depois também na raça
Diante da prefeitura
A gente faz outra arruaça.

Se a gente não agüenta
Tamanha cara de pau
De vereador e prefeito
E tanto assessor do mal
Não tem nada que esconder
Nossa raiva colossal
Tratando como excelência
Quem parece marginal.

Por isso caro amigo
Frustrado com a eleição
Já ando guardando pedras
E até preparando a mão
Para atirar com certeza
Não perdendo a ocasião
De mandar para o esquisito
Um nobre filho do Cão.