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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CASSADO!

Antonio Barbosa Filho, jornalista

(Publicado originalmente pelo Diário de Taubaté)

Para quem, desde o início do processo, há dois anos, acompanha os fatos que envolvem o prefeito de Taubaté, Juninho Ortiz, do PSDB, e seu vice, Edson Aparecido, hoje não é um dia feliz. Não há vitória a comemorar, por duas razões, pelo menos.

Em primeiro lugar, é uma lástima que Taubaté tenha elegido um político que já havia sido denunciado por formação de cartel e crime de "abuso de poder político e econômico" em sua campanha. Pior: nesses dois anos, as principais entidades e lideranças da cidade, inclusive a OAB, a Diocese, a imprensa e a maioria na Câmara, preferiram fazer de conta que nada acontecia. Não vi ninguém bradando que o prefeito era inocente, mas muito poucos exigiram do Judiciário uma punição nos termos da lei - coisa que exigem aos berros quando o réu pertence a outros partidos, especialmente o PT.

Houve muita hipocrisia, portanto, e agora será engraçado ver os "éticos" da cidade explicando porque se omitiram e, pelo silêncio cúmplice, coonestaram, as condutas dos agora expulsos da Prefeitura por corrupção. Ver a minha cidade emasculada desta maneira, sem coragem para reagir a um evidente abuso na condução da política e da administração, é o primeiro motivo de tristeza.

Em segundo lugar, mais esta crise política enodoa o nome da cidade. Os que diziam que, na gestão de Roberto Peixoto Taubaté era a "capital nacional da corrupção" fizeram com que a cidade mantivesse o desonroso título por mais dois anos.

A presença de um réu à frente do Executivo, atribulado com intimações, processos e despachos com seus muitos advogados, já causou inúmeros prejuízos à comunidade. É uma administração lenta, confusa, totalmente improvisada, que não tem UMA realização importante para mostrar. Tem um fim melancólico este último meio-mandato de um membro do clã Ortiz no comando de nossa terra.

Pouco importa que o TRE tenha adiado o julgamento por cinco vezes, evitando desgaste ao partido do governador reeleito; que dois jornalistas estejam sendo processados por terem exigido mais agilidade da Justiça Eleitoral local (Irani Lima e eu) - mais vale a consciência tranquila, do dever cumprido; que o Tribunal Superior Eleitoral possa, no que seria uma decisão inédita, manter Juninho no cargo até o julgamento final de seus recursos. Politicamente e moralmente, ele já está cassado, assim como seu vice e seu pai e mentor, José Bernardo Ortiz.

Parabenizo aos que resistiram, inclusive o Diário de Taubaté, a TV Cidade e o Blog do Irani, únicos meios de Comunicação que mantiveram uma linha de vigilância permanente, sem aderirem aos poderosos da vez. Os outros que se expliquem como puderem e se puderem.

Taubaté entra em nova fase, e espero que os cidadãos e eleitores tenham aprendido alguma coisa com tais fatos lamentáveis.