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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

“GAVETA” E “O VALE” PRODUZEM
MANCHETE PRÓ-ORTIZ JUNIOR


Os jornais impressos pautam a maioria das emissoras de rádio em seus “jornais” matutinos e, em boa parte, o noticiário da TV, que acabam por reproduzir tais informações em seus “jornais” vespertino e noturno.

O que começa pela manhã como uma grande especulação jornalística, termina o dia com o povo acreditando no que ouviu no cafezinho da praça, onde os amigos se reúnem para “fofocar” sobre o que ouviu no rádio, viu na televisão ou no jornal que leu antes de sair de casa.

A “notícia”, divulgada a esmo, percorre as fábricas, as lojas, os shoppings, os clubes. Vira verdade na boca do povo quando a noite chega.

Foi exatamente o que aconteceu com as manchetes dos jornais Gazeta de Taubaté e O Vale na edição desta quarta-feira (14).

Há estudos de comunicação a provar que os leitores leem apenas as manchetes dos jornais e as repetem como se fossem verdade.

Ou seja, a função primordial de tais manchetes e induzir o leitor a acreditar no que “mancheteia” o jornal. O texto da manchete não merece análise do apressado “leitor”. E todos são enganados pela leitura superficial.

Se há ma fé por parte dos jornais ao produzir manchetes tendenciosas, também há por parte dos jornais radiofônicos, que as reproduzem como se fossem a mais absoluta verdade.

Sou do tempo em que jornalista não se dobrava ante os poderosos de plantão. Exprimíamos nossas opiniões com desassombro, mesmo que fosse à custa do emprego e o sacrifício da família, como aconteceu comigo quando trabalhei no ValeParaibano.

As manchetes da Gazeta e de O Vale são peremptórias: “TSE pode anular ação movida contra Ortiz”, diz a primeira, e “TSE dá indícios de que pode anular ação contra Ortiz Junior”, “mancheteia” O Vale.

O primeiro parágrafo da matéria diz que “a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)” em favor de Ortiz Junior, “deu também indícios de que a Corte de Brasília pode aceitar o pedido da defesa e anular a ação movida pelo Ministério Público Eleitoral”:

1º. A decisão do ministro João Otávio de Noronha é monocrática. Não é uma decisão do plenário do TSE, dos ministros que o compõem.

. A palavra “pode”, do verbo poder, usada pelos jornais, é sugestiva para a maioria das pessoas, pois é usada como transitivo direto: “TSE pode anular...”.

. O julgamento no TSE, que deve levar alguns meses para acontecer, pode, realmente, anular a sentença da corte eleitoral paulista, pois, em Brasília, a política fala mais alto – vide o caso Maluf, que teve sua eleição garantida pelo TSE mesmo com a ficha mais suja que pau de galinheiro – mas também pode não anular. A interpretação é livre...

4º. O juiz Alberto Zacharias Toron, quando pediu vistas à AIJE 58738 antes de proferir seu voto, favorável a Ortiz Junior, precisou de quase 50 dias para examinar o processo, àquela altura com oito pastas – hoje são mais de 10.

5º. Em menos de uma semana, o ministro João Otávio Noronha leu o processo e deu um despacho de cinco laudas, que garante mais uma temporada de Ortiz Junior no Palácio do Bom Conselho.

6º. Se falhas existem no processo, quem decidirá será o plenário do TSE.

7º. Não creio que os juízes da corte eleitoral paulista tenham “comido bola” em desfavor de Ortiz Junior.

8º. O fio da meada está na exoneração de Bernardo Ortiz da presidência da FDE pelo governador Geraldo Alckmin, após cumprir suspensão de seis meses imposta pelo juiz da 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital, e um cheque de R$ 34 mil, descontado pelo marqueteiro de Ortiz Junior. Este foi o batom na cueca do tucano.

9º. Se você é flagrado em casa por sua mulher com uma marca de batom na cueca, qual será sua explicação? Foi a amante ou um “namorado” casual? Não há explicação plausível.

10º. A matéria dos jornais não esclarece que o ministro João Otávio de Noronha negou provimento ao agravo regimental interposto pela defesa do tucano, apenas agiu com cautela.

11º. Antes, o ministro do TSE asseverou que “o exame do fumus boni juris, consubstanciado na plausibilidade do direito alegado, compreende um juízo superficial de valor, o que não se confunde com o julgamento do recurso interposto”.

12º. O ministro quis dizer que a fumaça do bom direito, mais a possibilidade de sucesso no pedido de anulação da AIJE 58738, merecia um exame superficial de sua parte e que a decisão final será do plenário do TSE.

Só isso...