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terça-feira, 15 de julho de 2014

“ARQUIBANCADA ESCANDINAVA” É
MANCHETE EM “CONVERSA AFIADA”

Um dos blogs mais acessados do país, do respeitabilíssimo Paulo Henrique Amorim (PHA), o “Conversa Afiada”, reproduziu o texto “Arquibancada escandinava”, deste modesto blogueiro taubateano.

O texto foi produzido na manhã/tarde desta segunda-feira (14/07), enquanto rememorava lances da Copa das Copas e da final entre Alemanha e Argentina, especialmente.


Publicado o texto neste blog, resolvi postá-lo no FB no “Conversa Afiada”, que acesso diariamente.

Para minha surpresa, por volta da 23 horas da mesma segunda-feira, ao acessar o blog do PHA, me deparo com a manchete principal “Arquibancada era escandinava!” e o meu texto reproduzido na íntegra, com apenas uma correção: Ivete Sangalo em lugar de Daniela Mercury.



É que, antes da Copa das Copas, postei um vídeo, gravado do Sportv, com a cantora baiana dizendo aos brasileiros que acreditassem no sucesso do megaevento e pedindo muita atenção e carinho com quem nos visitasse.

O “erro” foi inevitável. Em vez de escrever Ivete Sangalo, cravei Daniela Mercury.

Agora pela manhã, enquanto assistia à chegada da seleção alemã ao Portão de Brandembugo, para comemorar o título conquistado no Brasil, via trechos do programa Bem Amigos exibido na noite de segunda-feira.

Lá estavam Galvão Bueno, os ex-jogadores Belleti e Junior e o ex-árbitro de futebol Arnaldo Cesar Coelho se derretendo em elogios ao sucesso da Copa das Copas: a hospitalidade do povo brasileiro, o funcionamento perfeito dos aeroportos, as obras de infraestrutura, o acesso aos estádios, o transporte público e os estádios em si.

O texto deste blog, reproduzido pelo “Conversa Afiada” é, na verdade, uma reflexão sobre a necessidade da continuação de programas de inserção do negro em camadas superiores da nossa sociedade, onde quase todos são “branquelos”.

Nosso país jamais será escandinavo, mas poderemos, quem sabe nos próximos 100 anos, enxugar o parlamento, oferecer menos mordomias aos políticos com cargos eletivos e cada um se doar um pouco mais para a coletividade, com mais participação na vida política do país.

Abaixo, o texto, conforme foi republicado pelo blog “Conversa Afiada”.

De Irani Lima, no Face do C. Af.

PHA, me desculpe por usar tanto espaço em seu Face, mas tenho que desabafar…

“ARQUIBANCADA ESCANDINAVA

A Copa terminou com a vitória do Brasil fora de campo, em termos de organização de um megaevento futebolístico, de hospitalidade, de mobilidade urbana e de belezas naturais que os “gringos” jamais esquecerão.

Se a final da Copa das Copas tivesse sido disputada na Suécia ou na Dinamarca, teríamos um público de branquelos como o que lotou o Maracanã na tarde/noite de domingo (13/07) para ver a Alemanha derrotas a Argentina por 1 a 0 e sagrar-se campeã do mais importante torneio de futebol do mundo.

Já li artigos em que se pede a “escandinavização” do Brasil como solução para todos os nossos problemas – parlamento mais enxuto, vida franciscana para os nossos dirigentes, que iriam ao trabalho em carro próprio, pagariam alugueis por suas casas/apartamentos, etc e tal.

De forma enviesada, atribuem nossas mazelas aos últimos 12 anos de governos trabalhistas, quando se levantou o tapete e mostrou-se que a corrupção brasileira é praticada, sim, pela elite branca, a mesma que vaiou Dilma na final da Copa das Copas e pôde pagar a exorbitante quantia de até R$ 2 mil para assistir a um jogo de futebol.

Os negros não estavam na arquibancada escandinava do Maracanã. Três negros – Carlinhos Brown, Alexandre Pires e um cantor de rap, que não sei quem é – fizeram a alegria dos branquelos ao lado das musas Shakira e Ivete Sangalo.

A carranca da presidenta Dilma Rousseff tinha razão de ser!

O povo não participou da festa in loco. Assistiu a final em casa, no barzinho ao lado dos amigos ou nas fã-fest que estiveram lotadas ao longo da competição.

Galhardamente, a presidenta enfrentou a burguesia sem um sorriso no rosto, mas com a certeza que os favelados que moram em frente ao Maracanã e não puderam festejar o fim da Copa das Copas em campo responderão à elite escravagista que inundou os estádios da Copa das Copas.

Nos 31 dias de competição, o número de negros na arquibancada escandinava da Copa das Copas foi mínimo. Talvez, apenas os negros africanos do Gana, Camarões, Nigéria, Costa do Marfim e Argélia (esta mais branca que negra).

Quantos negros uruguaios, colombianos e equatorianos vimos torcendo por suas seleções na Copa? A Argentina e o Chile são países à parte, com pouca ou nenhuma descendência africana. Quantos negros argentinos você conhece? E negros chilenos?

O Brasil sempre importou pé-de-bola negra do Uruguai, do Equador e da Colômbia. Você é capaz de lembrar algum negro argentino ou chileno jogando bola em nossos estádios?

Os negros na final da Copa das Copas estavam lá para trabalhar: eram os seguranças no entorno do gramado, que sequer podiam dar uma olhadela para o campo enquanto a bola rolava.

Interessante: o único negro em campo era Jérôme Boateng, de origem ganesa, da seleção alemã. Os demais eram brancos.

Portanto, as vaias dirigidas a Dilma partiram dos mesmos branquelos que vaiaram Lula na abertura dos Jogos Panamericanos em 2007 no auge do “mensalão”, que a elite tentou impingir ao trabalhismo.

A elite branca, que tem síndrome de vira-latas, com o apoio da mídia golpista e suas canetas de aluguel, fez o possível e o impossível para empanar o brilho da Copa, acreditando que teria força para subjugar a expectativa e a esperança do povo brasileiro.

Não conseguiram. Agora esta mesma elite branca quer debitar na conta da presidenta Dilma Rousseff o fracasso da seleção brasileira, quando o fracasso é dela própria, pois quem domina o futebol brasileiro é uma elite branquela.

Quantos dirigentes ou técnicos de futebol negros você conhece? Me lembro de apenas dois: Hélio dos Anjos e Cristóvão. Ok! Luxemburgo pode entrar nesta conta, na categoria “mulato”, como muitos mulatos mais “brancos” que muitos brancos que estão por aí, no meio de nosso futebol.

Em tempo: o jn do Gilberto Freire com “i” (*) –  clique aqui para ver o que o Dr Roberto diz dele e da Globo na Copa – deu mais tempo ao Agripino Maia do que à Dilma no balanço que a Dilma fez da Copa – clique aqui para ler “O Brasil é o pais do futebol, e do trabalho sério”.

Sobre o Agripino Maia, convém lembrar desse poster da campanha em que o Cerra tomou uma surra de um poste, em 2010 (depois de tomar outra, em 2002).