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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

BYE BYE, JUNINHO!

Silvio Prado, professor

Eu esperava que Ortiz Junior um dia multiplicasse peixes e pães, andasse sobre as águas, ressuscitasse mortos, curasse cegos e coxos e da agua mal tratada da Sabesp extraísse um belo e maravilhoso vinho num dos casamentos quem foi pedir votos.

Eu esperava muito do Ortir Junior, que quando ele falasse trovões escapassem das profundas silenciosas do céu e uma voz, imensamente solene saindo da boca do Alckmin, dissesse, este é o meu filho muito amado.

Esperava que Junior, por exemplo, entrasse pelos corredores do pronto socorro local e, só com o toque de sua sombra, fizesse dezenas de velhinhos e doentes ali empilhados saltar repentinamente da cama e fossem correr pelo menos trinta voltas em torno do campo de atletismo da CTI.

Ortiz Junior muito me decepcionou. Não fez nenhum dos milagres anunciados pelo seu marqueteiro enviado do céu. Que tristeza! Ele, tão prodigioso e bonitinho no seu horário eleitoral, não mostrou nenhum poder fora do normal. Fez e desfez apenas do mesmo, mexeu em algumas avenidas, criou uma bela creche com dinheiro federal, trocou de carro como quem troca de discípulos, não esteve nem ai com seu amigo Lazaro e sequer deu um passo para ressuscitá-lo.

Para dizer que não ressuscitou ninguém, ressuscitou apenas Giba, que, quando percebeu que estava vivo, deu rapidamente o fora e foi curtir seus últimos dias em outro time do vôlei. Por outro lado, nunca o encontrei cercado por batalhões de anjos, querubins, serafins, enfim. Ao seu lado, sempre, um velho patriarca ranzinza e vingativo, que nem soube deixar a barba crescer até o peito, sempre estimulando o escolhido a fazer milagres em causa própria.

Além de não fazer milagre algum, pior ainda, o prodigioso escolhido foi pego pela promotoria pública fugindo com uma mala de dinheiro que, dizem, foi desviado dos cofres dum estranho organismo chamado FDE. Na história original, não era um discípulo chamado Judas que tomava contra do dinheiro do grupo?

Na nova versão, foi diferente. Pessoalmente ele se encarregou da bolsa cheia do grupo e dela distribuiu pacotes de migalhas aos onze discípulos que na câmara trabalham para que ele retarde o momento de sua inevitável crucificação.

Dizem que tudo o que aconteceu e vai acontecer está escrito no grosso livre das leis que governam o destino dos iluminados como Jr. Claro que ele vai subir aos céus, coisa também inevitável e prevista no livrão sagrado.

Porém, seus discípulos pedem e lutam para retardar a esperada subida. É importante que ele fique mais tempo e nem seja crucificado logo. Quem sabe no lá Supremo o tal de Pôncio Pilatos, aconselhado agora por Gilmar Mendes, dessa vez não lave as mãos e não vire as costas para o réu. Quem sabe dessa vez, Barrabas, ou seja, o povo, também se foda ainda mais!

Porém, se ele tiver que subir aos céus que suba. Mas que não suba aos céus algemado e sentado no banco de trás de um dos tantos camburões da Policia Federal. Isso pega muito mal e pode até fazer o povo desacreditar em milagres e passe a acreditar de vez na justiça!