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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015 JÁ! (POR SILVIO PRADO)

Silvio Prado, professor

Que venha 2015 
e no coração de cada um de seus dias 
ressurja revigorada a esperança verdadeira.
Que os homens se percebam homens 
e não máquinas caminhando contrárias 
ao sentido do sonho e do coração.
Que toda cerca seja arrancada da Terra. 
Que todo muro seja destruído 
por vendavais semeados por mãos sedentas de justiça. 
Que toda mesa pobre amanheça farta de pães, livros 
e flores.
Que venha 2015 
e nele nenhuma criança palestina morra 
sob bombas israelenses. 
Que os governos terroristas do mundo aprendam, 
pela pressão popular, que a paz é possível 
sem tiros e ações criminosas 
de máquinas de guerras 
também criminosas.
2015 precisa ser realmente um ano novo...
Sem gritos de fome e gemidos de medo. 
Sem nações separadas e braços armados. 
Sem togas da justiça protegendo criminosos ricos.
Sem tiros da polícia exterminando pobres e negros.
Que seja um grande 
e maravilhoso ano repleto de rios limpos 
e, pelo céu, o azul da criação expulsando 
o cinza maldito da poluição.
Enfim, que a esperança verdadeira 
mexa com os acomodados e coloque em pânico 
os poderosos do mundo.
E que haja sonhos, 
os mais ousados e atrevidos, 
E que ninguém sofra pela decisão 
de amar alguém do mesmo sexo 
e optar pelo amor, simplesmente pelo amor, 
como norma única da vida.
Que venha 2015 e nos traga 
o gosto definitivo por coisas que pregamos
todo dia e não fazemos nunca: 
amar, 
compartilhar, 
socorrer e, mesmo com dificuldades, 
provar que pelo rosto ostentamos 
algum mínimo traço que nos faça semelhantes 
a alguém que chamamos de 
Deus.
Que assim seja!
(Verdadeiramente, Feliz Ano Novo 
aos que me amam, desamam 
ou simplesmente me aturam)