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terça-feira, 10 de junho de 2014

TEM HORA PRA FESTA E TEM HORA
PRA BRIGA: AGORA É FUTEBOL!

Antonio Barbosa Filho

(Publicado originalmente pelo Diário de Taubaté)

DELFT (Países-Baixos) - Quem está fora do Brasil ou tem a curiosidade de acompanhar a imprensa internacional, fica encantado com o espaço dedicado ao Brasil por jornais, rádios, TVs, revistas e internet por causa da Copa das Copas.

Não sei qual a proporção de seres humanos que se liga em futebol, dito o esporte mais popular do planeta. Pois se forem 70%, ou se forem 50%, posso garantir que essa proporção de pessoas está, hoje, e estará nos próximos 30 dias, de olhos voltados para o nosso País.

A Copa é um evento grande demais. Muitos países do mundo sonham em promovê-lo, e alguns até tentam (e pelo jeito, conseguem) comprar esta decisão da FIFA - parece o caso de Dubai, dos Emirados Árabes. O Brasil não precisou comprar ninguém, porque é o País do Futebol, o lugar onde este esporte faz parte da cultura do povo, é aprendida pelas crianças sem qualquer esforço. É como cubano dançar salsa, ou japonês gostar de cálculos: o brasileiro gosta de jogar bola. E, felizmente, não só com os pés, já que somos campeões também em vôlei e basquete, agora surgindo o Handebol com um brilho extraordinário.

Na Dinamarca (que não se classificou para Copa
das Copas) a cervejaria Calsberg lançou uma cerveja
especial  homenageando o evento e o Brasil. O mesmo
acontece em vários países de todos os continentes.
Futebol, como religião, sempre se misturou com Política, no Brasil. A ditadura usou nossa vitória no México, em 1970, para distrair o povo da terrível repressão e do empobrecimento geral. Em 82, o ditador Figueiredo tinha tudo preparado para fazer a taça ser entregue em cada Estado ao candidato a governador do seu partido (estávamos longe da eleição direta para presidente). E não só no Brasil: na Copa de 78, na Argentina, os militares compraram parte da seleção do Peru para ajudar o país-sede a vencer o campeonato, no qual o Brasil e a Holanda mereciam muito mais.

No Brasil de 2014, não é o Governo que mistura futebol com Política: é a oposição, parte importante da mídia e alguns grupos radicais de extrema-esquerda e de extrema-direita. Acham que se a Copa fracassasse, o Governo da Presidenta Dilma Rousseff seria prejudicado, e isso daria alguma chance à oposição na eleição de outubro.

É uma aposta suicida: desmoralizar o Brasil, enfraquecer sua imagem internacional, consequentemente diminuir sua importância econômica e política, para aí assumir o poder da "massa falida". É um tiro no pé, ou não é muito melhor governar um país forte, reconhecido mundialmente, respeitado?

Para certas forças da oposição, pouco importa: querem voltar ao poder, a qualquer custo, mesmo destruindo o Brasil (em parte, porque ninguém jamais derrotará totalmente o povo brasileiro), para saquearem ou entregarem a interesses estrangeiros o que restar, muito ou pouco. Quem age assim é gente sem Pátria, sem sentimento de Nação. São muito piores do que estrangeiros, porque os estrangeiros amam suas Pátrias e respeitam o Brasil: nossos "vira-latas", os "anti-Copa" não amam a nada, apenas acham o Brasil uma porcaria, nosso povo incapaz e nossos problemas insolúveis. Não podem ver o povo feliz, a festa nas ruas e nos estádios. Acham que isso ajudará a Dilma na sua reeleição. Então, acham melhor acabar com a festa dos 200 milhões, para vantagem de meia-dúzia.

Mas não deu certo. A Copa (que eles diziam que não teríamos) está começando. Os estádios estão prontos. Os investimentos retornarão multiplicados. O Brasil sairá muito mais forte, e receberá as vantagens por décadas.

Que os infelizes curtam sua tristeza. Ou mudem-se deste maravilhoso País.