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segunda-feira, 14 de julho de 2014

ARQUIBANCADA ESCANDINAVA

A Copa terminou com a vitória do Brasil fora de campo, em termos de organização de um megaevento futebolístico, de hospitalidade, de mobilidade urbana e de belezas naturais que os “gringos” jamais esquecerão.

Se a final da Copa das Copas tivesse sido disputada na Suécia ou na Dinamarca, teríamos um público de branquelos como o que lotou o Maracanã na tarde/noite de domingo (13/07) para ver a Alemanha derrotas a Argentina por 1 a 0 e sagrar-se campeã do mais importante torneio de futebol do mundo.

Já li artigos em que se pede a “escandinavização” do Brasil como solução para todos os nossos problemas – parlamento mais enxuto, vida franciscana para os nossos dirigentes, que iriam ao trabalho em carro próprio, pagariam alugueis por suas casas/apartamentos, etc e tal.

De forma enviesada, atribuem nossas mazelas aos últimos 12 anos de governos trabalhistas, quando se levantou o tapete e mostrou-se que a corrupção brasileira é praticada, sim, pela elite branca, a mesma que vaiou Dilma na final da Copa das Copas e pôde pagar a exorbitante quantia de até R$ 2 mil para assistir a um jogo de futebol.

Os negros não estavam na arquibancada escandinava do Maracanã. Três negros – Carlinhos Brown, Alexandre Pires e um cantor de rap, que não sei quem é – fizeram a alegria dos branquelos ao lado das musas Shakira e Daniela Mercury.

A carranca da presidenta Dilma Rousseff tinha razão de ser!

O povo não participou da festa in loco. Assistiu a final em casa, no barzinho ao lado dos amigos ou nas fã-fest que estiveram lotadas ao longo da competição.

Galhardamente, a presidenta enfrentou a burguesia sem um sorriso no rosto, mas com a certeza que os favelados que moram em frente ao Maracanã e não puderam festejar o fim da Copa das Copas em campo responderão á elit4e escravagista que inundou os estádios da Copa das Copas.

Nos 31 dias de competição, o número de negros na arquibancada escandinava da Copa das Copas foi mínimo. Talvez, apenas os negros africanos do Gana, Camarões, Nigéria, Costa do Marfim e Argélia (esta mais branca que negra).

Quantos negros uruguaios, colombianos e equatorianos vimos torcendo por suas seleções na Copa? A Argentina e o Chile são países à parte, com pouca ou nenhuma descendência africana. Quantos negros argentinos você conhece? E negros chilenos?

O Brasil sempre importou pé-de-bola negra do Uruguai, do Equador e da Colômbia. Você é capaz de lembrar algum negro argentino ou chileno jogando bola em nossos estádios?

Os negros na final da Copa das Copas estavam lá para trabalhar: eram os seguranças no entorno do gramado, que sequer podiam dar uma olhadela para o campo enquanto a bola rolava.

Interessante: o único negro em campo era Jérôme Boateng, de origem ganesa, da seleção alemã. Os demais eram brancos.

Portanto, as vaias dirigidas a Dilma partiram dos mesmos branquelos que vaiaram Lula na abertura dos Jogos Panamericanos em 2007 no auge do “mensalão”, que a elite tentou impingir ao trabalhismo.

A elite branca, que tem síndrome de vira-latas, com o apoio da mídia golpista e suas canetas de aluguel, fez o possível e o impossível para empanar o brilho da Copa, acreditando que teria força para subjugar a expectativa e a esperança do povo brasileiro.

Não conseguiram. Agora esta mesma elite branca quer debitar na conta da presidenta Dilma Rousseff o fracasso da seleção brasileira, quando o fracasso é dela própria, pois quem domina o futebol brasileiro é uma elite branquela.

Quantos dirigentes ou técnicos de futebol negros você conhece?  Me lembro de apenas dois: Hélio dos Anjos e Cristóvão. Ok! Luxemburgo pode entrar nesta conta, na categoria “mulato”, como muitos mulatos mais “brancos” que muitos brancos que estão por aí, no meio de nosso futebol.