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sábado, 24 de maio de 2014

A COPA DO MUNDO É NOSSA!

Celso Brum, sociólogo e professor

(Publicado originalmente pelo Diário de Taubaté)

Falando com sinceridade, ando cansado de reiterar o óbvio. Mas, que seja tudo em homenagem aos meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores. Vamos lá.

Recentemente um instituto de pesquisa publicou que a aceitação da Copa, por parte dos brasileiros, é de 48%. Não duvidando do que foi publicado, pode-se dizer que o percentual de aprovação é absolutamente extraordinário. E é extraordinário por muito motivos.

É extraordinário porque, apesar do massacrante movimento anticopa, desenvolvido pelo cartel pseudonoticioso da direita – também denominado “grande imprensa” – existir ainda a aprovação de 48% favoráveis é um fenômeno digno de nota.

E é extraordinário que no país proclamado, em prosa e verso, como o país do futebol, a maioria – segundo a pesquisa - tenha  deixado de gostar de futebol, a ponto de repudiar o maior evento esportivo do mundo, que estará acontecendo, a partir de 12 de junho próximo, em nosso país.

Os principais motivos alegados pelo CARTEL – e tremendamente aumentados/distorcidos pelo formidável exército de fascistas da internet – é de que os recursos investidos, na realização da Copa, poderiam ser destinados para a Saúde e a Educação. Isso comove pessoas de boa fé. Trata-se de um sofisma perpetrado por pessoas de má-fé, por demagogos político-partidários, cínicos e hipócritas, uma cambada de fariseus empedernidos.

Porque é verdade que os recursos destinados à Copa poderiam ser investidos na Saúde e na Educação. Como também os recursos investidos nos transportes, por exemplo, poderiam ser investidos na Saúde e na Educação que, com certeza, são mais importantes que a melhoria dos transportes. Ou que os recursos investidos na Cultura também poderiam ser investidos na Saúde e na Educação, mais importantes do que eventos culturais. E por aí vai. Poderíamos exemplificar com mil sofismas. Sofismas.

Mais uma reflexão pertinente: as pesquisas que levaram ao pré-sal custaram muitíssimo mais – aliás muiiiiiiiiiiiitíssimo mais – do que os gastos com a Copa. Para usar o sofisma alegado, deveriam ser usados na Saúde e na Educação. No entanto, o pré-sal significará a independência do Brasil quanto ao petróleo e fará do nosso país um dos maiores produtores mundiais. E mais: o atual governo destinou os recursos do pré-sal justamente para a Educação. Ou seja: os extraordinários recursos do pré-sal vão produzir uma grande revolução educacional, que levará o Brasil a um futuro grandioso (eu peço a Deus que me dê vida para estar presente nesse formidável momento!). Se fôssemos considerar os argumentos “sofismáticos” do CARTEL e da direita fascista, não iríamos ter esse futuro.

Porém, mesmo os meus caros, raros, fiéis, inteligentes e atentos leitores podem estar reclamando dos recursos que o governo investiu nos estádios. Aos meus caros, raros, fiéis, inteligentes, atentos e justos leitores, devo dizer que é MENTIRA que o governo federal tenha investido dinheiro nos estádios. É verdade que o BNDES tenha feito empréstimos para os conglomerados que estão construindo os estádios. Empréstimos com garantias, bem entendido.

O governo brasileiro pensou com grandeza em relação à Copa do Mundo. Pensou em estimular o turismo, pois o nosso potencial turístico é enorme. As 12 sedes dos jogos da Copa foram estabelecidas para que os turistas enxergassem o nosso grande país e se encantassem. O que não se podia prever era a crise de 2008 e suas terríveis consequências

Se nós tivéssemos uma imprensa que praticasse jornalismo fundamentado em fatos, nós saberíamos o que, além dos estádios, foi realizado quanto às obras de infraestrutura e mobilidade urbana. Ainda não sabemos quanto a essas obras, mas sabemos que foram criados milhares de empregos (fala-se em mais de 300 mil) e os técnicos asseguram que cada real aplicado será multiplicado por 7, dentro dos próximos 3 ou 4 anos. Esses mesmos técnicos afirmam que o turismo será incrementado, por estrangeiros e até mesmo por brasileiros, como resultado da Copa do Mundo.

É verdade que poderia ter sido muito melhor, não fosse a criminosa sabotagem perpetrada por setores da direita abrigados no CARTEL pseudojornalístico (codinome: “grande imprensa”) e na internet, onde pode escancarar seu fascismo explícito.

Calcula-se que 600 mil turistas estrangeiros estarão no Brasil. Mas poderiam ser mais de 1 milhão: os lucros seriam maiores e maiores seriam as perspectivas para o turismo, nos próximos anos.

Mas com toda certeza e com certeza absoluta, é certo, muito certo e certíssimo que a Copa vai gerar grandes lucros para o Brasil e para o povo brasileiro. Também é certo, muito certo e certíssimo que vai crescer o índice de aceitação da Copa pelos brasileiros.

No mais, só não vê quem não quer ver, todo o movimento anticopa é meramente um recurso da oposição, por causa das próximas eleições presidenciais. Esses fascistas não têm nenhum compromisso com o Brasil, muito menos com a moralização dos costumes. Da mesma forma, toda essa onda em torno da Petrobras (e que prejudica essa grande empresa) só pretende dividendos eleitorais, nada mais.

Tendo em vista as eleições presidenciais, se houvesse oposição, ela teria que, primeiramente ter propostas. Propostas que superassem resultados como: a ascensão de 40 milhões para a classe média; a retirada da extrema pobreza de 36 milhões; a drástica redução da mortalidade infantil nesses últimos 11 anos; o aumento da expectativa de vida; a criação de 18 universidades federais; a expansão do acesso à universidade, possibilitado pelo Pro-Uni e pelo Fies; a criação de bolsas para milhares de formandos fazer cursos no exterior; a expansão do acessos dos estudantes das escolas públicas à universidade, através do ENEM (este ano, a previsão é de 3 milhões de candidatos); a recuperação da indústria naval; a estabilidade econômica, que colocou o Brasil como 7ª  economia mundial etc, etc, etc...

E se houvesse oposição séria, ela certamente teria condições de apresentar candidatos do porte de Winston Churchill  ou Charles de Gaulle ou Franklin Delano Roosevelt ou, quem sabe, François Miterrand. Mas, o que a direita e associados oferecem é Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva. Aí, parafraseando aquele antigo personagem do Jô Soares, nós temos que dizer: -Você não quer que eu vote!