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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

MENSALÃO, TRENSALÃO
E REGULAÇÃO DA MÍDIA

Desde a posse de Lula, em janeiro de 2003, a oposição, derrotada pelo ex-metalúrgico, perdeu o discurso. Não fosse a mídia golpista, FHC jamais deixaria seu pijama para desfilar pelas ruas do elegante bairro de Higienópolis sem ser incomodado. Um completo desconhecido.

FHC respira por aparelho graças á mídia paulistana, especialmente Folha de S. Paulo. O Estado de S. Paulo, Veja e Jovem Pan, como pôde ser constatado antes, durante e após as eleições do ano passado, vencida por Dilma, graças ao seu plano de governo inclusivo e ao povo brasileiro, que reconhece nos governos trabalhistas de Lula e Dilma que não são apenas estatísticas.

Um amigo de minha filha, gerente de um cinema em Higienópolis, contou-me, há uns dois anos, que certa feita foi chamado pelo porteiro da empresa com certa urgência.

Ao atender o chamamento, o porteiro apresentou-lhe o “senhor”.

- Muito prazer, disse-lhe o “senhor”.

- O prazer é meu, retorquiu.

- Meu rapaz, você não está me reconhecendo? Sou Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, revelou.

- Eu sei, eu conheço o senhor da televisão, dos jornais...

Foi interrompido por FHC antes de completar a resposta.

- E então, você não vai anunciar a minha presença aqui no cinema?

O amigo da minha filha, estupefato, levou alguns segundos para responder.

A “demora” irritou o senhor Fernando Henrique Cardoso, que virou as costas e tornou ao seu apartamento, no mesmo bairro.

- Tenho ordens expressas para não interromper uma sessão de cinema, a não ser em casos emergenciais e o caso não era de emergência, me contou o taubateano gerente de cinema na Capital.

A arrogância de FHC neste episódio dá bem a medida da forma como o príncipe dos tucanos vê o povo: como seus súditos, nada mais que isto.

Estou recordando este fato narrado por quem “dialogou” com FHC para o leitor entender que o antigo presidente da República não perdoa o povo, que lhe deu as costas em 2002, quando elegeu Lula.

Quem pretende saber sobre “A Privataria Tucana” ou “O Príncipe da Privataria”, deve ler os clássicos de Amaury Ribeiro Junior e Palmério Doria, respectivamente.

Se depender da imprensa golpista, jamais teremos detalhes sobre o “trensalão” promovido pelos tucanos em São Paulo, para desviar recursos do metrô e da CPTM ou o “mensalão” tucano-mineiro, que permanece nas prateleiras do TJMG sem julgamento.

Robson Marinho (nada a ver com os Marinho da Globo), ex-prefeito de São José dos Campos, ex-deputado constituinte, ex-chefe da Casa Civil de Mário Covas e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo foi demitido.

Mas Robson Marinho, embora muito influente na gaiola tucana, ocupava poleiros inferiores, de onde manejou propinas milionárias para si e para outros tucanos, cujos nomes não foram revelados.

Fosse alguém do PT o envolvido na história do “trensalão”, não tenha dúvida que a mídia golpista denunciaria até as fraldas compradas com dinheiro da ”propina” por um infeliz parente em terceiro grau do “petralha corrupto”.

O massacre midiático sofrido por Lula e Dilma, especialmente com a capa criminosa da Veja às vésperas do segundo turno das eleições o ano passado somada à leniência da imprensa golpista com as notícias que não interessam aos tucanos reforçam a necessidade de regular economicamente a mídia.

O “petrolão” é um noticiário vazio porque até agora não apareceu nenhum ‘petralha” envolvido nos escândalos. Os dois que aparecem como “propineiros” estão mortos: Sérgio Guerra, ex-presidentes do PSDB, e Eduardo Campos (PSB).

Portanto, a confirmação de Berzoini para o Ministério das Comunicações é o recado mais claro de Dilma à mídia golpista sobre regulação econômica do setor, que não quer perder seus privilégios nem o poder de pautar as discussões políticas, sempre em detrimento do povo.

O novo ministro virou alvo da mídia golpista e seus asseclas, que não aceitam a discussão “bolivariana” de regulação econômica da mídia, que não se confunde com censura, que esta mesma mídia sofria no regime militar, após ter ajudado o golpe que derrubou Jango do poder.

A “bolivariana” rainha da Inglaterra regula economicamente a mídia de seu reino. O ”bolivariano” presidente americano Barak Obama regula economicamente a mídia de seu país, onde não é permitida a propriedade cruzada. Quem tem emissora de TV não pode ter rádio e jornal. Apenas TV.

No Brasil, a Globo tem emissora de TV, emissoras de rádio, um jornal no Rio e outro, em sociedade, em São Paulo, além de uma revista e participação em dezenas de produtoras de vídeo.

É um controle absoluto sobre a sociedade por uma única família, que pauta as demais (Frias, Mesquista, Civita, Saad e Sirotiski), que por sua vez pautam o Congresso e veem suas distorcidas informações serem repercutidas por milhares de emissoras de rádio pelo Brasil afora como se fossem verdades insofismáveis.

O Brasil precisa acordar deste sono letárgico.

O governo Dilma e o ministro Berzoini, em particular, precisarão de muito apoio popular para regular economicamente a mídia.

Sem povo, política e participação, será impossível qualquer mudança no setor.