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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CASSAR BOLSONARO, JÁ!

Silvio Prado, professor

Segundo o mapa da violência de 2012, entre 84 países o Brasil ocupa o sétimo lugar em assassinatos de mulheres e a maioria dessas mulheres assassinadas são jovens. É uma verdadeira tragédia. Portanto, não dá para tapar o sol com a peneira dizendo que esses crimes são motivados pela “loucura” provocada por relacionamentos desfeitos, além de outras desculpas que não explicam nada e nem ajudam no combate ao problema.

Na verdade, na raiz de tantos assassinatos está o machismo e a ideia absurda de que a mulher tem um proprietário exclusivo: o pai, o irmão, o namorado, noivo ou marido.

O machismo não admite que a mulher tenha vida e vontade próprias. Irracional, ele tem a mulher como uma pessoa a ser submetida, seja pela violência física, psicológica ou pela dependência econômica direta.

Se entre 84 países estamos entre os sete que mais assassinam mulheres, isso significa que a brutalidade atingindo a mulher precisa urgentemente ser contida e eliminada no Brasil. Nenhum estímulo a esse comportamento, digno de mentes primárias, deve ser tolerado. Por isso, o pronunciamento absurdo do deputado (deputado?) Jair Bolsonaro precisa receber a punição merecida: cassação do mandato.

O tratamento que essa figura grotesca deu à deputada petista Maria do Rosário não é digno de um espaço tão importante como a Câmara Federal, que precisa não só produzir legislação que proteja os direitos da população, mas também exemplos de respeito ao conjunto de leis que ela própria cria.

Pior ainda: o comportamento do deputado (deputado?) serve de incentivo e apoio moral para os homens que ainda não conseguiram dar um passo além das cavernas e enxergam toda mulher como objeto e coisa manipulável. E, quando podem, além do estupro, também matam.

Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites e perdeu o direito de frequentar a Câmara Federal. Confessou-se estuprador, ou, no mínimo, defensor de prática tão repugnante, ofendendo não só diretamente as mulheres, mas todas as pessoas que lutam para conter o estado de barbárie em que já estamos.

Bolsonaro é hoje o principal defensor de uma volta aos tempos obscuros da ditadura militar, tempo em que para fardas e quartéis não havia limites para a expressão de atrocidades e loucuras. Nos dias em que se pública o relatório da Comissão da Verdade, as palavras do milico deputado (deputado?), sem nenhuma censura ou restrição, mostram integralmente a insanidade daquele regime.

Não podemos esquecer: gente como o deputado milico perseguiu, prendeu, torturou, matou e desapareceu com centenas de brasileiros. Os defensores da ditadura, como prometeu fazer Bolsonaro com Maria do Rosário, deputada do PT, também exerceram doentiamente a prática do estupro. Portanto, os torturadores da ditadura não podem ficar impunes. Bolsonaro também não!

Precisa ser cassado, já!