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terça-feira, 15 de abril de 2014

CORDÉIS DO PROFESSOR SILVIO PRADO (I)

MAIS UM “P”

Se for preto, pobre e puta
Gente sem pé de meia
Nossa exemplar justiça
De imediato escanteia
Impondo-lhes sacrifícios
Deixando a vida mais feia
Depositando a todos
Na mais sombria cadeia.

Porém se o bandidaço
Tiver origem tucana
E tenha tirado dos trilhos
Vagões repletos de grana
A imaculada justiça
Em menos de uma semana
Confere-lhe tratamento
Próprio de todo bacana.

Enfim, preto, pobre e puta
Seguem na absurda lista
Que na história do Brasil
Se alonga além da vista
E se faz maior agora
Com obtusos juristas
Que perdoando tucanos
Só metem ferro em petista.

O DE SEMPRE

Pra não perder o costume
De fazer encenação
Alckmin desesperado
Já tomou a decisão
E comunicou a imprensa
Mais outra investigação.

Agora ele quer saber
E quer saber com certeza
Por que a chuva não chove
E se chove é uma fraqueza
Que não enche uma caneca
E nem aumenta a represa.

Mas antes de investigar
Já chegou à conclusão
Que a culpa é do tempo
Que tá uma esculhambação
Sob São Pedro, um petista,
Que escapou do mensalão.