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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

LOBO NÃO PODE PASTOREAR OVELHA

Rodrigo Viana de Lima*

Como dissemos no artigo anterior "Lições de Orwell: manipulação televisiva e conservadorismo" esse ano, em especial porque escolhermos quem será nosso(a) presidente para próximos quatro anos, tem favorecido a reflexão sobre como somos manipulados pelos veículos de comunicação.

Uma vez que esses veículos se utilizam da falácia a fim de alcançarem seus objetivos, devemos estar cada vez mais atentos para os belos discursos, que se utiliza de jargões para nos envolver e nos hipnotizar. Uma vez hipnotizados, estamos longe de agir com a razão, deixamos o lobo pastoreando as ovelhas. Para que não sejamos hipnotizados é preciso, segundo Kant, que levemos o discurso falacioso ao tribunal da razão pura.

Os principais veículos de comunicação apresentam sua força hipnotizadora a todo o momento. Quem tem mais de 15 anos de idade deve se lembrar do corte de cabelo que o jogador Ronaldo fenômeno apresentou na final da copa de 2002. Virou febre. Uma grande parte da população (entre crianças e adultos) seguiu o “ídolo” no corte de cabelo.

O simples fato de querer se parecer com o ídolo não é o problema. O problema está na criação do ídolo. Um ídolo forjado pelos veículos de comunicação. O Brasil, por ser considerado o pais do futebol (em minha opinião outra falácia) nada melhor do que criar um ídolo que venha do futebol. Não estou entrando no mérito da competência futebolística do citado. Estamos apresentando a ação manipuladora na forma como ela acontece. Já que o ídolo deve ser natural e não criado.

Voltando à disputa eleitoral desse ano, é possível identificar a máquina manipuladora em ação. Uma simples observação deixa claro que os manipuladores não medem esforços para alcançar seu objetivo (a última edição da revista semanal Veja é um exemplo – nota do blog). Quem acompanha os telejornais, quem se atualiza por jornais, revistas ou internet (sites como UOL, globo.com) já deve ter observado que esses veículos não apoiam o atual governo.

Aqui entra a falácia seguida da manipulação. Se julgarmos o atual governo pelo tribunal da razão pura, observaremos que estamos sendo manipulados. Uma vez que não são noticiadas os benefícios promovidos pelo atual governo. Aos s olhos dos cidadãos elas não existem. É transmitido ao povo (sobre o atual governo) só o que é de interesse dos falaciosos.

 

Quando o candidato da oposição aparece em seu programa dizendo: que o Brasil cresceu só X por cento. Ele comete dois erros. Primeiro: ele parte do principio que a população não vai entender o que significa esse índice de crescimento (faz uso do discurso bonito para enganar), já que a população brasileira não é formada por economistas e mesmo que o fosse seria necessário ter acesso a todas as negociações para saber se o crescimento foi bom ou ruim. Segundo: ele omite da população que o crescimento X do país é maior que de muitos países importantes da Europa e o dos Estados Unidos. Portanto seu discurso é falacioso.

 

Quando o candidato diz que vai pedir o fim da reeleição, ele não diz à população que foi seu partido enquanto governo que criou a reeleição (a que custo não sabemos, já que a imprensa não nos explica), ele não diz que não se governa sozinho que é fundamental que se forme alianças.

 

Quando o candidato da oposição cobra da candidata da situação que explique sobre a corrupção em sua gestão, ele engana a população por não esclarecer que as investigações ainda não foram finalizadas, portanto não é possível um posicionamento, mas o candidato utiliza dessa falácia para atribuir culpa a quem não tem culpa.

 

Em uma família onde os pais são de reputação ilibada, seus filhos formam alianças (casamento) com outros, o que os tornam parte da família. Em algum momento da vida as pessoas que vieram a fazer parte da família se corrompem. Os pais que tem reputação ilibada não têm a obrigação de saber dos desvios de seus filhos e conjugues. Esses são os últimos, a saber. A declinação dos filhos não mancha a reputação dos pais que por sua vez continuam sendo ilibados.

 

A corrupção é o câncer do mundo. O homem (gênero de espécie) não nasce corrupto, segundo Kant. Durante sua vida ele declina para a corrupção, essa seduz o homem, seja pela ganância ou pela simples vontade de poder. O homem mostra seu caráter ao resistir a essa sedução.

 

Essa é a diferença principal entre os candidatos.

 

Enquanto a candidata da situação tem membros do seu partido investigados por declinarem ao câncer do mundo (o que não mancha sua reputação), o candidato da oposição é o principal investigado por atos de corrupção praticados em seu estado durante sua gestão.

 

Isso é o que a nossa teletela (referencia ao artigo anterior aqui publicado) não mostra.

 

Uma boa eleição a todos!


*Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo.