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sexta-feira, 25 de julho de 2014

PELA EDUCAÇÃO

Silvio Prado, professor

Um nadando em dinheiro
Tinha mais de uma fazenda
E dois carros importados
Pagou já na encomenda
Ganhou tanta grana assim
Após cuidar da merenda.
E havia outro sujeito
Também da educação
Homem sério e polido
Um exemplar cidadão
Que só fazia negociata
Que passasse de milhão.
E ainda outro havia
Sempre sob belo terno
Levando grana adoidado
Discretíssimo e moderno
Superfaturando em compras
De lápis, régua e caderno.
Enquanto isso, na escola
Já não havia merenda
Que não fosse arroz e ovo
E uma comida horrenda 
Que a criançada engolia
Só após muita contenda.
E se na sala de aula
Não tinha nada moderno
E o ensino só se dava
Com lápis e raro caderno,
No gabinete de compras
O roubo parecia eterno.
Desse jeito a cidade
Ganhou grande projeção 
Como quem se descuidava
Dando nenhuma instrução
Porém dando bom dinheiro
A quem furtava a educação
E porque não tinha jeito
De controlar tal sangria
Até pirralho de berço
Que mal falava dizia
Que o que faltava na escola
Um bolso estranho engolia.
Enfim a história correu
Exatamente desse jeito
Com bandidos engravatados
Assessorando um sujeito
Ladrão que todos chamavam
Sua excelência, o prefeito.