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terça-feira, 14 de outubro de 2014

O PSOL (DE TAUBATÉ) E O 2º TURNO

O segundo turno das eleições presidenciais exige do Psol posturas claras e bem definidas quanto aos dois candidatos que postulam a presidência da república. Em nota oficial, a Direção Nacional do partido posicionou-se contrariamente à candidatura de Aécio Neves elencando características danosas que o projeto desse candidato tem para os trabalhadores brasileiros.

Verdadeiramente, Aécio significa uma volta imediata ao passado e a retomada literal dos projetos do governo Fernando Henrique Cardoso, extremamente neoliberal, autor de privatizações imperdoáveis, política econômica marcada pelo desemprego, abertura indiscriminada para o capital estrangeiro, acordo para ceder a Base de Alcântara, Maranhão, ao exercito estadunidense, repressão aos trabalhadores, inclusive com massacres de sem terras, política externa fincada nos interesses dos EUA e alheia aos países da América Latina e do continente africano.

De fato, os anos FHC devem ser entendidos como a era em que se procurou destruir direitos conquistados durante décadas através de duríssimas lutas travadas pelos trabalhadores brasileiros. FHC cumpriu parcialmente o que propôs fazer com a herança da chamada Era Vargas. E, não fosse a resistência dos trabalhadores, teria privatizado muito mais e afundado o país de forma irreversível nos abismos neoliberais.

A partir de 2002, com Lula, e, depois de 2010, com Dilma, o PT não levou à frente as reivindicações contidas nos movimentos sociais e nas mais variadas intervenções dos trabalhadores. O governo Lula/Dilma não significou a realização dos anseios da classe trabalhadora. Este governo, não se dispondo a enfrentar o capital como devia deixou a desejar. Não fez as reformas históricas exigidas pela classe trabalhadora, como a reforma agrária e nem colocou freios no processo de privatizações. Nesse processo, não avançou tanto como queriam os grandes grupos privados, mas também não colocou o estado a serviço da população.

Se o governo petista não fez a reforma agrária, também deixou de fazer reformas que sobretaxassem as chamadas grandes fortunas, não mexeu uma virgula no poder desmedido e antidemocrático da mídia e, apoiado na Policia Federal, fez com que o DENTEL fechasse em torno de dez mil rádios comunitárias e, numa brutal ação contra o direito de comunicação, enquadrou inúmeros proprietários de rádios comunitárias no crime de formação de quadrilha.

Sem políticas que levem ao rompimento do poder excessivamente concentrado das elites, o PT se esmerou em políticas públicas apenas compensatórias que, num eventual quarto mandato, precisam ser rompidas para dar lugar a mudanças estruturais que coloquem a população como verdadeira protagonista de um governo popular. Por isso, é necessário que ao invés do Bolsa Família, por exemplo, aprofunde-se a criação de empregos e maior distribuição de renda, tudo complementado por políticas públicas que protejam de fato a criança, a mulher e a família.

Se 18 novas universidades foram criadas, o PT precisa fazer muito mais, rompendo com a compra de vagas nas universidades privadas e colocando as imensas fortunas que sustentam os barões do ensino na ampliação de uma rede de universidades que de fato estejam a favor da formação humana e cultural da juventude brasileira.

Da nossa parte não é possível, neste segundo turno, um voto cego e automático na candidata petista. Por outro lado, também entendemos que, mesmo havendo identidade entre muitos pontos entre petistas e tucanos, o voto em Aécio significa perigosamente investir naquilo que o pais têm de pior. Não é por acaso que, no correr da semana, logo após a confirmação de Aécio para o segundo turno, ocorreu uma explosão de pronunciamentos racistas nas redes sociais, com eleitores do tucano cometendo crimes abomináveis contra negros e nordestinos. Também, a onda evangélica conservadora, na figura horrenda do pastor Silas Malafaia, veio a público pedir votos para Aécio. O próprio Fernando Henrique Cardoso tirou os freios da língua e desclassificou os eleitores mais pobres que “morando nos grotões” do país se atreveram a votar em Dilma.

É preciso deixar claro que o PSOL entende as limitações do processo eleitoral e que o centro das mudanças que precisam ocorrer no país passa pela força acumulada das organizações populares e por um processo de mobilização que confronte e derrote, nas ruas, a elite brasileira, cada vez mais comprometida com o capital internacional e, fazendo jus a sua história, divorciada completamente dos interesses nacionais.

E a realidade comprova que o trabalhador brasileiro entendeu perfeitamente o processo que o levará a um pais verdadeiramente democrático e seu, com as inúmeras greves e mobilizações que ocorreram no país e que, mesmo com resultados muitas vezes insuficientes, indicam que a organização e mobilização são os melhores caminhos e o verdadeiro campo de luta de onde os trabalhadores podem garantir seus direitos e conquistar tantos outros.

Mesmo assim, neste documento, consideramos a importância de um voto declarado da militância do PSOL à candidatura petista. Votar em Aécio é apostar no aprofundamento do conservadorismo e na consagração de práticas que reforçam a homofobia, estimulam o fundamentalismo religioso, fecham ainda mais as portas para a investigação e punição dos crimes da ditadura militar, isso sem contar que o guru econômico de Aécio, declarou que o salário mínimo está bem maior do que devia, afirmação que vai de encontro aos interesses do grande empresariado brasileiro que precisam do aprofundamento da miséria para perpetuar seus ganhos.

Por outro lado, votar nulo no segundo turno é o mesmo que fazer de contas que não temos responsabilidade com o futuro do país. No futuro, enquanto partido, é preferível a critica pelo que se cometeu do que a crítica pela omissão irresponsável de não ter percebido a gravidade com que os fatos estão se dando nestes primeiros dias do segundo turno. Todas as forças do reacionarismo estão em torno de Aécio e, uma possível vitória tucana, trará ao futuro do país contornos bem piores do que aqueles vistos no governo FHC.

Votar na candidatura petista, sem abandonar a luta popular, intensificando o processo de mobilização e também a organização partidária, acreditamos ser o caminho mais responsável e sensato para militância do PSOL. Mas o nosso voto é crítico e não tem compromissos com barganhas de cargos ou vantagens negociadas nas sombras dos bastidores. A vitória de Dilma não tirará o PSOL da luta social de todo dia. Não afastará um militante das frentes de luta assumidas pelo partido juntamente com estudantes, donas de casa, sem terras, sem teto e tantos outros setores que, diariamente e sem descanso, lutam para aprofundar a democracia no Brasil e fazê-la, rapidamente, caminhar na direção de uma sociedade igualitária e socialista. A continuidade do governo petista não impedirá, agora com mais força, a retomada da oposição de esquerda. Derrotar a direita nas ruas e nas urnas e, pela mobilização, forçar o PT a assumir compromissos reais com uma verdadeira transformação do país.

Taubaté, 11 de outubro de 2014

Assinam este documento
Fernando Borges
Jenis de Andrade
Silvio Prado
Alex Freitas
Direção e núcleo de Natividade da Serra
Direção e Núcleo de Taubaté