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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

AINDA HÁ TEMPO DE ESCAPAR
DAS SANDICES NA BRIGA PELA ÁGUA

José Carlos Cataldi, jornalista e advogado

A transposição de parte da água do Paraíba do Sul, para atender São Paulo, vai prejudicar o abastecimento e aumentar o custo da energia ao Rio de Janeiro. O prognóstico, nada animador, consta de relatórios de pesquisadores do Laboratório de Hidrologia e Estudos de Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A obra, cuja licitação está marcada para esta sexta-feira, diminuirá em 4,2 por cento a capacidade de geração de energia dos reservatórios da principal bacia hidrográfica do estado, com impacto de 20 milhões de reais por ano para as geradoras e distribuidoras de energia, além de piorar a qualidade da água oferecida a cariocas e fluminenses.

Interligar sistemas é solução paliativa, nesse cobertor curto. Para pensar num futuro promissor, Geraldo Alckmin deveria captar e dessalinizar água do mar, aproveitando subprodutos, ou utilizar recursos abundantes do “Aquífero Guarani”, cujas dimensões abrangem 8 estados brasileiros e mais Uruguai e Argentina.

São Paulo detém quase 156 quilômetros quadrados desse manancial subterrâneo, formado no período Triássico (aproximadamente 220 milhões de anos) capaz de suprir a humanidade por alguns milhares de anos, ainda.

Só pode ser preguiça ou mesquinharia a briga pelo esgoto de reservatórios ou pela água de um rio que está secando. Estudo não muito recente de viabilidade da Universidade de São Paulo mostra que o “Aquífero Guarani” suporta a retirada de água em condições de potabilidade, a ponto de encher e transbordar as represas da metrópole paulista.

A cidade de Ribeirão Preto já é toda abastecida por água subterrânea extraída dele. E ficamos nós aqui assistindo bobagens na TV todos os dias.

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