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quinta-feira, 8 de maio de 2014

VIDAL SE CALA, MAS ASSESSOR FALA

A frase de Abraham Lincoln é lapidar: "Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo."

A Câmara Municipal de Taubaté acaba e ganhar outro catão, como se não bastasse apenas um. O vereador João Marcos Vidal, coincidentemente do mesmo PSB do primeiro catão taubateano, veste galhardamente a túnica da moralidade, que cobria o senador romano Marco Pórcio Catão, por volta do ano 200 AC.

A túnica de João Marcos Vidal encobre um homem fingido, um aventureiro capaz de cometer toda sorte de desatinos para alcançar seus objetivos maiores no mundo político. Um deles: ser deputado federal.

João Vidal deve formar dobradinha nas eleições gerais deste ano com Caio França, filho do “dono” do PSB de São Paulo, o deputado federal Márcio França.

Não fica difícil imaginar, portanto, por que o pré-candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, visitou Taubaté quase às escondidas para se reunir com lideranças locais do partido. O encontro foi “organizado” pelo próprio João Vidal.

Ao analisar o comportamento do vereador eleito e de seus antecedentes sociais, passamos a compreender sua forma de agir. João Vidal é só um oportunista, que se vale de todos os meios para alcançar projeção pessoal e obter os dividendos eleitorais inerentes à sua atuação.

A atuação de João Vidal no Conselho Nacional da Juventude o aproximou de Daniel Vaz Freire, diretor executivo a ONG Opção Brasil. A “liderança” de Daniel Vaz “convenceuVidal a nomeá-lo assessor em 12 de fevereiro com o salário de R$ 4.233,17.

Quando se aproximou da Pastoral da Juventude de Taubaté, Vidal tinha objetivos claros: conquistar uma cadeira na Câmara Municipal com o apoio maciço da juventude para alçar voos mais altos após esta etapa.

Obteve sucesso em sua segunda tentativa. Elegeu-se vereador e se tornou líder da bancada aliada na Câmara Municipal. Sua atuação em defesa do governo (?!) de Ortiz Junior faria corar o ex-vereador Chico Saad.

A defesa que o catão da Vila das Graças fez ao Padre Tequinho, criticado neste blog por sua posição política, tem motivo: o religioso deve apoiá-lo em sua possível campanha para deputado federal, ou seja, Vidal está de olho nos votos que poderá obter com tão importante cabo eleitoral.

Em política “não existe almoço grátis” ensina o veterano senador Pedro Simon, parafraseando o economista americano Milton Friedman, ex-auxiliar do ditador chileno Augusto Pinochet.

Portanto, os passos de João Vidal no mundo político não são espontâneos. Ele escolhe a dedo seus auxiliares, de preferência aqueles que lhe possam render dividendos os futuros. Vidal não é líder na acepção da palavra. Ele põe e tira assessores de seu gabinete de acordo com suas conveniências políticas.

É o caso de Daniel Vaz Freitas, que se sentiu incomodado com informação de sua contratação.

Extraí o último comentário de Daniel Vaz sobre a matéria publicada. A pedido do próprio, reproduzo a íntegra do acórdão do Tribunal de Contas do Mato Grosso, que condena sua ONG a devolver cerca de R$ 66 mil ao governo mato-grossense  por conta de irregularidade constatada no convênio firmado.

Aqui, um dos comentários de Daniel Freitas.

"Pelo sim pelo não, João Vidal vai aparelhando seu gabinete, nomeando assessores de outras regiões do Estado para viabilizar seu nome numa possível campanha eleitoral, tudo pago com dinheiro público.Parece-me que estamos diante de um novo catão. Este, da Vila das Graça.Aqui, foto da viagem do assessor de João Vidal antes de completar três meses de "trabalho"." Se isto aqui não é acusação então eu estou doido Sr, Irani.Como você disse que reportou o que aconteceu com a ONG no Mato Grosso, reporte toda a história e não apenas uma parte.É estranho eu ler que "o objetivo [deste blog] é fazer o internauta enxergar a política como um instrumento para a prática do bem comum", mas faz uso de ataques rasteiros, que podem servir para tudo, menos para a prática do bem comum.

Aqui, a íntegra do acórdão do TCMT

ACÓRDÃO Nº 213/2012 - TP

EMENTA: FUNDO ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA. TOMADA DE CONTAS ESPECIAL ACERCA DO CONVÊNIO Nº 013/2005. CONTAS IRREGULARES. RESTITUIÇÃO DE VALORES AOS COFRES PÚBLICOS. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE IMPUTADA AO EX-GESTOR, EX-GERENTE DE CONVÊNIO E EX-COORDENADORA GERAL FINANCEIRA.

Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo nº 10.224-5/2008.

ACORDAM os Senhores Conselheiros do Tribunal de Contas, nos termos dos artigos 1º, inciso II, 23, todos da Lei Complementar nº 269/2007 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso), c/c o artigo 156, § 1º, da Resolução nº 14/2007 (Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso), por maioria, acompanhando o voto vista do Conselheiro Valter Albano e de acordo com o Parecer nº 1.832/2010, alterado oralmente em Sessão Plenária pelo Ministério Público de Contas, nos autos da presente Tomada de Contas Especial, instaurada pelo Fundo Estadual de Segurança Pública, acerca de irregularidades na prestação de contas do Convênio nº 013/2005, firmado na gestão do Sr. Célio Wilson de Oliveira - Ex-Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, com a ONG Opção Brasil, representada pelo Sr. Daniel Vaz Freire - coordenador executivo, cujo objeto foi à realização do Projeto Mapa da Juventude Cuiabana - Levantamento de Ações de Governos e Organizações Sociais para atendimento de jovens, em julgar IRREGULARES as contas do citado Convênio; determinando, de forma solidária que a ONG Opção Brasil e seu coordenador executivo Sr. Daniel Vaz Freire, restituam, aos cofres públicos estaduais, com recursos próprios, o valor correspondente a 2.167,11 UPFs/MT, no prazo de 60 dias, que deverá ser contado após a publicação desta decisão no Diário Oficial do Estado, como previsto no artigo 61, inciso II, da Lei Complementar nº 269/2007; e, ainda, excluir a responsabilidade, imputada nos autos ao ex-Gestor, ex-Gerente de Convênio e ex-Coordenadora Geral Financeira.


Foi designado o Senhor Conselheiro VALTER ALBANO como Revisor, com base no artigo 69, § 3º, da Resolução nº 14/2007. Participaram do julgamento os Senhores Conselheiros WALDIR JÚLIO TEIS e DOMINGOS NETO, a Auditora Substituta de Conselheiro JAQUELINE JACOBSEM, em substituição ao Conselheiro ANTONIO JOAQUIM, os quais votaram acompanhando o voto do Conselheiro Revisor. Vencidos o Senhor Conselheiro ALENCAR SOARES, e o Auditor Substituto de Conselheiro LUIZ HENRIQUE LIMA - Relator, que votaram no sentido de julgar irregulares as contas do convênio, com aplicação de multas aos gestores e restituição de valores a Organização não Governamental – ONG Opção Brasil. Presente, representando o Ministério Público de Contas, o Procurador Geral ALISSON CARVALHO DE ALENCAR.