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quarta-feira, 23 de abril de 2014

STF JULGA PICUINHA DE JUIZ

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

Na pauta do Supremo Tribunal Federal processo em que um juiz do Estado do Rio de Janeiro exige ser chamado de “doutor” e “senhor” pelos funcionários do prédio onde mora. O processo foi distribuído ao ministro Ricardo Lewandowski na semana passada.

TEMA DE HOJE DO QUADRO É SEU DIREITO, COM O JORNALISTA E COMENTARISTA JURÍDICO JOSÉ CARLOS CATALDI  NA TV SETORIAL

Conheço bem o caso. Estava trocando o Rio pelo Vale do Paraíba em 2004, quando a notícia ecoou, pelo inusitado, em São Gonçalo, no Grande Rio. O magistrado se indispôs com os porteiros que o chamavam de “você”.

A sentença de primeiro grau, chegou a ser poética. O julgador chamou o colega nos brios pela perda de tempo. Mas não adiantou. Ele recorreu ao Tribunal de Justiça, onde perdeu de novo.

Levou o caso ao Supremo, argumentando que ser tratado por Doutor e excelência, mesmo fora da audiência envolve princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade.

Pelo amor de Deus... Agora 10 anos depois, o Supremo vai parar para julgar picuinha tão pequena.

Devo lembrar que “doutor” não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. O título é dado apenas às pessoas que cumpriram tal exigência e, mesmo assim, no meio universitário.

O tratamento “Você” não é desdouro. No interior, o matuto respeitosamente chama o senhorio de Vansucê ou vosmice...  Na língua portuguesa o tratamento íntimo é tu, “você” é a forma apocopada de Vossa Mercê, meritíssimo.

E vamos deixar o Supremo se ocupar de coisas mais sérias.

Falei e disse!