Páginas

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

TUCANAGENS

Silvio Prado, professor

Pesca tucana – 1

Político tucano é assim mesmo. Não dá a vara nem ensina a pescar. Se deixar, ele faz até pior: manda confiscar a vara da pesca e cria dificuldades para quem sabe ou deseja aprender a pescar.
E mais: se não houver jeito, muda o curso do rio ou canaliza o mesmo para que não haja lugar disponível nem incentivo a sonhos que pareçam possíveis. Quando nada disso resolve, polui o manancial ou mata a água na própria nascente. Sem rio e sem água,
ele concretiza a falsa ilusão de que não existe razão para ensinar a pescar.

Gente bem nutrida e cheirosa – 2

Tucano é um bicho, ou seja, um político nada nada engraçado. No fundo da alma carrega o desconforto de ter nascido num país como o Brasil. Se pudesse, faria um decreto e trocaria de povo. Como seria bom para o político tucano ter de pedir voto em países como a Holanda, Japão, França, onde existe uma certa uniformidade étnica e a miséria nem de longe existe!

Fora das eleições, ele não quer na sua frente nada de gente parecida com o brasileiro, essa mestiçagem avassaladora que, segundo muitos tucanos, não deu certo e resultou em gente que fica o tempo inteiro enchendo o saco pedindo coisas que só servem para gente do primeiro mundo, como escola de qualidade, saúde, trabalho bem remunerado, polícia que não lembre jagunço fardado e governantes que prestem contas do dinheiro da população.

Porém, que fazer se a “tragicidade do destino” fez com que essa gente bem nutrida e cheirosa nascesse por aqui e, por nossas vielas, sertões, favelas e bairros miseráveis, são obrigados, de quatro em quatro anos, a desvestir a roupa importada, estragar o perfume, e sair suplicando ao inimigo, o povo, que lhe dê nova chance de suportar a deliciosa contradição de detestar o Brasil mas não saber viver sem dele arrancar fortunas que sustentam seus privilégios.