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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

NOTA OFICIAL DE SÃO PEDRO
SOBRE A CRISE DE ÁGUA EM SÃO PAULO

Silvio Prado, professor*
Ainda ontem São Pedro
Em uma nota oficial
Disse que fez sua parte
E nada fez de anormal
No que se refere às chuvas
E a todo manancial
Que diariamente abastece
O Estado e a capital.
Não tenho culpa, diz ele,
Se o povo paulistano
E também todo paulista
Insuficientes em tutano
Escolhem para gerente
Isso há quase 20 anos
Gente que só desgoverna
Conforme o ideal tucano.
Quem tem governo assim
Vive num eterno atropelo
Tendo nada que demonstre
Algum mínimo de zelo
Pelo bem estar do povo
Tratado como camelo
Ou feito burro de carga
E lombo quase sem pelo.
Por isso aqui no Céu
Eu trago já registrado
Desvios e desacertos
E o que tem provocado
Falta d’água escandalosa
E um povo desnorteado
Enquanto na indiferença
Vive o governo do Estado.
Como dito anteriormente
Reafirmo sem engano
Nada disso surpreende
Mesmo sendo tão insano
Pois a coisa vem de longe
E atravessando os anos
Prova com fatos reais
O quanto lesivo é tucano.
Um dia, pode esperar
Mando chuva de primeira
Com ventos da Amazônia
Trazendo nuvens inteiras
Água inundando tudo
E enchentes costumeiras
Encharcando o fundo seco
Do Complexo Cantareira.
Porém para que aconteça
Fato assim tão aguardado
Exijo que seja cumprido
Tudo o que foi acertado
Respeitando mananciais
E rios tendo do Estado
Proteção nas cabeceiras
E matas por todo lado.
E se existe uma empresa
SABESP tão poderosa
Necessário é que a mesma
Gaste menos com sua prosa
Com verba publicitária
E propaganda enganosa
E ponha de lado acionistas
Gente apenas gananciosa.
Pois se tudo funcionar
Conforme quer o cidadão
E o governo então resolva
Encontrar uma solução
Todo o lucro da SABESP
Não será um lucro em vão
Se ele não for embolsado
Por acionista ladrão.
Pois a SABEPS alimenta
Um caminhão de vadios
Gente fina engravatada
Investidores tão frios
Acionistas da mentira 
Indiferentes aos rios
E a todo manancial
Que hoje estão por um fio.
Submisso a essa gente
Está Geraldinho tucano
Que venceu outra eleição
Ganhando mais quatro anos
Para emburrecer o povo
E inventar outros danos
Pois se assim não fizer
Para que serve um tucano?
E aqui de cima eu vejo
Uma verdade que alucina
Injustiça indisfarçável
Que parece não termina
Pois enquanto falta água
Na casa pobre da esquina
O rico sem perder nada
Mantém cheia sua piscina.
Se o pobre anda sofrendo
Sem o seu banho diário
E até escovar os dentes
Deve custar-lhe o salário
Nos Jardins sobram piscinas 
E por certo tem armário
Cheio de água importada
Para saciar milionário.
E finalizou S. Pedro
Em sua nota oficial 
Que o que falta em S Paulo
É provoca tanto mal 
São governos divorciados
Da velha questão social
E diz torcer pra que a sede
Não vire questão policial
Não duvide, disse ele,
Pondo fim em sua nota
Se a paciência do paulista
Um dia acaba e se esgota
E saindo ele pra rua
Vai se chocar com mil botas 
Com Alckmin lhe dando água
Pelos camburões da ROTA.
*Professor da Rede Estadual de Ensino