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quarta-feira, 2 de julho de 2014

COM A ASSINATURA DA DIREITA

Celso Brum, professor e sociólogo

Na abertura da Copa do Mundo, ouviu-se um coro dirigido à presidente Dilma Rousseff.

A “grande imprensa” (e a direita, de uma forma geral) anunciou, primeiro, que “não haveria Copa”, e depois, que a Copa seria uma vergonha, porque o Brasil não estaria preparado. E então, segundo a “grande imprensa” (e segundo a direita), haveria o caos.

Os fatos estão demonstrando que, mais uma vez, a “grande imprensa” mentiu: da imprensa responsável do mundo inteiro, do “Le Monde”, da França, ao “The New York Times”, dos Estados Unidos, o que se lê são elogios entusiasmados com a “Copa das Copas”. E as prometidas (e incentivadas pela direita) manifestações populares diminuíram, passaram a ser apenas valhacoutos de bandidos, depredadores de bens públicos e particulares e, finalmente, desapareceram, por absoluto desapreço e repúdio da verdadeira opinião pública, não representada, é bom que se diga, pela “grande imprensa”, direitista e golpista.

Assim, a “Copa das Copas”, reconhecida como tal no mundo inteiro, já é um sucesso, tanto no aspecto esportivo – futebolístico, como no que se refere à organização do evento pelas autoridades brasileiras. Os turistas estão se encantando com o Brasil, ao conhecer nossa diversidade cultural exposta nas várias regiões onde estão localizadas as praças esportivas e essa, aliás, foi a intenção do governo: fazer o Brasil conhecido e estimular o turismo. E, quem não veio ao Brasil por causa da campanha terrorista -perpetrada pela “grande imprensa” e pela direita , anunciando catástrofes e convulsão social em nosso país – está vendo o nosso grande Brasil pela TV: recordes de audiência estão sendo obtidos em todos os países, coisa como nunca antes aconteceu. Isto trará grandes benefícios e investimentos para o Brasil, o que comprova que o ex-presidente Lula estava absolutamente certo em trazer-nos a Copa.

O que nosso país está conseguindo com nossa exposição maiúscula e bem sucedida, ao mundo, é muito e muitíssimo mais significativo do que todo o dinheiro investido na realização da Copa. Só não entendem isso pessoas destituídas dos neurônios na conta certa ou direitistas em geral: pessoas com má vontade e má fé.

Os direitistas não gostam de ser taxados de direitistas. E estão presentes na maioria das instituições, na política, nos meios de comunicação, nas empresas, nas igrejas, enfim, o poder real no Brasil está nas mãos da direita. Para os direitistas, o povão é apenas estatística e, de preferência, mão-de-obra barata e servil. Os direitistas não se conformam que o mais visível nicho do poder – a Presidência da República – esteja ocupado pela esquerda. Daí o golpismo permanentemente praticado pela direita, a fim de impor o que considera seu exclusivo privilégio: o exercício absoluto do poder, como aconteceu na maior parte dos 514 anos do Brasil como Nação. E, no exercício do poder, a direita não conseguiu (porque nunca pretendeu) elevar as condições de vida do povão, como ocorreu com a esquerda na presidência: quase 40 milhões de pessoas retiradas da extrema pobreza e mais de 40 milhões que chegaram à classe média.

Os direitistas não aceitam a existência de direita e esquerda. E existem os que são contra a esquerda, mas, não querem se reconhecer como direitistas. Respondo-lhes: esquerda e direita são tão evidentes, como o bem e o mal. A esquerda é a vanguarda da civilização; a direita é, no mínimo, o conservadorismo, o atraso e a estagnação. E, os que não querem se reconhecer como direitistas, saibam que, quem não está com a esquerda, é no mínimo, conivente com a direita, ou seja, é direitista.

Para exemplificar, raciocinem: No governo João Goulart, onde estava a esquerda e onde estava a direita? Na ditadura militar de 1964, onde estava a esquerda e onde estava a direita? Nos porões da ditadura, onde se praticavam torturas e assassinatos, onde estava a esquerda e onde estava a direita?

Assim, como bem sabem os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores, quem não apoia a esquerda, apoia a direita, ou seja, é um direitista.
Todas essas elucubrações só para dizer que a direita é capaz de todas as canalhices e torpezas imagináveis. Para a direita, os fins justificam os meios e, para conseguir o poder, tudo, tudo, mas, tudo mesmo pode ser perpetrado para conseguir e manter o poder.

O coro ouvido na abertura da Copa, com uma frase de baixíssimo calão dirigida à Presidente Dilma Rousseff é típico das ações da direita. Sabe-se – por que até a própria “grande imprensa” não pôde ignorar – que o coro partiu da ala vip do estádio, onde estavam os mais endinheirados. Vou transcrever, porque a “Folha” e o “Estadão” também transcreveram: o “Ei Dilma, vai tomar no c...” é bem a assinatura da direita. Não tem nada de protesto político, é apenas a manifestação clara de um entendimento da vida e do exercício do poder. A direita é isso. Não é só má educação, é a clara demonstração do que vai na alma desses direitistas, é só ódio, um ódio de “apartheid”. Essa gente é capaz de qualquer coisa. Esses direitistas apresentaram ao mundo uma mostra do que são e o que representam politicamente. E a imprensa mundial ressaltou que ali estavam os endinheirados, mesmo porque o preço dos ingressos impediam os pobres de participar da festa. Enfim, o “Ei, Dilma” mostrou a cara imunda e safada da direita, foi a assinatura da direita.

Por que será que Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva não protestaram contra essa baixaria da direita? A resposta estará brevemente nas urnas.