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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A POLÍCIA E A INSEGURANÇA
PÚBLICA DE ALCKMIN

Silvio Prado, professor

Tucano que já botou o traseiro na cadeira de algum governo sabe para o que serve o aparato policial do Estado. Polícia tucana precisa ser tecnologicamente moderna, boa de porrada e muito bem equipada com todos os apetrechos chamados não letais, mas que cegam, aleijam e até matam.

Caso a polícia tucana mate mais do que a previsão e a imprensa não tenha como esconder ou suavizar o fato, sempre se corre o risco de aparecer o secretário da insegurança pública ou o governador dizendo que “só morreu aquele que resistiu” aos afagos de sua tropa de choque.

Quando não dão declarações desastrosas como essa, um deles geralmente convoca a imprensa para dizer que investigações rigorosas estão sendo abertas para apurar os excessos de violência e punir responsáveis, mesmo que nunca apareçam os resultados das investigações anunciadas.

Polícia tucana adora bandido morto e também acha que pobre, principalmente se for preto, é possivelmente bandido que precisa ser corrigido na porrada. Para o pensamento extraoficial tucano, não adianta essa história de direitos humanos, coisa que fica muito bem em países estrangeiros, principalmente se forem do primeiro mundo.

Aqui no Brasil, principalmente no Estado de São Paulo, a ideologia policial tucana coloca os interesses do Estado e do capital acima de qualquer outro interesse. Por isso, todo policial que é policial, com a cabeça completamente militarizada, recebe por extensão a deseducação dada por academias tipo Barro Branco. Depois, junto à população, esse mesmo policial desempenha direitinho o que lhe foi ensinado.

O policial brasileiro, fruto de um país violento, sempre refletiu nas atividades práticas essa violência. Mas, depois, com a ditadura militar e, a seguir, com a ascensão tucana em estados chaves como São Paulo, a polícia brasileira se tornou um braço violentíssimo e perigosamente armado. Contra o povo, é claro.

Portanto, surpresa nenhuma com o caso Pinheirinho, invasão da USP e de tantas outras desocupações e massacres continuados sobre sem tetos, sem terra, ou qualquer manifestação pedindo que a democracia avance pelo menos um milimetrozinho entre nós.

Um só exemplo ajuda a medir bem a extensão da letalidade da polícia tucana paulista: somando as mortes produzidas num só ano pelas forças policiais da totalidade dos estados que compõem a nação norte-americana, elas não chegam, no mesmo espaço de tempo, perto das mortes produzidas pela polícia comandada pelo tucano Geraldo Alckmin.

Concluindo: Lampião, Corisco, Carne Frita e tantos outros cangaceiros que aterrorizaram o Nordeste no inicio do século XX certamente se dariam muito bem integrando qualquer uma de nossas forças policiais, inclusive a de São Paulo. Pelo padrão de violência que produziram, esses chefes do cangaço seriam bem utilizados em tropas de choques, rotas e bopes da vida.

E mais: em razão do desempenho seriam graciosamente condecorados e promovidos. Insinuação maldosa? Não. Basta lembrar que o principal comandante do chamado Massacre do Pinheirinho, ocorrido em 22 de janeiro de 2012, no bairro do Pinheirinho, São José dos Campos, ainda naquele ano foi promovido e homenageado pelo Estado, mesmo que tenha comandado uma operação que desgraçou a vida de quase oito mil pessoas.

Se quiserem outro exemplo absurdo, regressem aos primeiros anos da república brasileira, releiam a tragédia de Canudos e se depare com seus 20 mil exterminados. A polícia de S. Paulo participou desse massacre. Para não esquecê-lo jamais, cravou  orgulhosamente em seu brasão uma estrela para comemorar o fato.

Essa mesma polícia, sob 20 anos de governo tucano, não mudou sua ideologia e até ganhou maior letalidade e disposição para distribuir porradas, onde o capital exigir e o governador mandar. Por isso, se quiserem a continuidade do padrão Alckmin de insegurança pública, vote e reeleja o “home”. O azar é nosso!