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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

AS FRAGILIDADES DE TUCARINA

W. Takafumi, jornalista*

Estamos despertando de um sono letárgico, no qual caímos após a morte trágica e prematura de Eduardo Campos em acidente aeronáutico, que o tirou da disputa na corrida presidencial e deu à Marina Silva o alento que precisava para, valendo-se da comoção nacional em torno do infausto acontecimento, pulverizar a candidatura tucana de Aécio Neves e ameaçar seriamente a petista Dilma Rousseff.

Somente 15 dias após ser alçada à condição de candidata do PSB à presidência da República, partido que não passa de abrigo temporário para a substituta de Eduardo Campos satisfazer seu ego por ter sido preterida por Lula em 2008, que já naquela época preferia Dilma à frágil, ideologicamente falando, Marina Silva. As contradições da candidata são apontadas diariamente, inclusive pelos grandes conglomerados de comunicação, que veem na pessedista uma ameaça real à estabilidade democrática.

Marina não tem programa de governoou explicações para o jatinho sem dono
Marina Silva, como um furacão, deixou um rastro de destruição em seu caminho. Pulverizou as candidaturas de Aécio Neves e do Pastor Everaldo, que a mídia incensava para forçar um segundo turno nas eleições que ocorrerão dentro de trinta dias, acreditando que o tucano chegaria inteiro até lá. A leitura que deve ser feita das pesquisas divulgadas nesta quarta-feira (3) pelo Ibope e pelo Datafolha, não é o estancamento do crescimento de Marina Silva e a permanência de Aécio Neves num reles terceiro lugar. A leitura é outra: não é o crescimento de Dilma. O que vale é a avaliação positiva que os entrevistados fazem de seu governo. A consequência disto é a queda em sua rejeição, inerente para quem é governo seja de que partido for.

Há alguns dias a imprensa registra as fragilidades de Marina Silva. Elas são muitas:1) o jatinho sem dono na campanha do PSB, que caiu e matou Eduardo Campos; 2) o faturamento de R$ 1,6 milhão por suas palestras e a declaração de possuir apenas R$ 135 mil; 3) a submissão ao pastor Malafaia, que é contra o movimento LGBT e o casamento gay e a fez recuar no apoio que dizia dar ao movimento; 4) as críticas do Citi Bank à sua política econômica, favoráveis aos bancos e prejudiciais à indústria, segundo o próprio Citi; 4) a submissão à sua porta-voz, Neca Setúbal, dona do Banco Itaú, que deve R$ 18 bilhões ao fisco e não paga; 5) o apoio do economista André Lara Rezende que, no governo Collor, confiscou a poupança dos brasileiros e, no governo FHC, foi um dos articuladores do desastrado programa de privatização dos tucanos, que entregou a telefonia nacional e  as jazidas de minério de Carajás e a Vale do Rio Doce ao capital estrangeiro; 6) tornar o Banco Central independente, para felicidade dos bancos, que cobrarão juros escorchantes; 7) enfraquecer o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para entregá-las aos bancos pivados, tipo Itaú e Santander; 8) enfraquecer a Petrobrás e a indústria naval brasileira, que voltaram a crescer a partir de Lula e hoje emprega mais de 100 mil trabalhadores e promete empregar ouro tanto nos próximos anos; 9) Reduzir a extração de petróleo do pré-sal (hoje na casa dos 600 mil barris/dia), que deve injetar R$ 1 trilhão, repito, R$ 1 trilhão na educação e na saúde nos próximos 10 anos; 10) o programa de governo de Marina Silva, segundo Aécio Neves, tem boa parte copiado do programa tucano de FHC e parte é copiado da cartilha do Itaú, de Neca Setúbal.

Marina Silva, descobre tardiamente a mídia, é um engodo, um risco para a economia e para as instituições democráticas. Só os ditadores governam sem o parlamento. Governos sem apoio parlamentar caem. O primeiro, no Brasil, foi Jânio Quadros, depois Fernando Collor. Ambos estavam acima dos partidos políticos. Getúlio resistiu às pressões até que se suicidou, em 1954, há 60 anos, portanto. O que veio depois foi a deposição de João Goulart e os governos ditatoriais dos militares, que durou até 1985, contra o qual Dilma lutou de arma em punho, sofreu tortura, foi prisioneira, mas não esmoreceu. Marina Silva, neste quadro, se apresenta apenas como a candidata que a direita crê ser capaz de derrotar a valente Dilma. Marina Silva é o "qualquer um" que pode, mas não vai, derrotar o PT, no dizer de FHC. Marina é apenas um furacão que passou e está perdendo força, até se desmilinguir de vez.