Páginas

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SHAKESPEARE TINHA RAZÃO

Celso Brum, sociólogo

(Publicado originalmente no Diário de Taubaté)

Observando a votação obtida pela candidata da esquerda possível (Dilma Rousseff) e a votação dada ao candidato da direita (Aécio Neves) pude constatar o óbvio: que os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores são, sobretudo, raros. Mas não fico aborrecido, porque sei que os vanguardistas da civilização são mesmo raros. Aos raros posso dizer: “Não desanimem. Os raros estão em boa companhia. Pois as grandes conquistas da civilização foram alcançadas justamente pelos raros”.

É bem verdade que frequentemente os raros são perseguidos (Galileu Galilei), queimados vivos (Giordano Bruno) ou decapitados (Thomas Morus). Mas quem disse que ser raro é confortável? Quem quer conforto, seja um direitista.

As palavras acima não são de um comunista que não fui, não sou e não serei. Considero o comunismo (e o socialismo) uma utopia, tendo-se em vista a natureza humana, tão egoístas somos. Mas, é interessante ler os Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 44 e 45, para saber como viviam os primeiros cristãos: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um”. Portanto, não foi sem motivo que Jesus foi crucificado e os cristãos jogados para os leões. E, 2.000 anos depois, é interessante ver como pensam, como agem e como sentem os cristãos de hoje. A julgar pelas manifestações de muitos cristãos nestas últimas eleições parece que ainda não deu tempo de serem assimilados os belos princípios do Cristianismo.

Mas feita a necessária introdução, voltemos ao assunto do momento, qual seja o resultado das eleições gerais do Brasil.

Antes, porém, faz-se necessário justificar esta rápida incursão em temas religiosos, linhas acima. É que o direitismo brasileiro assumiu proporções nunca vistas e estão sendo praticadas atitudes de feroz preconceito contra os pobres e contra nossos irmãos nordestinos e nortistas. Algo nojento, que bem retrata o atual estágio do que, conceitualmente, foi, um dia, chamado de cordialidade do povo brasileiro.

Agora, sem mais delongas, as eleições.

Dilma foi a vencedora. Era o esperado. A margem estreita da vitória se explica pelo golpe de última hora, perpetrado pela revista Veja e repercutido pela poderosa emissora de TV, em seu principal telejornal, na véspera das eleições. Dilma perdeu de 3 a 5 pontos por causa disso. Além disso, pode-se ter a certeza que tanto Henrique Alves, como Delcídio Amaral, candidatos ao governo de seus estados, também foram derrotados pelos estratégicos e selecionados vazamentos de uma investigação sob segredo de justiça. E aqui cabe uma pergunta: Por que segredo de justiça? Simplesmente porque, quando instaurado o processo, as pessoas acusadas poderão se defender. E então, as provas, se houverem, terão sido apresentadas. As acusações vazadas ferem o direito das pessoas acusadas, como aconteceu com a ex-ministra Erenice Guerra, em 2010 (também estrategicamente às vésperas das eleições). Lembrando-se que as acusações contra Erenice Guerra eram falsas, como se verificou posteriormente.

As eleições de 2014 dividiram o Brasil? - Não e as alegações dos inefáveis analistas da grande imprensa, como sempre estão erradas. A divisão do Brasil, que existe, antecede as eleições de 2014. A divisão é: a direita contra o povo. E esta divisão é estimulada pela “grande imprensa”, desde 2003, na sua sanha antipetista, movida por ódio dissimulado e preconceitos explícitos.

Não é de agora o ódio de apartheid da direita contra o PT, contra os pobres e contra nossos irmãos do norte-nordeste. É que os pró-fascistas não admitem que o povão seja senhor do seu destino e de sua história. Em tempo: no passado, a divisão era entre casa grande e senzala e era mantida pelo chicote. Os pró- fascistas de hoje sentem saudade desse tempo gentil.

O 2º mandato de Dilma será mais fácil ou mais difícil? Como sempre, será difícil. Não vai ter moleza: Parece que o novo Congresso está mais endireitado. Com a “grande imprensa”, mais os direitistas alucinados, mais os pró-nazistas, mais os pró-fascistas, sob o olhar cândido dos direitosos, a tentativa de 3º turno (golpes e golpetes de toda ordem) será permanentemente buscada.
E que ninguém tenha ilusões: direitistas não estão preocupados com o Brasil e menos ainda com os brasileiros. Eles querem o poder, a qualquer preço. Poder que  eles consideram direito divino. Para eles, o povo no poder é um desaforo inaceitável.

Assim, o exercício do governo, no 2º mandato será difícil para a ex-guerrilheira (presa e torturada pela ditadura) Dilma Rousseff. Será um permanente desafio. Ela precisará, mais do que nunca, cumprir rigorosamente a Lei Máxima da Política: artigo 1º- É proibido errar; artigo 2º- Revogam-se as disposições em contrário.

Para começar, Dilma tem de escolher um Ministro da Fazenda que seja aceito e acalme o chamado Mercado. O chamado  Mercado é asqueroso, mas como o PT , sabiamente, opera no capitalismo, lidar bem com o Mercado é essencial.

Mais: toda a sua equipe de ministros e assessores deve ser, no mínimo, eficiente. Porque as dificuldades (a crise mundial que recrudesceu nesses últimos 3 anos e as armadilhas que serão postas pela direita) não deixarão margem para erros e titubeios.

Porém, o governo do PT enfrentou dificuldades, desde sempre. Agora, “daqui pra frente, nada será diferente. E com todas as dificuldades, o governo do PT foi capaz de extraordinárias conquistas para o Brasil e para o povo brasileiro. Eu creio que o próximo governo será ainda melhor.

Os grandes derrotados nas eleições de 2014 (na ordem de nociva importância):

“Grande Imprensa” ou “Cartel da grande imprensa”- Mais uma vez, a “grande imprensa” (assim, com merecidas aspas) foi derrotada pelo povo brasileiro, representado pelo PT. Eu bem sei que alguns fariseus irão dizer que pouco menos da metade dos votos foi para o candidato da direita. Mas se não fosse a contínua desconstrução (acusações sem provas e essa canalhice de suposições) perpetrada pela “grande imprensa”, além do boicote das notícias sobre as grandes obras do governo, a votação de Dilma Rousseff  seria muito maior.

De qualquer forma, a vitória de Dilma Rousseff é incontestável.

Quanto às acusações sobre corrupção em instâncias governamentais – e que a imprensa tem obrigação de divulgar, com ética e respeito por direitos individuais –civilizadamente nós conheceremos as responsabilidades depois do julgamento. E a grande imprensa não tem o direito de “julgar”, “condenar” e produzir um abominável linchamento moral, antes da soberana manifestação da Justiça.

Enfim, ofereço à “grande imprensa”, os versos do samba “Vou festejar”, de Beth Carvalho: “Chora,/  não vou ligar/Não vou ligar/ Chegou a hora/ Vais me pagar/ Pode chorar/ Pode chorar/Mas chora/(...)Vou festejar/ Vou festejar/ o teu sofrer/O teu penar”.

Direita alucinada- Pró-nazistas, pró-fascistas, direitistas reacionários facinorosos, direitosos enrustidos e envergonhados e instituições que lhes dão abrigo, são o maior perigo e o maior entrave ao projeto de um grande Brasil, de um Brasil socialmente justo e desenvolvido. É uma gente perigosa e que se coloca além da ética e da lei. Foram vencidos mas continuarão articulando o golpe. Eles contam com a complacência da “grande imprensa”, porque formam na frente ampla anti-PT.

Fernando Henrique Cardoso- O chamado príncipe dos sociólogos (não para mim, que o considero sem expressão, como sociólogo) e que foi presidente da República, desde que deixou a presidência, não parou mais de falar contra o governo do PT. Tornou-se o porta-voz da reação. Muitas vezes, refiro-me a ele, chamando-o de Fernando Carlos Lacerda Cardoso. Mas, pensando bem, Fernando Henrique é muito mais entreguista e reacionário que o falecido Carlos Lacerda, que jamais (eu disse jamais e repito jamais) privatizaria a Vale do Rio Doce, ainda mais na “bacia das almas”, como fez o nosso príncipe Fernando, nosso “beau Brummell” tupiniquim. A ele também ofereço a letra do “Vou festejar”.

Madre Marina de Calcutá - .Nossas eleições, ela deixou bem manifesto que aquela imagem de santa, que sempre cultivou, não tinha substância, nem razão de ser. Nem madre muito menos de Calcutá. Ela demonstrou ser apenas uma política comum, que faz acordos e que comunga com a direita, como fez, declarando enfaticamente seu apoio ao candidato da direita, Aécio Neves. Nessas eleições ela perdeu definitivamente o apreço da esquerda e não ganhou o apreço da direita. Que fique muito claro, a direita não aceita Marina Silva, pelo que ela é e pelo que representa. Ela pode até ser usada, porque contra o PT vale tudo. Mas, aceita pela direita nunca, nunca, nunca e nunca. Pode-se dizer que Marina Silva, politicamente, está marginalizada. O que não significa que não poderá insistir, em 2018, em sua aventura presidencial, mesmo na sua condição de pária da política. E, com certeza, jamais alcançará a presidência.

Aécio Neves -  Deixei o Aécio por ultimo, pela sua desimportância. Os votos recebidos por ele são os votos da direita, dos direitosos e dos inocentes úteis (não os “desinformados”, segundo o príncipe Fernando Henrique, mas, os deformados pela “grande imprensa”). Alem dos votos da direita, Aécio teve os votos da última hora, decorrentes da reportagem irresponsável da revista Veja, repercutida, na véspera das eleições, pela poderosa emissora de TV. Não fora esse golpete de última hora, a diferença, entre Dilma e Aécio, seria de, no mínimo, 8 pontos.

Aécio Neves não representa nada, não é e nunca será opção para um Brasil diferente. Ele é oco, vazio, chocho e isso é o mínimo que pode se dizer dele. Votar em Aécio Neves foi uma temeridade. Ele e o seu partido, o PSDB, levariam o Brasil a um retrocesso institucional, com a inestimável perda das extraordinárias conquistas e do extraordinário avanço desses últimos 12 anos. O Aécio nem merece que eu ofereça a ele os versos do “Vou festejar”. Ele vai espernear daqui pra frente, mas o que ele bem merece é o ostracismo. E ele pode “tirar o cavalinho da chuva”, que o candidato (para perder) do PSDB, em 2018, é o Geraldo Alckmim.

Viva o Povo Brasileiro -  Foi difícil, porém, é justificada a esperança. Agora é tempo para aqueles que, de fato, amam o Brasil, se darem as mãos. O Brasil é uma grande nação e, nos últimos 12 anos, tudo ficou muito melhor para o povo brasileiro. Bem entendido, para todo o povo brasileiro, mesmo, para aqueles que são contra o governo do PT.

Viva especialmente o norte (que chamaremos de Raimundo) e o nordeste (que chamaremos de Severino). Viva, portanto, Raimundo, viva Severino. Gente forte e decidida e que, em toda parte (também nos orgulhosos sul e sudeste) ajuda a construir o Brasil. Com suas mãos calejadas e o coração sem fel, nunca perdem a esperança. Raimundos e Severinos não vão deixar o Brasil nunca. Vão sempre acreditar que o amanhã será melhor e olharão, sem mágoas, seus irmãos mais bem situados na vida. Viva Raimundos, viva Severinos, o Brasil lhes deve mais uma. Como Dilma Rousseff, vocês tem o coração valente e a mente aberta. Vocês não estão sozinhos: no centro-oeste, no sul e no sudeste, milhões e milhões os abraçam fraternalmente, porque sabem que é desse abraço que se construirá o edifício da nacionalidade e da civilização.

E viva Lula, viva Dilma Rousseff, viva os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores e viva eu, que permaneço firme nesta minha trincheira, esperto e duro na queda. Viva, enfim, todo o Povo Brasileiro!

Eu precisava entender e, finalmente, entendi. Contou o jornalista Barbosa Filho: Um negociante, seu amigo, todo o dia desancava o governo, repetia todas aquelas abobrinhas da “grande imprensa”, da direita e do PSDB contra o governo do PT. Até que, um certo dia, para se vangloriar, contou que sua filha estava estudando no exterior, com bolsa do Ciências sem Fronteiras, programa criado por Dilma Rousseff. Foi assim que eu consegui entender os votos dados a Aécio Neves. É preciso dizer mais?!


No mais e com referência ao resultado das eleições, a vitória de Dilma Rousseff e a renovação de nossas melhores esperanças, é como diria o grande William Shakespeare: TUDO E BOM QUANDO ACABA BEM!SHAKESPEARE TINHA RAZÃO

Celso Brum, sociólogo

Observando a votação obtida pela candidata da esquerda possível (Dilma Rousseff) e a votação dada ao candidato da direita (Aécio Neves) pude constatar o óbvio: que os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores são, sobretudo, raros. Mas não fico aborrecido, porque sei que os vanguardistas da civilização são mesmo raros. Aos raros posso dizer: “Não desanimem. Os raros estão em boa companhia. Pois as grandes conquistas da civilização foram alcançadas justamente pelos raros”.

É bem verdade que frequentemente os raros são perseguidos (Galileu Galilei), queimados vivos (Giordano Bruno) ou decapitados (Thomas Morus). Mas quem disse que ser raro é confortável? Quem quer conforto, seja um direitista.

As palavras acima não são de um comunista que não fui, não sou e não serei. Considero o comunismo (e o socialismo) uma utopia, tendo-se em vista a natureza humana, tão egoístas somos. Mas, é interessante ler os Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 44 e 45, para saber como viviam os primeiros cristãos: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um”. Portanto, não foi sem motivo que Jesus foi crucificado e os cristãos jogados para os leões. E, 2.000 anos depois, é interessante ver como pensam, como agem e como sentem os cristãos de hoje. A julgar pelas manifestações de muitos cristãos nestas últimas eleições parece que ainda não deu tempo de serem assimilados os belos princípios do Cristianismo.

Mas feita a necessária introdução, voltemos ao assunto do momento, qual seja o resultado das eleições gerais do Brasil.

Antes, porém, faz-se necessário justificar esta rápida incursão em temas religiosos, linhas acima. É que o direitismo brasileiro assumiu proporções nunca vistas e estão sendo praticadas atitudes de feroz preconceito contra os pobres e contra nossos irmãos nordestinos e nortistas. Algo nojento, que bem retrata o atual estágio do que, conceitualmente, foi, um dia, chamado de cordialidade do povo brasileiro.

Agora, sem mais delongas, as eleições.

Dilma foi a vencedora. Era o esperado. A margem estreita da vitória se explica pelo golpe de última hora, perpetrado pela revista Veja e repercutido pela poderosa emissora de TV, em seu principal telejornal, na véspera das eleições. Dilma perdeu de 3 a 5 pontos por causa disso. Além disso, pode-se ter a certeza que tanto Henrique Alves, como Delcídio Amaral, candidatos ao governo de seus estados, também foram derrotados pelos estratégicos e selecionados vazamentos de uma investigação sob segredo de justiça. E aqui cabe uma pergunta: Por que segredo de justiça? Simplesmente porque, quando instaurado o processo, as pessoas acusadas poderão se defender. E então, as provas, se houverem, terão sido apresentadas. As acusações vazadas ferem o direito das pessoas acusadas, como aconteceu com a ex-ministra Erenice Guerra, em 2010 (também estrategicamente às vésperas das eleições). Lembrando-se que as acusações contra Erenice Guerra eram falsas, como se verificou posteriormente.

As eleições de 2014 dividiram o Brasil? - Não e as alegações dos inefáveis analistas da grande imprensa, como sempre estão erradas. A divisão do Brasil, que existe, antecede as eleições de 2014. A divisão é: a direita contra o povo. E esta divisão é estimulada pela “grande imprensa”, desde 2003, na sua sanha antipetista, movida por ódio dissimulado e preconceitos explícitos.

Não é de agora o ódio de apartheid da direita contra o PT, contra os pobres e contra nossos irmãos do norte-nordeste. É que os pró-fascistas não admitem que o povão seja senhor do seu destino e de sua história. Em tempo: no passado, a divisão era entre casa grande e senzala e era mantida pelo chicote. Os pró- fascistas de hoje sentem saudade desse tempo gentil.

O 2º mandato de Dilma será mais fácil ou mais difícil? Como sempre, será difícil. Não vai ter moleza: Parece que o novo Congresso está mais endireitado. Com a “grande imprensa”, mais os direitistas alucinados, mais os pró-nazistas, mais os pró-fascistas, sob o olhar cândido dos direitosos, a tentativa de 3º turno (golpes e golpetes de toda ordem) será permanentemente buscada.
E que ninguém tenha ilusões: direitistas não estão preocupados com o Brasil e menos ainda com os brasileiros. Eles querem o poder, a qualquer preço. Poder que  eles consideram direito divino. Para eles, o povo no poder é um desaforo inaceitável.

Assim, o exercício do governo, no 2º mandato será difícil para a ex-guerrilheira (presa e torturada pela ditadura) Dilma Rousseff. Será um permanente desafio. Ela precisará, mais do que nunca, cumprir rigorosamente a Lei Máxima da Política: artigo 1º- É proibido errar; artigo 2º- Revogam-se as disposições em contrário.

Para começar, Dilma tem de escolher um Ministro da Fazenda que seja aceito e acalme o chamado Mercado. O chamado  Mercado é asqueroso, mas como o PT , sabiamente, opera no capitalismo, lidar bem com o Mercado é essencial.

Mais: toda a sua equipe de ministros e assessores deve ser, no mínimo, eficiente. Porque as dificuldades (a crise mundial que recrudesceu nesses últimos 3 anos e as armadilhas que serão postas pela direita) não deixarão margem para erros e titubeios.

Porém, o governo do PT enfrentou dificuldades, desde sempre. Agora, “daqui pra frente, nada será diferente. E com todas as dificuldades, o governo do PT foi capaz de extraordinárias conquistas para o Brasil e para o povo brasileiro. Eu creio que o próximo governo será ainda melhor.

Os grandes derrotados nas eleições de 2014 (na ordem de nociva importância):

“Grande Imprensa” ou “Cartel da grande imprensa”- Mais uma vez, a “grande imprensa” (assim, com merecidas aspas) foi derrotada pelo povo brasileiro, representado pelo PT. Eu bem sei que alguns fariseus irão dizer que pouco menos da metade dos votos foi para o candidato da direita. Mas se não fosse a contínua desconstrução (acusações sem provas e essa canalhice de suposições) perpetrada pela “grande imprensa”, além do boicote das notícias sobre as grandes obras do governo, a votação de Dilma Rousseff  seria muito maior.

De qualquer forma, a vitória de Dilma Rousseff é incontestável.

Quanto às acusações sobre corrupção em instâncias governamentais – e que a imprensa tem obrigação de divulgar, com ética e respeito por direitos individuais –civilizadamente nós conheceremos as responsabilidades depois do julgamento. E a grande imprensa não tem o direito de “julgar”, “condenar” e produzir um abominável linchamento moral, antes da soberana manifestação da Justiça.

Enfim, ofereço à “grande imprensa”, os versos do samba “Vou festejar”, de Beth Carvalho: “Chora,/  não vou ligar/Não vou ligar/ Chegou a hora/ Vais me pagar/ Pode chorar/ Pode chorar/Mas chora/(...)Vou festejar/ Vou festejar/ o teu sofrer/O teu penar”.

Direita alucinada- Pró-nazistas, pró-fascistas, direitistas reacionários facinorosos, direitosos enrustidos e envergonhados e instituições que lhes dão abrigo, são o maior perigo e o maior entrave ao projeto de um grande Brasil, de um Brasil socialmente justo e desenvolvido. É uma gente perigosa e que se coloca além da ética e da lei. Foram vencidos mas continuarão articulando o golpe. Eles contam com a complacência da “grande imprensa”, porque formam na frente ampla anti-PT.

Fernando Henrique Cardoso- O chamado príncipe dos sociólogos (não para mim, que o considero sem expressão, como sociólogo) e que foi presidente da República, desde que deixou a presidência, não parou mais de falar contra o governo do PT. Tornou-se o porta-voz da reação. Muitas vezes, refiro-me a ele, chamando-o de Fernando Carlos Lacerda Cardoso. Mas, pensando bem, Fernando Henrique é muito mais entreguista e reacionário que o falecido Carlos Lacerda, que jamais (eu disse jamais e repito jamais) privatizaria a Vale do Rio Doce, ainda mais na “bacia das almas”, como fez o nosso príncipe Fernando, nosso “beau Brummell” tupiniquim. A ele também ofereço a letra do “Vou festejar”.

Madre Marina de Calcutá - .Nossas eleições, ela deixou bem manifesto que aquela imagem de santa, que sempre cultivou, não tinha substância, nem razão de ser. Nem madre muito menos de Calcutá. Ela demonstrou ser apenas uma política comum, que faz acordos e que comunga com a direita, como fez, declarando enfaticamente seu apoio ao candidato da direita, Aécio Neves. Nessas eleições ela perdeu definitivamente o apreço da esquerda e não ganhou o apreço da direita. Que fique muito claro, a direita não aceita Marina Silva, pelo que ela é e pelo que representa. Ela pode até ser usada, porque contra o PT vale tudo. Mas, aceita pela direita nunca, nunca, nunca e nunca. Pode-se dizer que Marina Silva, politicamente, está marginalizada. O que não significa que não poderá insistir, em 2018, em sua aventura presidencial, mesmo na sua condição de pária da política. E, com certeza, jamais alcançará a presidência.

Aécio Neves -  Deixei o Aécio por ultimo, pela sua desimportância. Os votos recebidos por ele são os votos da direita, dos direitosos e dos inocentes úteis (não os “desinformados”, segundo o príncipe Fernando Henrique, mas, os deformados pela “grande imprensa”). Alem dos votos da direita, Aécio teve os votos da última hora, decorrentes da reportagem irresponsável da revista Veja, repercutida, na véspera das eleições, pela poderosa emissora de TV. Não fora esse golpete de última hora, a diferença, entre Dilma e Aécio, seria de, no mínimo, 8 pontos.

Aécio Neves não representa nada, não é e nunca será opção para um Brasil diferente. Ele é oco, vazio, chocho e isso é o mínimo que pode se dizer dele. Votar em Aécio Neves foi uma temeridade. Ele e o seu partido, o PSDB, levariam o Brasil a um retrocesso institucional, com a inestimável perda das extraordinárias conquistas e do extraordinário avanço desses últimos 12 anos. O Aécio nem merece que eu ofereça a ele os versos do “Vou festejar”. Ele vai espernear daqui pra frente, mas o que ele bem merece é o ostracismo. E ele pode “tirar o cavalinho da chuva”, que o candidato (para perder) do PSDB, em 2018, é o Geraldo Alckmim.

Viva o Povo Brasileiro -  Foi difícil, porém, é justificada a esperança. Agora é tempo para aqueles que, de fato, amam o Brasil, se darem as mãos. O Brasil é uma grande nação e, nos últimos 12 anos, tudo ficou muito melhor para o povo brasileiro. Bem entendido, para todo o povo brasileiro, mesmo, para aqueles que são contra o governo do PT.

Viva especialmente o norte (que chamaremos de Raimundo) e o nordeste (que chamaremos de Severino). Viva, portanto, Raimundo, viva Severino. Gente forte e decidida e que, em toda parte (também nos orgulhosos sul e sudeste) ajuda a construir o Brasil. Com suas mãos calejadas e o coração sem fel, nunca perdem a esperança. Raimundos e Severinos não vão deixar o Brasil nunca. Vão sempre acreditar que o amanhã será melhor e olharão, sem mágoas, seus irmãos mais bem situados na vida. Viva Raimundos, viva Severinos, o Brasil lhes deve mais uma. Como Dilma Rousseff, vocês tem o coração valente e a mente aberta. Vocês não estão sozinhos: no centro-oeste, no sul e no sudeste, milhões e milhões os abraçam fraternalmente, porque sabem que é desse abraço que se construirá o edifício da nacionalidade e da civilização.

E viva Lula, viva Dilma Rousseff, viva os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores e viva eu, que permaneço firme nesta minha trincheira, esperto e duro na queda. Viva, enfim, todo o Povo Brasileiro!

Eu precisava entender e, finalmente, entendi. Contou o jornalista Barbosa Filho: Um negociante, seu amigo, todo o dia desancava o governo, repetia todas aquelas abobrinhas da “grande imprensa”, da direita e do PSDB contra o governo do PT. Até que, um certo dia, para se vangloriar, contou que sua filha estava estudando no exterior, com bolsa do Ciências sem Fronteiras, programa criado por Dilma Rousseff. Foi assim que eu consegui entender os votos dados a Aécio Neves. É preciso dizer mais?!

No mais e com referência ao resultado das eleições, a vitória de Dilma Rousseff e a renovação de nossas melhores esperanças, é como diria o grande William Shakespeare: TUDO E BOM QUANDO ACABA BEM!