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domingo, 20 de abril de 2014

ULTIMATO À DIREÇÃO DO PT
PELOS PRESOS POLÍTICOS

Barbosa Filho, jornalista

Ao publicar abaixo a carta do jornalista Barbosa Filho à direção nacional do PT, ouso fazer uma breve apresentação do missivista.

Barbosa Filho engatinhava no jornalismo. Ainda não havia completado 18 anos, mas militava politicamente no bom e velho MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o partido de oposição ao regime militar instalado no país.

A militância política do jornalista antecede, por exemplo, a do ex-prefeito Bernardo Ortiz, que ajudou a eleger em 1982, ao lado de outros jovens que acreditaram que a ‘novidade” seria boa para Taubaté.

Barbosa Filho escreve à direção nacional do PT na condição de fundador do PSB em Taubaté e por sua visão sobre o estado democrático de direito e sua militância na esquerda nacional.

Esta breve apresentação se faz necessária porque Barbosa Filho, enfim, não é neófito nem em jornalismo nem em política.

Caro Presidente Nacional Rui Falcão, demais Membros do Diretório Nacional e dirigentes Estaduais e Municipais do PT:

Nós, eleitores do Partido dos Trabalhadores, filiados ou não a esta grande agremiação, erguemos nossas vozes para EXIGIR uma tomada de posição firme, clara e sem titubeios frente à abusiva situação a que estão submetidos os brasileiros mantidos em prisão-política há cerca de cinco meses.

Não bastou a farsa jurídico-midiática da chamada AP-470, que culminou quase oito anos de humilhação pública diária, de calúnias e ofensas morais a cidadãos com respeitabilíssima folha de serviços prestados à Democracia, à Justiça Social e aos Direitos Humanos em nosso sofrido País. Arrogam-se alguns membros do Judiciário o poder ilegal e ilegítimo de agravar as já absurdas punições impingidas a esses cidadãos, seja pela contínua campanha de execração pública, seja pelo desrespeito à própria pena injusta a quem foram condenados.

As direções do Partido dos Trabalhadores omitiram-se durante quase todo este longo calvário de seus integrantes e dos demais "réus". Inocentes como o bravo sindicalista Luis Gushiken chegaram a sofrer danos físicos fatais. Outros, igualmente inocentes dos "crimes" que lhes foram imputados, como José Genoíno, José Dirceu, João Paulo Cunha, para citarmos apenas os mais notórios, foram tratados como bandidos pelo evidente conluio entre membros do Ministério Público Federal, grandes grupos de comunicação e membros-políticos do Supremo Tribunal Federal. A exposição dos "réus" foi aviltante, sendo de se admirar que tenham resistido mentalmente sãos a tamanho massacre.

O povo foi, em boa parcela, iludido pela campanha de ódio que durou quase oito anos - e que dura até hoje. O Poder Executivo, zeloso da independência dos Poderes, não poderia manifestar-se. O ex-presidente Lula também limitou-se a raras manifestações, muito moderadas, de descontentamento, prometendo sempre para mais tarde "revelar" fatos sobre o teatral processo do "mensalão".

Caso assemelhado, envolvendo inclusive um mesmo acusado, como é o caso do publicitário de Minas Gerais, foi tratado de maneira absolutamente diversa pelo Judiciário, em nítido benefício dos "réus" do PSDB. Começou pela demora no esperado julgamento, até o desmembramento do processo que envolve o PSDB, permitindo aos réus tucanos o direito universal a uma segunda instância.

Não precisamos nos alongar, pois os fatos são estarrecedores, e comprometem o regime democrático tão duramente conquistado, não só pelos petistas, mas por todo o Povo brasileiro.

Nesses termos, EXIGIMOS que as direções Nacional, Estaduais e Municipais do Partido dos Trabalhadores se manifestem, com urgência urgentíssima sobre os caminhos políticos e jurídicos para que sejam corrigidas tais aberrações. A denúncia internacional, a formação de uma brigada de advogados e juristas, a convocação de entidades de alta tradição democrática como a OAB, a ABI, a CNBB, as centrais sindicais, a UNE, enfim, todas as forças vivas da nacionalidade, o uso dos meios de comunicação disponíveis (ainda que seja necessário comprar espaços para romper a censura por eles imposta, para o que estamos todos prontos a contribuir), são caminhos viáveis e necessários. Tudo com a máxima urgência, sem delongas, debates ou estudos protelatórios. Pouco importa que estejamos em ano eleitoral: a preservação da Democracia com respeito aos direitos fundamentais de todos os cidadãos é mais importante do que as conveniências eleitorais do PT ou de quem quer que seja.

INFORMAMOS, nós, eleitores fiéis do PT, filiados ou não filiados, que se nosso apelo-ultimato não tiver resposta URGENTE, vamos nos abster de qualquer atitude em defesa deste Partido, suspendendo de imediato todas as nossas ações pró-candidatos do PT e partidos aliados, e a nossa cotidiana batalha de contra-informação nas redes sociais e outros meios. Se o PT não reage em defesa de princípios básicos, que a direita fale e aja sozinha, sem contracenarmos  neste jogo pseudamente democrático, no qual um lado só agride, só violenta as leis, só impõe o ódio, e o outro - o nosso - a tudo assiste, constrangido em combater. Que os líderes do PT assumam as responsabilidades pelas consequências.

Com todo respeito e o mais elevado espírito democrático e progressista, somos,

OS ELEITORES DO PT"