Páginas

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MARINA FAZ BEICINHO, E CHORA

W. Takafumi, jornalista

Senhor W. Tkafumi, o jornalista exaltado
Sou daqueles que acreditam que o homem traça uma linha para a sua vida e dela não se afasta sob nenhum pretexto. Isto vale para ex-comunistas que aderiram à direita ou para quem muda o rumo de sua vida política de acordo com suas conveniências pessoais ou interesses financeiros.

Reconheço que não é fácil manter a trajetória de vida imaginada. Marina Silva, presidenciável do PSB, não manteve o prumo de sua vida política quando nela ingressou pelas mãos de Chico Mendes, nos seringais acreanos. Foi eleita vereadora, deputada e senadora pelo PT. Foi ministra no governo petista de Lula, mas Marina mudou.

Alçada à condição de estrela do conservadorismo nacional e idolatrada pelos banqueiros, Marina Silva era, até alguns dias atrás, a única capaz de impor uma derrota ao governo trabalhista do PT. Já não é mais a queridinha dos brasileiros, graças às incoerências da candidata pessebista, que fala uma coisa pela manhã, outra à tarde e muda tudo o que disse durante o dia à noite.

"Tucarina" fez dura acusação ao PT. Disse que Paulo Roberto Costa foi nomeado diretor da Petrobras pela presidente Dilma Rousseff para "roubar". Recebeu uma saraivada de críticas por sua declaração e inconsistências em seu programa de governo. Entrevistada pelo Estadão, Marina Silva fez beicinho e chorou. Engraçado que há um mês ela sorria no velório de Eduardo Campos, a quem sucedeu.

De sexta-feira (12) a esta data, "blogueiros sujos" e pensadores à esquerda da candidata do PSB desferiram vários artigos criticando a postura "chorona" de Marina Silva, tida como uma jogada de marketing para conquistar os corações de possíveis eleitores. A estratégia de vitimização da candidata não deu o resultado esperado.

Neste final de semana, conversando com minha cunhada e seu marido, que se diziam eleitores de Marina, perguntei o porquê da escolha. "Ah! A Dilma não dá". "Não dá por que?", retorqui. "Tem muita corrupção no governo", responderam. "Então me aponta um caso de corrupção em que a Dilma esteja envolvida. Só um caso", insisti. Silêncio!

O marido da minha cunhada disse que a Dilma é a favor do aborto. Devolvi na hora: "Quando você ouviu a Dilma dizer que é a favor do aborto?", indaguei. Na falta de resposta à minha pergunta acrescentei: "O aborto é previsto em nosso Código Penal desde 1940. Se houver alguma modificação, ela será discutida pelo Congresso Nacional, que pode aprovar ou não o aborto no Brasil. A Dilma não decide sozinha uma questão desta magnitude. O Congresso tem que se pronunciar".

Não quis estragar o almoço dominical com pessoas queridas por mim, mas não pude deixar de dizer que Marina Silva prega um estado fundamentalista, baseado em preceitos bíblicos. Disse que Marina no Poder é um risco social para o Brasil, pois sua campanha eleitoral e seu programa de governo estão dominados pelos banqueiros, com quem ela tem compromisso.

O discurso anti-Dilma e anticorrupção é o que ela houve na igreja (evangélica) e repete como se fosse um mantra. Sugeria que o simpático casal fizesse uma reflexão sobre corrupção no Brasil. Lembrei-lhes que Lula e Dilma deram autonomia para a Polícia Federal investigar (foram mais de 1200 inquéritos e mais de 1.500 prisões efetuadas sob os governos do PT), e que jamais varreram para debaixo do tapete as denúncias de corrupção em seus governos, como fez FHC em oito anos de governo.

Agora, "tucarina" chora e faz beicinho diante das câmeras cinematográficas e fotográficas. É um choro fingido. Não tenho pena de Marina. O Brasil não pode ser entregue de mão beijada para os banqueiros e os fundamentalistas cristãos.

Não voto Marina (não sou louco!)