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quarta-feira, 2 de abril de 2014

PÚLPITO NÃO É PALANQUE

A manipulação religiosa é um mal que acomete a humanidade desde sua criação, quase sempre exacerbada por fanatismos de toda sorte. Deus, para cristãos, judeus e muçulmanos, é o ser supremo, que paira sobre a humanidade e controla seu destino.

A tese prevalece, até hoje, sobre os avanços científicos que mostram que Deus é o Big Bang; que a Via Láctea, onde a Terra está inserida, é apenas um pedacinho do Universo e que milhares de outras “vias lácteas” são nossas vizinhas.

Engenhosamente, os formuladores do pensamento religioso criaram um Deus, senhor de todo o Universo, que ninguém sabe onde termina, se é que termina em algum lugar. O pensamento religioso ultrapassou as fronteiras do racionalismo para inseri-se na senda do fanatismo.

Em nome de Deus criou-se a inquisição, que mandou milhares de mulheres arderem nas fogueiras da Idade Média, sob a acusação de serem bruxas.

Em nome de Deus, as cruzadas invadiram o Oriente, dominaram os povos pagãos e os obrigaram a professar o cristianismo.

Em nome de Deus, padres catequizaram os índios no recém-descoberto território brasileiro, fazendo-os trocarem o seu Tupã (trovão) pelo Deus criador e soberano do universo, com poderes divinos sobre os homens, ajudando os brancos portugueses a subjugá-los.

Depois os padres católicos ajudaram os dominadores a escravizar os índios para trabalharem na incipiente lavoura que se formava ao longo do litoral e n’alguns rincões sertanejos. Era o apoio formal da Igreja aos dominadores.

Ainda na Idade Média, a igreja vendia indulgência aos ricos e poderosos e fechava os olhos para os horrores da inquisição.  Veio o protesto de Lutero e o cristianismo se dividiu em católicos e protestantes.

A igreja foi importantíssima na formação da civilização europeia, o Velho Mundo.

O Novo Mundo, a América do Sul, dividida entre portugueses e espanhóis pelo Tratado de Tordesilhas, ainda no pré-descobrimento do Brasil, foi invadida pela Igreja para catequizar os povos indígenas sulamericanos sob o domínio Espanhol.

Coube à igreja fazer a unificação dos índios pelo catecismo, tornando-os dóceis aos dominadores portugueses e espanhóis, fazendo-os trocar ouro, prata e pedras preciosas por bugigangas europeias.

No Brasil, especificamente, a igreja ajudou a manutenção da escravatura de negros africanos. Foi um grande corpo a auxiliar os senhores de engenho e os fazendeiros escravocratas..

A igreja fechou os olhos para os horrores da escravidão, mas teve sua recompensa. Em Taubaté, por exemplo, a Igreja do Rosário foi erguida por mãos de escravos, “emprestados” pelos fazendeiros de antanho, que doaram inclusive o terreno onde ela se encontra.

A Igreja ajudou o golpe militar de 1º de abril de 1964. A Igreja (Papa Ratzinger à frente). Os bispos brasileiros tentaram influir nas eleições presidenciais de 2010, criticando duramente um candidato em favor de outro, usando no nome de Deus.

A Igreja é hipócrita. Não se penitencia pelos milhares de casos de pedofilia denunciados em todas as partes do mundo.

No Brasil principalmente, neste século XXI, padres exacerbaram em seu direito de opinar sobre política. Transformaram o púlpito em palanque eleitoral, as homilias dominicais em discursos políticos.

A Igreja brasileira delira e enxerga a implantação do comunismo por estas plagas, desde que o PT seja mantido no governo.

Os clérigos brasileiros não captaram as mensagens do Bispo dos Bispos, o Papa Francisco, que já mereceu a crítica de um fanático religioso que afirma ser o Santo Padre “um lobo vestido em pele de cordeiro”, por sua franca opção pelos pobres.

Em Taubaté, praticamente todas as igrejas cristãs, católicas e evangélicas, apoiaram a candidatura de Ortiz Junior à prefeitura da cidade, inclusive dividindo o altar com o tucano. A igreja tomou partido. Induziu o voto de cabresto, ignorou as graves denúncias de corrupção feitas á época. Resultado: em poucos dias Taubaté deverá perder seu prefeito.

Se sua leitura chegou até aqui, leia também o que diz frei Leonardo Boff, um dos religiosos e filósofos mais respeitados do mundo sobre sua relação com o papa Ratzinger..