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sábado, 26 de julho de 2014

A ROTA E OUTRAS BOBAGENS

Silvio Prado, professor

A ROTA do governador Geraldo Alckmin vem passar mais uma temporada aqui no Vale do Paraíba. No caso especifico de Taubaté, sua presença prova a ineficiência da balela chamada Atividade Delegada. Por lugares escolhidos a dedo, policiais da Atividade Delegada, aos pares, usam o tempo de folga trabalhando para “melhorar a segurança” da cidade. Nunca se viu tanta farda circulando por Taubaté e a cidade certamente nunca esteve tão vigiada.

Porém, apesar de tudo a criminalidade aumenta e foge do controle das autoridades. Tem uma pivetada assaltando e roubando à vontade em todo canto. Desesperada, parte da população nem dá queixa da violência que diariamente sofre. No Residencial Independência, um comerciante fechou sua pizzaria devido à série de assaltos que sofreu. Na avenida Campinas, Chácara do Visconde, depois de quase 20 anos atendendo a população, o  proprietário de uma padaria fez o mesmo. Esse tipo de ocorrência vem se banalizando na cidade administrada pelo PSDB de Ortiz Jr. Relatos de comerciantes que passaram momentos nas mãos de bandidos são terríveis e preencheriam dúzias de programas sensacionalistas como o do Datena.

Mesmo assim, a cúpula da policia militar na região nunca perde a oportunidade de dizer que aumentou entre nós a sensação de segurança, mesmo que a tal cúpula nunca tenha que passar, depois das 9 da noite, a pé e sem farda, por lugares como qualquer rua do Esplanada Santa Teresinha, Santa Teresa, ou sobre as passarelas que cortam a Via Dutra, ou pelas imediações do Mercadão e tantos outros lugares da antigamente pacata Taubaté.

Portanto, a ROTA, criação genuína da ditadura militar, terror policial da periferia miserável, está de volta com seus carros velozes e fama de eficiência policial. Enquanto isso, o lado social da cidade segue na precariedade provocada pelo abandono. Nem estado e prefeitura aplicam programas que, atendendo aos anseios da criança e da juventude, tornem estreitos ou completamente fechados os caminhos que conduzem ao crime e a qualquer tipo de droga. Basta entrar numa escola pública, municipal ou estadual, para sentir o tamanho da nossa falta de investimento na formação do ser humano.

Alias, é besteira esperar de administradores (?) como Geraldo Alckmin ou Ortiz Jr qualquer política formativa ou educacional que mude para melhor a vida das pessoas. Tonto é quem acredita na visão social desses produtores de situações calamitosas. Se a incapacidade administrativa de Alckmin colocou a grande São Paulo diante de sua maior crise de abastecimento de água,  afetando quase dez milhões de pessoas, paralisando setores da economia e já provocando cerca de três mil demissões, imagine se existe preocupação real com a segurança dos mais pobre e indefesos, gente que não pode contar com cerca elétrica ou qualquer outro aparato de segurança que não seja um vira-lata latindo no fundo do quintal.

Por outro lado, a presença da ROTA em nossa cidade não deve ser vista apenas como resultado da inoperância da Atividade Delegada e de todo corpo policial no combate  à violência. Nesses tempos de eleição, o governador precisa mostrar e se mostrar para a população mandando esse instrumento da truculência para as nossas ruas. Assim, como tem gente que acredita que Dunga à frente da seleção vai revolucionar nosso futebol, tem gente que também acredita que rotas e outras bobagens tucanas possam de fato trazer a segurança que não temos. Azar nosso!