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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A VEJA
E SUAS "DENÚNCIAS" DE CORRUPÇÃO

Vinícius Cesca*

A Veja se especializou em criar factoides em período eleitoral. A última capa da Veja antes do segundo turno já é algo tão folclórico quanto o último debate na Globo. É o desfecho clichê que todos sabem que vai acontecer.

O estarrecedor é que há gente que, de forma absolutamente acrítica, compra como verídico o que o folhetim veicula, sem se perguntar se aquilo é verdade ou não, sem sequer analisar se é verossímil ou não. Suspeito que teriam acreditado também no "boimate".

Vejamos alguns motivos para questionar a penúltima tentativa da Veja de manipular o processo eleitoral a seu favor:

1) A Veja adiantou a publicação da revista, exatamente para ver se criava algum impacto no processo eleitoral. Primeiro ponto: que interesse específico a Veja tem de querer favorecer um determinado candidato? Faz isso por afinidade? Por interesse econômico? Por ambos?

2) Tem-se uma denúncia, sem provas, de fonte desconhecida, afinal se trata de processo sigiloso, de acesso restrito. Segundo ponto: quem está vazando informações de um processo sigiloso e por qual razão? Ninguém faz isso de forma desinteressada. Qual o interesse?

3) O juiz que conduz o processo é próximo dos tucanos do Paraná, incluindo aqueles que se especializaram em disseminar mentiras e baixarias nas redes sociais, o Álvaro Dias e o Fernando Francischini. Terceiro ponto: estaria aí a pista de onde está partindo o vazamento das informações?

4) O juiz que conduz o processo já foi indicado, em lista tríplice da Associação dos Juízes Federais, para ocupar uma vaga no STF. Sendo próximo dos tucanos do Paraná, é fácil concluir que suas chances de ser indicado ao tribunal aumentariam se o Aécio vencesse a eleição. Quarto ponto: o juiz age então em benefício próprio? Age por interesse pessoal, buscando criar condições que favoreçam o candidato que poderia vir a lhe retribuir o esforço depois?

5) Mais grave: tudo sugere que a denúncia sequer realmente existiu. A revista que veiculou a denúncia sem provas de fonte desconhecida informa que um advogado do denunciante estaria presente no momento do depoimento. Toda a equipe de advogados do suposto denunciante afirma que não ouviu nada com o teor da suposta denúncia veiculada. Quinto ponto: a denúncia realmente existiu ou a Veja fabricou deliberadamente mais uma mentira? Lembram do grampo sem áudio?

6) Há ainda o caráter seletivo das supostas denúncias. Ou a Veja deu capa pra denúncia de que o presidente do PSDB desviava dinheiro da Petrobras para financiar as campanhas tucanas? Se isso ajudou a financiar a campanha do Serra em 2010, teria o esquema sido interrompido ou a campanha do Aécio também tem dinheiro desviado da empresa? Sexto ponto: qual o interesse da Veja em divulgar denúncias apenas contra um determinado grupo político?

7) A relação da Veja com o PSDB não é apenas de afinidade ideológica, é econômica. A Editora Abril recebeu, nos últimos anos, R$52 milhões do governo tucano em SP, para fornecer revistas para as escolas paulistas. Sétimo ponto: então a Veja age em interesse próprio? Busca criar elementos para favorecer o candidato que poderia depois lhe retribuir financeiramente o esforço realizado?

8) Alguém se lembra que o mesmo doleiro que aparece nesse processo é aquele que foi pivô do escândalo do Banestado, no auge da privataria tucana, que teria resultado em um desvio de R$124 bilhões? Oitavo ponto: por que a Veja omite que o doleiro tem uma longa relação de cumplicidade com o PSDB? Será que é por que isso afetaria, de imediato, a credibilidade do que é dito?
E como é que se chama quando um veículo de comunicação pode ter inventado deliberadamente mais uma mentira, selecionado alvos específicos e meticulosamente escolhido alguns elementos e ocultado outros exatamente para atingir apenas os alvos desejados, quando todos os envolvidos, incluindo a própria revista, parecem ter interesses particulares (políticos, ideológicos, de status ou econômicos) em jogo?

*Extraído do Facebook