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terça-feira, 19 de agosto de 2014

DERROTAS NA JUSTIÇA ABALAM CLÃ ORTIZ

Uma sociedade acovardada é vítima de sua própria covardia.

O poder de manipulação do velho caudilho Bernardo Ortiz e de seu clã ainda hoje se faz sentir nesta urbe quase quatrocentona.

A população assiste a tudo calada. Sabe que está sendo manipulada, mas não reage. Alguns até se extasiam quando veem o prefeito dizer na televisão que está tudo bem com ele e com a cidade que o elegeu.

Os interesses são muitos, mas nenhum é republicano. É apenas interesse pessoal, a busca por um emprego prometido que não foi dado ou por puro puxa-saquismo.

Há os que enfrentam o poderoso clã Ortiz. E os batem na Justiça.

Gladiwa Ribeiro vence na Justiça Bernardo Ortiz e Ortiz Junior
A advogada Gladiwa Ribeiro é o maior exemplo desta assertiva.

Na condição de chefe de gabinete de Bernardo Ortiz, a advogada taubateana é a grande testemunha de como Ortiz Junior frequentava assiduamente o órgão e se reunia com empresários com os quais a FDE mantinha negócios.

Mas Gladiwa tem o que anda em falta atualmente: coragem.

Seu primeiro ato de coragem foi ignorar a ordem de Bernardo Ortiz para “engavetar” a denúncia apresentada pelo advogado Eduardo Bello Visentin sobre a existência de possível conluio para fraudar pregão que a FDE realizaria para adquirir 4 milhões de mochilas escolares.

Gladiwa não se furtou em testemunhar no Ministério Público e contar, tim-tim por tim-tim, tudo o que viu na FDE, sob as barbas de Bernardo Ortiz, que nada fez para coibir o abuso que se perpetrava.

É importante ressaltar que a advogada ocupava cargo de confiança, nomeada por Bernardo Ortiz, mas não se submeteu ao velho caudilho. Tinha emprego garantido, com um belo salário, enquanto Bernardo Ortiz presidisse o órgão.

Quantos tomariam esta atitude sabendo que perderiam o emprego?

Gladiwa pagou o preço, mas não se dobrou ao ex-prefeito de Taubaté, amigo íntimo do governador Geraldo Alckmin, que foi obrigado a demiti-lo por ordem do juiz da 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

Na campanha eleitoral de 2012, o nome de Gladiwa Ribeiro foi vilipendiado na televisão, acusada por Ortiz Junior de ter sido demitida da FDE por corrupção. O caráter da família Ortiz é este: jogar o nome de ex-auxiliares na lama para manter o seu “limpo”.

Essa maneira sórdida e leviana empregada pelo clã Ortiz há mais de 30 anos para incriminar falsamente quem ousa contrariá-los não encontrou guarida perante a juíza Márcia Rezende Barbosa de Oliveira, que condenou Ortiz Junior ao pagamento de R$ 15 mil a título de indenização por danos morais à corajosa advogada taubateana.

Praticamente na mesma época, o ex-prefeito taubateano declarou em um jornal regional, corroborando o que o filho dissera, que Gladiwa Ribeiro era “desonesta

O tempo de encarregou de mostrar com quem estava a razão.

A juíza Patrícia Cotrim Valério se encarregou de colocar o velho caudilho em seu lugar. Bernardo Ortiz foi condenado ao pagamento de R$ 12 mil de indenização por danos morais, extinguindo o processo.

EMBARGOS NEGADO

Sovina, Bernardo Ortiz opôs embargo de declaração à sentença da Dra. Patrícia Cotrim Valério. O velho caudilho queria se livrar da multa. Não conseguiu.

Para a juíza da 3ª Vara Cível de Taubaté, os embargos de declaração opostos por Bernardo Ortiz “são manifestações protelatórias”, para atrasar o cumprimento da sentença;

Resultado: a multa imposta a Bernardo Ortiz foi acrescido de juros de 1% sobre o valor da causa, pois ficou manifesto o desejo do velho caudilho de procrastinar o cumprimento da sentença judicial.

Aqui, o despacho da juíza Patrícia Cotrim Valério:

EDITAL DE INTIMAÇÃO DE ADVOGADOS RELAÇÃO nº 0345/2014

Processo 0024353-58.2012.8.26.0625 (625.01.2012.024353) - Procedimento Ordinário - Indenização por Dano Moral - G.A.R. - J.B.O. - Juiz(a) de Direito: Dr(a). Patrícia Cotrim Valério Vistos. I. Trata-se de embargos de declaração opostos à sentença de fls. 207/209 pelo réu, sob o fundamento de que há omissão acerca do pedido expresso de desentranhamento. II. Conheço dos embargos, vez que tempestivos, e os rejeito. Não há qualquer omissão a ser sanada. Inicialmente, destaco que após o pedido de desentranhamento de fls. 158/159, sobreveio a decisão de fl. 160, que não foi objeto de impugnação pelo réu. Prosseguindo, diferentemente do alegado, nos memoriais não constou pedido expresso de desentranhamento da mídia. Não bastasse, a despeito da afirmação contida à fl. 222, o que integrou a fundamentação da sentença foi o depoimento da testemunha e não o conteúdo da mídia. Como se vê, os embargos possuem clara intenção procrastinatória. Desta feita o intuito da parte embargante é manifestamente protelatório, pelo que lhe serão impostas as consequências processuais previstas para a hipótese. III. Ante o exposto, REJEITO os embargos de declaração e, na forma do art. 538, parágrafo único, do Código de Processo Civil, considerando que os embargos de declaração são manifestamente protelatórios, condeno o réu/embargante a pagar à autora valor correspondente a 1% (um por cento) do valor dado à causa. Int. Taubaté, 31 de julho de 2014. - ADV: ALINE PARRA DE SIQUEIRA (OAB 273057/SP), MARCO AURELIO TOSCANO DA SILVA (OAB 151889/SP), NORBERTO DE ALMEIDA RIBEIRO (OAB 320720/SP).