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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O CLÃ ORTIZ E SUAS BATALHAS JUDICIAIS

José Bernardo Ortiz sempre foi um político messiânico para quem o seguiu cegamente nos últimos 30 anos, sem questionar sua rompante, seu modo autoritário de administrar e de submeter todos à sua vontade.

Quem ousou tomar decisões que desagradassem ao ex-prefeito taubateano ou proferisse uma frase por mais pueril que fosse, candidatava-se a integrar o rol de desafetos do ex-todo poderoso Bernardo Ortiz, sujeitando-se a ser perseguido e ter o nome vilipendiado.

Foi assim com seu primeiro vice-prefeito, o comerciante Augusto Ambrogi, um cavalheiro antes de tudo. Foi assim com Salvador Khuriyeh, que Bernardo Ortiz alçou à Prefeitura no auge de sua popularidade, em 1988.

Manipulador, Bernardo Ortiz transforma adversários em "Iscariotes"
Khuriyeh foi transformado em “iscariotes” por não admitir a ingerência de Bernardo Ortiz na vida administrativa da cidade.

Julio Cesar de Oliveira, funcionário concursado da Prefeitura, fazia parte da equipe de governo de Bernardo Ortiz ao lado de Adherbal de Moura Bastos e Mário Garello. Foi demitido injustamente.

A Justiça do Trabalho reconheceu que houve abuso e desrespeito às leis que garantiam a estabilidade ao ex-funcionário público municipal. Por ordem judicial, Julio Cesar foi readmitido pela Prefeitura, sob o governo Peixoto.

Bernardo Ortiz ainda mantém sob seu tacão uma malta de fiéis seguidores, que não se importam com sua rabugice e o temem reverencialmente, numa submissão inexplicável para o senso comum.

Poucos são os que ousam enfrentar nos tribunais os membros do clã Ortiz, uma família poderosa política e economicamente, que não tem pejo em tergiversar, em mentir e manipular se for preciso, para alcançar seus objetivos.

Bernardo Ortiz constrangeu o governador Geraldo Alckmin quando este anunciou com pompa que só nomearia para cargos de confiança no governo do Estado quem tivesse a ficha limpa.

O governador não pôde cumprir seu decreto porque o ex-prefeito taubateano sofrera uma condenação pela 7ª turma do Tribunal de Justiça de São Paulo por improbidade administrativa (processo nº 0009527-66.2008.8.0625).

Outro constrangimento provocado por Bernardo Ortiz ao governador tucano foi sua demissão, em março de 2013, após suspensão imposta pela Justiça Cível ao então presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE. (Leia aqui)

O processo nº 0054446-71.2012.8.26.0053 tem como réus o próprio Bernardo Ortiz e seu filho, o atual prefeito de Taubaté, Bernardo Ortiz Junior. Ambos respondem por improbidade administrativa, no caso das mochilas adquiridas pela FDE por R$ 40 milhões de um possível cartel de empresas fornecedoras.

Apesar de todos os desmandos, os adoradores do clã Ortiz ainda são muitos. Humilham-se perante a poderosa família apenas para obter uma boquinha e garantir um salário, por menor que seja, que os sustente.

Gente que trabalhou para a eleição de Ortiz Junior foi posta de lado pelo filho do caudilho, mas jamais abandonaram suas convicções. São capazes de jurar na polícia que não se sentem usados pelo clã.

E conseguem a sua boquinha, por via transversa, nem que seja com o deputado tucano Hélio Nishimoto.