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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MARINA, QUE VERGONHA!

Silvio Prado, professor

É vergonhoso ver lideranças que nasceram das lutas populares tomar o partido daqueles que antes, pela sua própria boca, eram classificados como opressores e exploradores dos mais pobres e oprimidos!

Por isso, é importante perguntar: pode aqueles que sempre foram poderosos
e igualmente ricos, e vivendo sempre da injustiça, ter interesse em acabar com a opressão e a exploração?

Para que alguns vivam em palácios, inevitavelmente torna-se necessário que milhões suportem a desgraça de viver em barracos. E para que alguns poucos possam ter privilégios, milhões precisam perder direitos. Não é mais assim?

Para que uma minoria possa viver livremente no mundo encantado da riqueza excessivamente concentrada, alguns milhões de desgraçados são inevitavelmente jogados sob as grades da miséria. Essa lógica já não mais impera na sociedade selvagem em que vivemos?

Todos sabem que a lógica do capitalismo não funciona se não houver brutal opressão e exploração. Tal sistema não comporta nem milagre e nem conversão. Portanto, o banqueiro nunca vai pensar no bem estar do bancário e os acionistas da montadora vão desferir imediato pontapé no traseiro do operário quando pintar o primeiro sinal de crise.

Entre quem explora e quem é explorado, não existe compatibilidade alguma, pois a riqueza que sobra em poucos lugares, os fatos provam, foi arrancada brutalmente da vida miserável de muitos.

Mesmo sendo tudo tão claro como a luz do dia, sempre aparece alguém disposto a anunciar o futuro milagre da conciliação entre o banqueiro e o bancário, entre o patrão e o empregado, entre aquele que explora e o que segue explorado.

Hoje, no Brasil, a fala mansa de Marina Silva trombeteia essa conciliação absurda. Ambientalista e gente do agronegócio, promete ela, vão sair de mãos dadas lutando pela sustentabilidade. Miseráveis de todo tipo se sentirão fartos com os lucros do banco Itaú. Torturadores das forças armadas, depois da matança que fizeram, serão definitivamente compreendidos pelos que sonham abrir arquivos da ditadura e resgatar a dignidade de seus mortos.Usando as leis criminosas do mercado, Marina promete acabar com as desigualdades sociais no Brasil. Enfim, é o fim das contradições e a instalação do paraíso bíblico!

É por demais vergonhoso constatar que uma liderança, nascida das lutas populares e que passou grande parte de sua vida sob opressão e miséria( e lutando tenazmente contra a opressão e a miséria), agora tenha se encantado com o projeto dos poderosos e se disponha a arrastar para os abismos de sua mentira milhões de pessoas que sinceramente desejam mudanças.

Marina Silva, talvez mais do que Jânio e Collor, é uma fraude completa, embasada profundamente por um triplo messianismo, o religioso, o político e o econômico.

Se deixar, ela anda sobre as águas, multiplica pães e peixes e semeia indescritível fartura com a dinheirama que o Itaú e a Globo, depois de sua eleição, vão depositar espontaneamente nos cofres da Receita Federal.

Com a mentira pregada para unir os contrários e soldar os opostos, ela ameaça interromper a trajetória de avanços sociais e políticos dos últimos anos e jogar o país num retrocesso.

Diante de tudo isso, nossa única segurança é constatar que Chico Mendes, devidamente promovido por Marina, passou, felizmente, a ser agora um quadro a mais de nossa compreensiva elite.