Páginas

terça-feira, 21 de outubro de 2014

LIÇÕES DE ORWELL: MANIPULAÇÃO
TELEVISIVA E CONSERVADORISMO

Rodrigo Viana de Lima*

Quem somos? Somos estudantes. Somos trabalhadores. Somos parte da sociedade. SOMOS CIDADÃOS BRASILEIROS.

A experiência da vida é uma eterna mutação, seja genética, de opiniões, de consciência, de posição econômica, política ou religiosa. No entanto, o trato com o pensar nos faz refletir: Uma sociedade ideal se faz para cidadãos ou por cidadãos? A busca por uma resposta nos arremete a uma ambiguidade sobre o social.

Pensemos: muitos de nós não nos importamos com as mudanças das condições que nos são impostas (por manipulação). Esta constatação nos impôs uma questão - o que deixaremos de contribuição às próximas gerações?

Dizer que essa aversão a assuntos relacionados à política faz parta da cultura do brasileiro, é uma falácia. O que há é um hábito transformado e não cultura de um povo.

Esse ano tem sido propicio para observação e análise dos diversos instrumentos utilizados para a manipulação. Mesmo os mais atentos encontraram dificuldades em perceber a manipulação velada. Uma vez que os manipuladores evoluem suas táticas, turvando os olhos dos observadores.

A falácia é a ferramenta mais utilizada para se vender o lobo como se esse fosse cordeiro, o problema é que levamos esse lobo, já que sua fantasia é tão bem produzida que realmente engana.

Para que se alcance a sobriedade, se faz necessário arrancar os tampões que ensurdecem e espantar a névoa que turva os olhos. Só assim será possível identificarmos o lobo.

É necessário que identifiquemos o lobo entre os cordeiros, os sofistas entre os filósofos, como dizia Platão. Para isso, é importante que eliminemos os discursos falaciosos, pois esse é a fantasia do lobo.

Chegarmos a esse ponto – de eliminação do discurso falacioso – não é tarefa fácil, muito pelo contrário, é uma tarefa árdua, já que, enquanto evoluímos, os discursos também acompanham essa evolução. Segundo Heidegger, o homem é um ser de linguagem.

Portanto entendemos que a falácia não será totalmente eliminada. O que vai mudar é a força manipuladora dessa ferramenta. Passaremos a identificar o lobo com mais facilidade, mesmo este aperfeiçoando sua fantasia.

O escritor George Orwell, autor da obra 1984, escrita em 1949, portanto, há sessenta e cinco anos, nos brinda com um fenômeno, para ele aterrorizante: a teletela (a TV atual – nota do blog).

O autor relata sobre o futuro. Tudo se passa em Novafala (nome fictício da cidade). Os cidadão são obrigados a ter em suas residências uma teletela, aparelho eletrônico que não podia ser desligado e que transmitia os pronunciamentos necessários aos cidadãos de Novafala.

Era sabido pelos cidadãos que a teletela tinha poder de ver e ouvir as pessoas, era praticamente impossível escapar da teletela. Por toda a cidade havia um pôster de mais de 1m² com o rosto de um homem conhecido como o Grande Irmão, e uma frase dizendo: “O grande irmão esta de olho em você”.

Essa figura era uma espécie de mentor intelectual e espiritual de Novafala. Todos os dias era transmitido o ódio, programação que apresentava Goldstein como o inimigo numero um do povo.

Winston, personagem principal da obra, ouve de O’Brien – personagem do alto escalão de Novafala – “Não estamos interessados no bem dos outros; só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade; só o poder pelo poder, poder puro.”

É realmente espantoso, a premonição que teve George Orwell ao escrever esta obra tão atual. Se pensarmos em todo o avanço tecnológico dos nossos dias, quem nos garante que nossa teletela atual não cumpre o mesmo papel que o da ficção.

Como escapar dessa teletela se ela não pode ser desligada e muito menos retirada? O personagem encontra uma saída para identificar todas as falácias proferidas e a partir daí apresenta aos que o cercam como identificar o lobo.

As forças mantenedoras deste nefasto aparelho que a todos domina não se entregarão sem antes lutar. Tentarão convencer a todos dos benefícios de suas transmissões, farão uso dos recursos mais obscuros em busca de ludibriar quem se interessar por abandonar essa nefasta névoa.

Assim já o fizeram: ao usarem de arcabouços nocivos aos que se atreveram a desligar seu aparelho. Lançam-se como anunciadores da “salvação” para com isso impedir que seus aparelhos sejam desligados.

Com tudo compartilhado, devo alerto aos cidadãos que estejam preparados para as investidas dos mantenedores da nossa teletela, que terão um único objetivo, entorpecer os que se dispuserem a não aceitar o lobo como cordeiro.
Identificar o lobo é essencial para manter as ovelhas. Uma boa eleição a todos.

*Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)