Páginas

quinta-feira, 17 de julho de 2014

PROSSEGUE O MASSACRE PALESTINO

Silvio Prado, professor

Israel, braço armado dos interesses norte-americanos no Oriente Médio, desencadeia mais uma etapa do processo de extermínio do povo palestino. Tudo o que estiver sob a rota de seus aviões, recebe chuvas de bombas letais. Tudo o que estiver no caminho de seus tanques ou tropas, corre o risco de desaparecer do mapa. Sempre foi assim nos últimos sessenta anos. Israel, necessitando sobreviver politicamente, descobriu o prazer de repetir o que Hitler no correr da Segunda Guerra Mundial fez com os próprios judeus em pavorosos campos de concentração. O que é hoje, por exemplo, a Faixa de Gaza senão um grande campo de concentração palestino sob os rigores da imposição do estado de Israel?
Com a desculpa de atacar supostos grupos terroristas, nada se perdoa. Nem velho nem criança, mulheres ou mesmo doentes. Todos, só pelo fato de serem palestinos, significam empecilho aos planos expansionistas de um estado cada vez mais amparado pela força das armas e pela generosa e pontual ajuda que brota dos cofres norte-americanos. Na verdade, o grande grupo terrorista da região chama-se estado de Israel, armado até os dentes, possuidor de um arsenal atômico que não sofre qualquer restrição da piada ambulante chamada Barak Obama e das chamadas grandes potências.
Aliás, Obama, que além de oferecer todo apoio a Israel, mantém a política de ocupação militar no Afeganistão e no Iraque, recebeu outro dia o prêmio Nobel da Paz. Paz? Talvez paz para essa gente sejam os olhos cerrados de crianças palestinas, mortas em bombardeios, e desesperadamente carregadas por seus pais na direção de algum cemitério.
Infelizmente, parece que a opinião pública internacional está pouco se lixando para a sorte da nação palestina. Desde 1948, com a fundação do estado de Israel, a região acumula cerca de 4,7 milhões de palestinos vivendo na condição de refugiados.
Mesmo em épocas que Israel não dispara um tiro sequer, da mesma maneira segue o aprofundamento do massacre. Um muro estúpido, de 700 km de extensão e nove metros de altura, construído na Cisjordânia para garantir a “segurança judaica”, separa descaradamente palestinos e judeus e radicaliza a política de controle da população. De certa maneira, os palestinos vivem situação semelhante ao que se viu com os negros da África do Sul, controlados e humilhados pela minoria branca evangélica durante décadas.
O controle da população faz com que muitas estradas não possam ser freqüentadas por palestinos. Nas estradas permitidas, mais de seiscentas barreiras e postos de controle os submetem diariamente a revistas rigorosas. Em Jerusalém, carros palestinos estão proibidos de circular.
Em muitas áreas, terras são ocupadas para a instalação de assentamentos e colônias judaicas. Tratores israelenses, protegidos por forças militares, derrubam casas de militantes da causa palestina. O cerco impiedoso passa pelo controle ou mesmo impedimento de remessas de suprimentos fundamentais para a sobrevivência palestina. Enfim, é a política declarada e sem disfarces para varrer do mapa um povo que, quase sempre isolado, tenta o impossível, ou seja, resistir e retomar para si os territórios tomados pela ocupação israelense.
Se o cenário fosse outro e a ideologia da indiferença não prevalecesse, certamente o jogo final da Copa do Mundo, neste domingo, no Rio de Janeiro, poderia ter se tornado num grande palco de protesto contra mais esse capítulo que Israel, sempre com apoio norte-americano e omissão flagrante da ONU, comete contra o povo palestino e, por consequência, contra a humanidade.
Mas não dá para esperar grande coisa no clima de festa que o futebol proporciona, mesmo que crianças e indefesos, do outro lado do mundo, estejam sendo trucidados impiedosamente e expostos, ao vivo e em cores de sangue, com a mesma naturalidade com que foram expostas aos olhos do planeta qualquer cena banal da copa realizada aqui no Brasil.