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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PREFEITURA, UNIMED E SINDICATO
ATROPELAM SERVIDOR EM TAUBATÉ

Não se trata de atropelamento no caótico trânsito desta urbe quase quatrocentona. Refiro-me à triangulação Prefeitura-Unimed-Sindicato, unidos para tirar a responsabilidade de um e oferecer lucro fácil a outro.

Vendido” como um bálsamo capaz de resolver todos os problemas relativos à saúde dos servidores municipais e de seus dependentes, o convênio assinado pelo prefeito Ortiz Junior com a Unimed esconde uma maldade com os trabalhadores: agora o funcionário paga por um atendimento que tinha de graça com a Fust (Fundação Universitária de Saúde de Taubaté).

Matéria publicada pelo jornal O Vale em abril do ano passado (leia aqui) mostrava os “benefícios” que seriam obtidos pelos trabalhadores com a nova modalidade de assistência médica.

Um ano e meio depois, o servidor público municipal começa a perceber que, além da Unimed, o grande beneficiado com a alteração foi o Sindicato dos Servidores, que não defende os servidores.

A medida fazia parte do desmanche que Ortiz Junior pretendia com a terceirização da saúde de Taubaté, que seria administrada por OS (Organizações Sociais). Foi impedido pela Câmara Municipal, como pode ser comprovado aqui.

O convênio entre a Prefeitura e a Fust foi cancelado porque a entidade deixou de ser a administradora do HU (Hospital Universitário).

Os R$ 600 mil mensais que a Prefeitura desembolsava para pagar a Fust, sem intermediário, em março de 2013, passou a R$ 700.700,00 mensais.

Eis o pulo do gato: a Prefeitura repassa o valor para o Sindicato dos Servidores, que paga a Unimed a título de subsídio.

Mas isto não é tudo!

Para usufruir dos benefícios “proporcionados” pela Unimed, o servidor necessariamente há que se filiar ao Sindicato.

Se o servidor pagava R$ 20 de mensalidade sindical, agora paga R$ 25, reajuste de 25%, acima da inflação que tem girado em torno de 5 a 6% ao ano.

DESFAÇATEZ SINDICAL

Os servidores municipais foram surpreendidos esta semana com o anúncio do reajuste na tabela de taxas cobradas pela Unimed.

Um cartaz, com as letras verdes da Unimed, sem o logotipo da empresa ou do Sindicato, comunica aos servidores que os novos valores a serem cobrados já estão em vigor e serão descontados no pagamento deste mês.

A desfaçatez é tanta que Sindicato e Unimed escondem dos servidores a real intenção do acordo feito sem o conhecimento dos servidores, sem a realização de assembleia, num total desrespeito ao trabalhador.

Sob o título “Plano de Saúde da Unimed Permanece Ativo”, o cartaz sem logotipo permite dizer que trata-se de documento apócrifo.

O texto é um primor de desfaçatez:

“Informamos (quem informa? – grifo meu) que o Plano de Saúde da Unimed permanece ativo, sem nenhum tipo de alteração no atendimento para os servidores municipais.

Informamos (quem informa? – grifo meu), ainda, que a Unimed, a partir do mês de agosto de 2014, reajustou o plano de saúde que atende os servidores. Esse reajuste corresponde a um acréscimo de R$ 33,20 na mensalidade do plano de enfermaria”

Façam as contas:

Quando o convênio com a Unimed foi assinado, há um ano e meio, a Prefeitura anunciou com pompa que servidores com salário até R$ 1.499,00 nada pagariam pelo convênio.

A partir de agora pagarão R$ 33,20, ou seja, mais de 3.000% de reajuste.

O reajuste linear de R$ 33,20, para todas as faixas salariais, significa reajustes acima dos 9,65% autorizados pela ANS (Agência Nacional de Saúde), que já está acima da inflação.

Por exemplo; quem ganhava entre R$ 1.500,00 e R$ 2.999,00 pagava R$ 49,80 pelo convênio com a Unimed. Passará a pagar R$ 83,00. Reajuste de 66,6%, muito acima da inflação.

Para a faixa salarial de R$ 3.000,00 a R$ 4.999,00, o desconto, que era de R$ 83,00, passa a ser de R$ 116,20. Reajuste de 40%.

Na última faixa salarial, para os que ganham acima de R$ 5.000,00, o desconto passa de R$ 166,00 para R$ 199.20. Reajuste de 20%.

Mais de 70% dos servidores municipais estão na faixa salarial mais baixa (os que ganham até R$ 2.999,00) e caberá a eles pagar a conta pelo desmanche da saúde pública municipal, se quiserem um atendimento teoricamente melhor.

O que faz o Sindicato dos Servidores? Nada!

Por que nada faz? Incompetência? Por que comunicar as novas tarifas com um cartaz apócrifo? Medo de quê? Medo de quem?

REAJUSTE SALARIAL

O Sindicato dos Servidores não mobilizou a categoria quando o prefeito Ortiz Junior sonegou o reajuste salarial aos funcionários em 2013.

O mesmo sindicato ficou praticamente calado diante do reajuste de 10% oferecido aos servidores em fevereiro deste ano, que não repôs as perdas salariais acumuladas de anos anteriores.

Imagine um servidor com salário de R$ 2.999,00 mensais e três dependentes. Para manter o convênio com a Unimed ele terá que desembolsar R$ 25,00 de mensalidade sindical mais R$ 83,00 para cada dependente.

O total chega à exorbitância de R$ 357,00, ou seja, 11,9% de seu salário bruto.

Que tal o Sindicato dos Servidores passar a defender os servidores?