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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PROFESSORES DE TAUBATÉ
SENDO CAÇADOS

Fábio Casagrande, professor

Expressões como sumiço do professor, farra das licenças, professores ausentes, excessos de direitos, falta de profissionalismo, IDEB baixo e má formação são a tônica da cobertura da imprensa conservadora e de governos autoritários.

O “absenteísmo” tornou-se mais um entre outros bodes expiatórios de nossas mazelas educacionais. Se a educação vai mal – e essa é a impressão geral que se tem presente na sociedade – corre-se a procurar os “culpados” e, ao encontrá-los, puni-los severamente pela falta cometida. Essa é a abordagem que o tema tem recebido nos inúmeros artigos, editoriais e reportagens na imprensa conservadora, bem como no discurso da Secretaria de Educação. O professor faltoso é réu acusado de boicote ou sabotagem às melhorias da educação.

A preocupação da mídia conservadora e da Secretaria de Educação, simplesmente, concentra-se na ausência do profissional docente em sala de aula e também com relação às perdas financeiras que essas faltas, possivelmente, acarretam aos cofres públicos. Contudo, a simples apresen­tação de tal problemática sem a constatação do que, de fato, ocorre no interior das escolas gera o discurso da CULPABILIZAÇÃO DO PROFESSOR.

A Secretaria de Educação não respeita a jornada de trabalho dos professores prevista em Lei Federal. Não remunera o Descanso Semanal Remunerado, mas também não respeita a Lei Municipal 4638, de 10/05/2008, que estipula em no máximo 25 alunos por turma.

Assim, os Professores de Taubaté enfrentam jornadas de trabalho draconianas e precárias condições de trabalho.

Esses fatores levam o educador à exaustão mental e física em que muitos professores encontram-se imersos distanciando-os da motivação e propósito intrínsecos de educar.

A questão não é, portanto, porque o professorado falta, mas a falta que faz o professorado.