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terça-feira, 7 de outubro de 2014

“NADA ME ESTRANHA”

Alfredo Luiz, colaborador

“Sou um homem: nada do que é humano me é estranho”, Publio Terêncio Afro (aproximadamente 150 A.C.).

Concordo com a frase acima.

Gostaria de associá-la com aquela passagem do novo testamento que diz: “hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão” (Mateus 7:1-5 e Lucas 6:41-42).

A partir dessa sabedoria ancestral, concluo que não devo criticar no outro os erros humanos e que nenhum de nós está livre de cometê-los.

Basear um discurso na moralidade é irracional, hipócrita e demonstra um comportamento reacionário.

Nesse momento importantíssimo para o Brasil, em que nossa decisão de voto irá influenciar o futuro do país, acho muito pobre a discussão sobre questões morais.

Prefiro aceitar que todos nós somos falíveis.

Além disso, como é necessário um grupo grande de pessoas para dirigir a complexidade que é o Governo Federal, imaginar que é possível reunir um grupo de infalíveis não é só um sonho, é um devaneio.

Existem erros pessoais em qualquer grupo humano, inclusive em partidos políticos, sejam de direita ou de esquerda.

Não é possível escolher entre bons ou maus. Somos todos, potencialmente, bons e maus (uns mais que outros, concedo). E em todo grupo sempre existirão bons e maus.

Portanto, para basear nossa escolha temos de olhar para o que não é humano.

As ideias não são humanas! Elas são abstrações elaboradas pelos humanos, mas possuem características perenes, imutáveis, consequentemente, não humanas (mortais e falíveis que somos). A frase acima, por exemplo, tem milhares de anos!

A ideologia, no sentido neutro de conjunto de ideias, é a única forma de identificarmos projetos políticos que mais nos agradem ou que projetem um futuro que mais se assemelhe ao do mundo que desejamos.

E existe ideologia nos partidos brasileiros que concorrem à presidência em 2014, no segundo turno.

Muitas diferenças e semelhanças existem entre os dois projetos.

Ressalto uma característica, que a meu ver, confere maior distinção entre os projetos e que podem proporcionar maior efeito prático na vida da maioria dos brasileiros.

O projeto de Dilma prega que o Governo tem a função de intervir para garantir a diminuição da desigualdade, é um projeto que valoriza o coletivo. No projeto da oposição a ênfase é dada na diminuição da interferência do Governo como forma de promover o desenvolvimento, é um projeto que valoriza o individual.

É o famoso dilema: enquanto o PT defende que o bolo deve ser dividido antes e que isso promove o desenvolvimento para todos, a oposição defende que o bolo deve crescer primeiro para só depois ser dividido.

Por fim, peço aos eleitores que não votaram em Dilma no primeiro turno, para que pensem sobre que mundo desejam, assumam sua preferência pelo coletivo ou pelo individual e votem em projetos ideológicos que os representam.